PSB e Cidadania articulam federação, que é defendida por dirigentes no RN
Natal, RN 8 de jul 2026

PSB e Cidadania articulam federação, que é defendida por dirigentes no RN

18 de agosto de 2025
6min
PSB e Cidadania articulam federação, que é defendida por dirigentes no RN
Larissa Rosado e Wober Júnior dirigem PSB e Cidadania, respectivamente, no Rio Grande do Norte | Foto: reprodução

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Cidadania articulam uma federação partidária para as eleições de 2026. Por questões legais, a formalização só deve acontecer no ano que vem, mas as duas siglas já trabalham juntas no Rio Grande do Norte pensando em nominatas.

Segundo a ex-deputada Larissa Rosado, líder do PSB no RN, a federação já é dada como certa a nível nacional, restando somente os trâmites burocráticos. No estado, ela já dialoga com o também ex-deputado Wober Júnior, presidente estadual do Cidadania. 

“A gente já traça, inclusive, planejamentos com relação a nominatas. Em algumas coisas a gente já pensa junto, mas é lógico que fazer a concretização disso, só quando a gente estiver com a nossa federação toda prontinha perante a lei também. O que nós temos feito é esse diálogo. E eu busco novos filiados, eu busco pré-candidatos e ele também, nessa perspectiva de nos unirmos a uma federação um pouco mais à frente”, afirma.

Segundo ela, ainda não há uma preocupação em definir quem presidirá a federação no estado, mas o critério será o da representatividade partidária.

“O que nós queremos é que o PSB esteja fortalecido, que ele [Wober Júnior] deseja também que o Cidadania seja fortalecido. Então, a gente tem conduzido esse diálogo sem essa preocupação de quem vai ser o presidente da federação, mas que a gente possa ter mais força no próximo pleito.”

Larissa Rosado assumiu o PSB potiguar num momento de reconstrução da sigla após a saída de Rafael Motta. Ela diz que trabalha para atrair novos filiados ao partido e de identificar aqueles que já compõem a legenda e que queiram ser candidatos a deputado estadual, federal ou ao Senado. 

“Eu sei que até o próximo ano as pessoas estarão conversando com todos os partidos, mas nós estamos fazendo esse exercício que tem que ser feito, de conversar, de dialogar, de mostrar às pessoas o quão simpático, o quão bom é o PSB como alternativa partidária”, explica.

Wober Júnior vai além e deseja fusão pós eleições

Um dos trâmites a serem resolvidos é a federação do Cidadania com o PSDB. Em março deste ano o Diretório Nacional do Cidadania decidiu não renovar a parceria, mas a união é válida até o ano que vem. Só então no primeiro semestre de 2026 é que PSB e Cidadania devem formalizar juridicamente a nova federação. Segundo Wober Júnior, houve uma frustração grande com o PSDB nacionalmente, mas ele garante que não houve problema na relação entre os dois partidos no RN.

“Mas, no Brasil, houve muito prejuízo para o Cidadania. É tanto que o resultado da eleição retratou isso. Então, criou-se um movimento dentro do Cidadania — e eu sou um dos principais articuladores — de que a gente devia fazer uma frente de centro-esquerda. Cidadania, PSB, PDT, Partido Verde, Rede, para que esses partidos, unidos, tivessem mais força eleitoral na sociedade e força política na construção de governos democráticos e progressistas. Essa ideia ainda continua viva. Em todos esses partidos, tem gente com essa ideia. Mas, o que está mais avançado é essa relação do Cidadania com o PSB. Essa federação, politicamente, já está praticamente construída. Faltava só a questão legal”, aponta.

Após as eleições de 2026, ele disse que fará a defesa da fusão com o PSB para sobreviver à cláusula de barreira. Nas eleições de 2024, o Cidadania recebeu cerca de R$ 60 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), valor bem abaixo ao de outras siglas, como PL (R$ 886 milhões) e PT (R$ 619 milhões)

“É difícil, porque isso estrangulou a existência dos partidos do ponto de vista eleitoral. Do ponto de vista político, eles podem existir. Qualquer partido pode existir a vida toda, sem deputado, sem prefeito, sem coisa nenhuma, não tem problema nenhum. Mas ele, para sobreviver politicamente e ter força de interferência no processo político nacional, aí ele vai ter que ter representante. E ele vai se inviabilizar cada dia mais. Os partidos já se acabaram vários. Agora, nessa outra eleição, vários outros vão embora também porque não atendem aos critérios da lei. Aí não tem liderança, não tem tempo de televisão, não tem fundo partidário, não tem nada. É asfixiado. Como é que vai sobreviver? Por isso que eu defendo a fusão, depois da eleição”, explica Wober Júnior.

Enfrentamento à extrema-direita

PSB e Cidadania estiveram juntos no Encontro Estadual do PT que ocorreu no último final de semana e empossou Samanda Alves como presidente estadual da sigla para o primeiro biênio, até 2027. 

Larissa Rosado explica que o PSB faz parte do governo Fátima Bezerra e nacionalmente compõe a vice-presidência com Geraldo Alckmin — com uma “forte possibilidade”, segundo ela, de continuar com a indicação do vice para o ano que vem. 

O partido vai estar aliado ao PT também no Rio Grande do Norte, apoiando Fátima Bezerra para o Senado e Cadu Xavier para o Governo, além de ter indicado como o segundo concorrente ao Senado o ex-prefeito de Carnaubais, Luizinho Cavalcante. 

“Como teremos duas vagas para o Senado, não vejo nenhum choque com a pré-candidatura da governadora Fátima Bezerra, com a pré-candidatura de Cadu Xavier. E isso tudo, essas confirmações das candidaturas serão analisadas e confirmadas um pouco mais à frente. Mas existe toda a simpatia, existe o desejo de continuarmos nesse arco de aliança”, afirma Larissa.

Já de acordo com Wober Júnior, as alianças para 2026 são uma questão posterior.

“A questão fundamental, do nosso ponto de vista, é que as forças democráticas devem se unir no primeiro turno da eleição presidencial para derrotar a extrema-direita, que ainda é muito forte no Brasil. Esse é o princípio básico. Os outros são desdobramentos”, afirma.

“Eu, como dirigente nacional do partido, tenho essa preocupação, e o nosso partido também. A gente tem que defender a imperiosidade dos valores democráticos e republicanos e a soberania nacional. E a gente só faz isso se a gente tiver capacidade de articulação, de ampliar uma frente que seja capaz de ganhar a eleição e de governar. Não é só de ganhar a eleição, é de governar também. Então, essa é a preocupação fundamental. As outras são posteriores, são consequências disso”, destaca Wober.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.