Setembro de Segunda Mão em Natal: debates, feira de trocas e oficinas
Acontece em Natal , nos dias 26 e 27 de setembro, a programação do Setembro de Segunda Mão, iniciativa ligada ao movimento internacional Fashion Revolution, que propõe reflexões e práticas em torno da moda sustentável. A edição potiguar conta com atividades abertas ao público no Departamento de Artes da UFRN (DEART) e no espaço Lado B | Discol, no bairro da Cidade Alta.
Na sexta-feira (26), a programação tem início às 17h, com a exibição do documentário Seu Estilo, Seu Impacto . Em seguida, às 18h, acontece a roda de conversa “Diálogos sobre moda e clima: o lado emocional da crise ambiental”. O dia encerra com uma Feira de Trocas, a partir das 19h, com recebimento de peças desde o início da tarde. Já no sábado (27), o Lado B recebe o público a partir das 10h, com o Café com Curadoria, espaço que propõe ressignificar o cuidado com as roupas. Às 12h, ocorre um mutirão de pequenos reparos, com dicas práticas para prolongar a vida útil das peças.
SAIBA +
Setembro de Segunda Mão: moda sustentável com brechós, criadores e ativistas
“O Setembro de Segunda Mão é quase um manifesto”
Para Vivian Pedrozo, ativista e representante do Fashion Revolution Brasil em Natal, o evento é mais do que um calendário de atividades: trata-se de um chamado coletivo à mudança de hábitos.
“Profissionalmente, o Setembro de Segunda Mão é quase um manifesto. Hoje já temos roupas suficientes no planeta para vestir as próximas seis gerações. Ainda assim, produzimos entre 100 e 150 bilhões de novas peças por ano, o que equivale a 4.400 roupas por segundo. Esse ritmo é insustentável. Falar sobre segunda mão é também falar sobre reduzir a velocidade dos meios de produção e repensar o futuro da moda”, afirma.
Vivian iniciou sua trajetória no consumo consciente após anos trabalhando como estilista em grandes redes varejistas. Segundo ela, foi a experiência dentro do próprio sistema que despertou a urgência de questionar práticas predatórias:
“Estando dentro da indústria, pude ver de perto os impactos ambientais, sociais e a lógica acelerada da produção em massa e exploração. Essa vivência me fez repensar não só meu papel profissional, mas também a forma como eu mesma me relacionava com as roupas”, relembra.
No Rio Grande do Norte, Vivian destaca que feiras de trocas e brechós têm ganhado protagonismo ao oferecer alternativas ao descarte acelerado. Além de diminuir os impactos ambientais, a moda de segunda mão é também um movimento cultural e social.
Segundo Vivian, ainda existem mitos a serem desconstruídos, como o de que roupas de brechó são de baixa qualidade ou carregam energias negativas. Ela lembra que, muitas vezes, trata-se de peças de alta durabilidade, feitas com técnicas já raras na produção atual.
Para o futuro, Vivian acredita que o consumo de segunda mão deixará de ser nicho e se consolidará como prática comum, especialmente entre as novas gerações.
O que é o Fashion Revolution?
O Fashion Revolution é um movimento global criado em 2013, após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, que matou mais de 1.100 trabalhadores da indústria têxtil. A tragédia expôs ao mundo as condições precárias de trabalho e os impactos sociais e ambientais por trás da produção em massa de roupas.
Desde então, o movimento se espalhou por mais de 100 países, incluindo o Brasil, com o objetivo de promover maior transparência, sustentabilidade e ética na moda. A campanha mais conhecida é a #QuemFezMinhasRoupas (#WhoMadeMyClothes), que incentiva consumidores a questionar a origem das peças que vestem.