“As Dançadeiras de São Gonçalo” leva a tradição quilombola para Mostra de Gostoso
Natal, RN 3 de jun 2026

“As Dançadeiras de São Gonçalo” leva a tradição quilombola para Mostra de Gostoso

19 de novembro de 2025
4min
“As Dançadeiras de São Gonçalo” leva a tradição quilombola para Mostra de Gostoso

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As Dançadeiras de São Gonçalo, dirigido por Jorge Andrade, avança para uma nova fase de circulação e se firma como uma das produções potiguares de maior destaque no cenário audiovisual recente. Depois de passar por festivais como Goiamum e Urbano Cine, o curta integra agora a Mostra Potiguar da 12ª Mostra de Cinema de Gostoso, realizada de 20 a 24 de novembro de 2025.

A presença na Mostra de Gostoso vem acompanhada de outro marco, a seleção do filme para o programa Filmes Potiguares, disponibilizado gratuitamente na plataforma Itaú Cultural Play entre 24 de novembro e 9 de dezembro. A inclusão no streaming garante mais alcance à obra e reforça o interesse crescente por narrativas que rompem com leituras simplificadas sobre territórios quilombolas.

Com 16 minutos de duração, o documentário propõe uma imersão na Dança de São Gonçalo, ritual preservado pelas mulheres da comunidade quilombola Pêga, localizada em Portalegre, na serra potiguar. No Rio Grande do Norte, apenas os quilombos Pêga e Arrojado mantêm essa tradição, o que torna o registro audiovisual ainda mais urgente. Confira o trailer:

Ao contrário de abordagens que reduzem comunidades quilombolas a narrativas de falta, dor ou carência, As Dançadeiras de São Gonçalo estrutura seu olhar a partir de uma estética de escuta, presença e continuidade. A câmera observa o gesto, o intervalo, o silêncio, e é ali que revela a força da memória.

O diretor sublinha esse compromisso de forma clara:

“A dança é um pedaço vivo da história delas. Registrar isso é preservar a memória de uma tradição que existe há gerações e que só continua graças à força dessas mulheres.”

“Buscamos compreender o que motiva cada uma a continuar dançando, o que habita nos intervalos, nos gestos e nos silêncios. Mais do que registrar a tradição, queríamos revelar tudo o que carrega sentido e que resiste, mesmo quando não é dito”, acrescenta.

As falas sintetizam a escolha ética e estética da produção: não se trata apenas de observar um ritual, mas de sentir junto, reconhecendo a dança como território de espiritualidade, identidade e resistência.

Antes de alcançar festivais e mostras, o documentário percorreu um caminho que se tornou eixo do projeto, as primeiras exibições, ainda em 2024, aconteceram dentro das próprias comunidades quilombolas de Portalegre. Essa devolutiva, mais do que simbólica, afirma que a narrativa pertence às mulheres retratadas e que a circulação só faz sentido quando começa pelo território que lhe deu origem.

A professora e liderança quilombola Ielândia Jacinto, participante do filme, reforça esse entendimento:

“É tão grandioso ver um trabalho sem o manto de induzir o retrospecto da dor alheia. É tão lindo ver a história contada a partir de si, do lugar de fala, e falas de alegria, por saber contar quem é. É um trabalho construído e apresentado com muita ética, respeitando a história de nossas vidas, evidenciando a nossa força e coragem.”

A circulação do filme também se fortalece em outros eventos importantes do calendário audiovisual: após a Mostra de Gostoso, o documentário segue para o FINC – Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa, que ocorre nos dias 28 e 29 de novembro, e já passou pelo Festival Goiamum, pelo Festival Urbano Cine e pela 7ª Mostra Cinema dos Quilombos, em Belo Horizonte, programada para dezembro.

O avanço pelo circuito nacional reforça o interesse por uma produção que assume o ponto de vista interno, uma narrativa que não fala sobre comunidades quilombolas, mas a partir delas.

Sobre a iniciativa

O documentário integra o projeto Gente que Faz História, voltado ao registro de práticas, saberes e experiências das comunidades quilombolas de Portalegre. A iniciativa conta com apoio do Sebrae-RN (Edital de Economia Criativa) e da Prefeitura Municipal de Portalegre, por meio da Lei Paulo Gustavo.

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