Armazém do Campo deve ser entregue até novembro em Natal
Conquista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Armazém do Campo de Natal deve ser entregue até novembro deste ano, segundo projeção da Secretaria do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf). O prédio, localizado num imóvel histórico na Ribeira, Zona Leste da capital, passa no momento por reforma.
No Rio Grande do Norte, o Governo do Estado publicou em abril o aviso de licitação para a reforma do prédio que vai abrigar o equipamento, localizado na Avenida Tavares de Lira, nº 109.
“A empresa já está contratada e estamos na fase inicial de ajustes e limpeza do prédio, com os trabalhos começando agora”, explica Emerson Inácio Cenzi, coordenador de Acesso a Mercados, Agroindústria e Cooperativismo (Cemac) da Sedraf.
Censi diz que o equipamento funcionará no formato de uma loja, em parceria com cooperativas ligadas ao MST e aos movimentos sociais de luta pela reforma agrária e agricultura familiar no RN.
“Ele vai dar visibilidade direta aos produtos da agricultura familiar e da reforma agrária, criando canais de acesso da população urbana a esses alimentos. É fundamental reforçar a importância de ligar o campo à cidade, garantindo escoamento e valorização de quem produz, ao mesmo tempo que oferece alimentos de qualidade para a população”, aponta.
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O avanço na reforma do prédio também é comemorado pelo MST. Márcio Mello, coordenador estadual do movimento, diz que a organização sempre lutou para ter um espaço na capital onde pudesse comercializar a produção e levar o que é plantado nos acampamentos e assentamentos.
“É uma forma da gente estar mostrando que a reforma agrária dá certo, que a reforma agrária é importante para o desenvolvimento do estado, para o desenvolvimento do país, que é a produção de alimentos saudáveis gera emprego e renda para as famílias do campo”, destaca.
Mello conta que as famílias do MST-RN produzem uma variedade de alimentos, que deverão estar presentes no futuro Armazém.
“Tem muitos produtos diversos nos nossos acampamentos e assentamentos. Desde a batata, macaxeira, jerimum, feijão verde, o feijão seco, a parte de hortaliça toda, de coentro, cebolinha, alface, couve, farinha, goma, coco. Então essa parte toda também a gente vai estar comercializando”, afirma.
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Sobre o Armazém do Campo
O Armazém do Campo é uma rede de espaços de comercialização criada a partir de iniciativas ligadas ao MST com o objetivo de aproximar a produção da agricultura familiar dos consumidores urbanos. Presente em diversas cidades brasileiras, o projeto funciona como uma ponte direta entre quem produz e quem consome, priorizando alimentos orgânicos, agroecológicos e de origem camponesa.
Em Natal, o prédio que vai abrigar o equipamento foi construído em 1930 para sediar o antigo Banco do Estado do Rio Grande do Norte (Bandern), já teve diferentes usos ao longo das décadas e chegou a abrigar uma unidade do Procon antes de ser interditado, em 2014. Agora, será adaptado para receber um espaço voltado à comercialização de produtos da agricultura familiar.
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Coordenada pelas secretarias estaduais do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar e da Infraestrutura, a iniciativa prevê um investimento total de R$ 636.396,82. Desse montante, R$ 156.292,82 correspondem à contrapartida do governo estadual, enquanto o restante vem de emenda parlamentar da deputada federal Natália Bonavides.
A proposta é transformar o local em um ponto de encontro entre produtores rurais e consumidores urbanos, com foco na venda de alimentos orgânicos e agroecológicos. Além da função comercial, o projeto também incorpora uma dimensão simbólica, ao se apresentar como espaço de valorização da agricultura familiar e das pautas ligadas à agroecologia.