Pressionado, João Maia retira assinatura de emenda das 52h semanais
Natal, RN 10 de jul 2026

Pressionado, João Maia retira assinatura de emenda das 52h semanais

26 de maio de 2026
4min
Pressionado, João Maia retira assinatura de emenda das 52h semanais
A emenda virou alvo de críticas por postergar o fim da escala 6x1 - Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

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O deputado federal João Maia (PP) retirou nesta segunda-feira (25) a assinatura na emenda apresentada por parlamentares da oposição que mantém a jornada de trabalho de 44 horas semanais para atividades essenciais e estabelece um prazo de 10 anos para que a redução para 40 horas entre em vigor. 

A emenda virou alvo de críticas por postergar o fim da escala 6×1. Ela também permitia que as empresas aumentassem em até 30% da jornada o teto em caso de acordo individual ou por instrumentos coletivos, o que poderia elevar a carga horária para 52 horas.

Mais de 100 deputados da oposição subscreveram inicialmente a emenda. No Rio Grande do Norte, General Girão (PL) e Sargento Gonçalves também a apoiaram. João Maia disse que a decisão se deu após consulta ao Partido Progressistas e em consonância com a nota conjunta apresentada pelos líderes partidários do União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Federação PSDB-Cidadania e Podemos, que solicitaram a retirada da tramitação da emenda para “evitar distorções no debate e garantir maior clareza sobre os efeitos da proposta”.

O requerimento para retirar a emenda de tramitação, junto com a retirada de assinatura de João Maia, foi apresentado nesta segunda. O Partido Liberal (PL) não assinou a nota dos líderes partidários, mas sete deputados do partido também pediram a retirada de suas assinaturas — Girão e Gonçalves mantiveram.

João Maia afirmou que o debate sobre o fim da escala 6×1 é legítimo e necessário, mas que, por atingir diferentes setores da economia e da vida social, deve ocorrer por meio de Proposta de Emenda à Constituição, garantindo maior estabilidade e proteção aos trabalhadores. 

“Uma mudança dessa dimensão exige ampla discussão, evitando fragilidades legais futuras e acelerando a tramitação de uma proposta constitucional sólida, permanente e construída com diálogo entre trabalhadores, empregadores e os diversos setores da sociedade”, afirmou em comunicado o parlamentar.

A medida apontava que as atividades essenciais que manteriam o limite de 44 horas seriam aquelas que possam comprometer a preservação da vida, da saúde, da segurança, da mobilidade, do abastecimento, da ordem pública ou da continuidade de infraestruturas críticas. Apesar disso, o prazo para apresentação de sugestões à PEC que acaba com a jornada 6×1 já terminou. 

A proposta original em análise por uma comissão especial da Câmara também prevê um prazo de 10 anos para a vigência da redução da jornada, mas a ideia era reduzir a jornada máxima de 44 horas para 36 horas semanais.

A votação da PEC na comissão especial que analisa a proposta foi adiada para a quarta (27) após um pedido de vista do deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS). Em seguida, o tema deve ir ao plenário da Câmara, antes de seguir para o Senado.

O parecer apresentado pelo relator da proposta, Leo Prates (Republicanos-BA) determina que a duração do trabalho normal não deverá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais, “facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.” O texto também determina dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos.

A previsão é que o fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto “sem qualquer redução salarial, seja nominal, proporcional ou de qualquer outra espécie.”

A redução da jornada encontra respaldo na maioria da população do país. Pesquisa Quaest divulgada na semana passada mostra que 68% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6×1 de trabalho, enquanto outros 22% se dizem contra a proposta.

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