Bancada do RN se divide ao votar PEC que amplia imunidade tributária para igrejas
Natal, RN 21 de jul 2026

Bancada do RN se divide ao votar PEC que amplia imunidade tributária para igrejas

29 de maio de 2026
4min
Bancada do RN se divide ao votar PEC que amplia imunidade tributária para igrejas
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (28) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estende a imunidade tributária para a aquisição de bens e serviços por igrejas e demais templos religiosos. O texto foi apresentado em 2023 pelo deputado e pastor Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) com apoio de seis deputados federais do RN, e a votação se refletiu na Casa. De um lado, parlamentares bolsonaristas e do Centrão deram aval à medida, enquanto Fernando Mineiro e Natália Bonavides se posicionaram de modo contrário. O PT alertou para riscos de fraudes com a PEC e teve destaques rejeitados.

A PEC 5/2023 passou por dois turnos de votação. No primeiro, o placar foi de 385 votos favoráveis e 93 contrários. No segundo turno, de 368 a 96. Agora, segue para o Senado.

Do RN, votaram a favor da medida os deputados General Girão (PL), Sargento Gonçalves (PL), João Maia (PP), Robinson Faria (PP), Benes Leocádio (União) e Carla Dickson (PL). Gonçalves, inclusive, foi o responsável por orientar o voto favorável pela Minoria. Já ao ser originalmente apresentada, em 2023, as assinaturas refletiram quase os mesmos nomes. A única diferença foi a presença do atual prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), que à época era deputado federal e foi substituído na Câmara por Dickson.

Atualmente, a Constituição já proíbe a cobrança de impostos de entidades religiosas e templos de qualquer culto, mas a imunidade tributária vale somente para o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades. Com a PEC, a imunidade se estende agora à aquisição de itens de consumo necessários à implantação, manutenção e funcionamento dessas entidades.

Pelo texto aprovado, a imunidade também poderá valer para “creches, comunidades terapêuticas, monastérios, seminários, conventos, serviços institucional, atividades socioassistenciais e demais atividades sem fins lucrativos”.

O líder do PT na Casa, deputado Pedro Uczai (SC), reagiu e apontou a amplitude das definições do texto. Para ele, o projeto poderia dar margem para ampliar a imunidade tributária para atividades que não possuem ligação direta com a prática religiosa. Ele também lembrou que a Constituição de 1988 já produz imunidade para templos de qualquer culto, e que essa não era a discussão.

“O que nós queremos e estamos discutindo aqui no mérito é a alíquota de referência, que vai repercutir no conjunto da sociedade brasileira, no consumo. Eu falava aqui da carne, que interfere em 0% da carga tributária sobre o povo brasileiro. Aqui nós estamos falando de 0,5%. Todos os brasileiros que comprarem leite, comprarem carne, comprarem roupa, comprarem qualquer produto de consumo, vão pagar mais impostos se nós aprovarmos essa PEC. É simples assim! O resto é discurso demagógico aqui, querendo dizer que é a favor ou contra a Igreja. Isso já está superado. Todos nós somos a favor”, apontou.

Uczai também afirmou que, com as definições da matéria, empresas poderiam ser abertas em todas as áreas de bens e serviços e “utilizar denominações religiosas para esconder abusos, crimes, lavagem de dinheiro e obter isenção tributária em uma infinidade de bens e serviços.”

A bancada do PT apresentou destaque para retirar do texto as expressões “atividades socioassistenciais” e “demais atividades sem fins lucrativos”, alegando falta de clareza na definição dos termos. A proposta, no entanto, foi rejeitada, e foi mantida a redação da emenda aglutinativa apresentada pelo relator, deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO).

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