Servidores da saúde do RN paralisam atividades e cobram avanços na campanha salarial
Natal, RN 9 de jul 2026

Servidores da saúde do RN paralisam atividades e cobram avanços na campanha salarial

9 de julho de 2026
5min
Servidores da saúde do RN paralisam atividades e cobram avanços na campanha salarial

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Servidores da saúde estadual do Rio Grande do Norte realizaram uma paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (9) e promoveram um ato público em frente à Governadoria, no Centro Administrativo, em Natal. A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN) e integra a Campanha Salarial 2026 da categoria, que reivindica melhorias nas condições de trabalho, valorização profissional e avanços nas negociações com o Governo do Estado.

O protesto também foi incorporado ao ato unificado convocado pelo Fórum dos Servidores Públicos do Rio Grande do Norte, que reúne diferentes categorias do funcionalismo estadual. Além das pautas específicas da saúde, a manifestação trouxe para o debate a situação dos servidores admitidos antes da promulgação da Constituição Federal de 1988, grupo que, segundo as entidades sindicais, tem enfrentado insegurança jurídica em relação a direitos adquiridos ao longo da carreira.

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores da saúde estão a regularização da oferta de alimentação para profissionais e acompanhantes nas unidades da rede estadual, a convocação dos aprovados no concurso da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) realizado em 2025, a ampliação da carga horária de 30 para 40 horas semanais, a implantação do pagamento de produtividade, a garantia do adicional de insalubridade e melhorias estruturais nos locais de trabalho.

Segundo o Sindsaúde/RN, a paralisação ocorre em um contexto de denúncias recorrentes sobre dificuldades enfrentadas pelos profissionais da rede estadual. A entidade afirma que a falta de alimentação em hospitais e outras unidades de saúde tem sido um dos problemas mais frequentes relatados pelos trabalhadores, além da insuficiência de pessoal e das condições consideradas inadequadas para o exercício das atividades.

Durante o ato, representantes sindicais criticaram a forma como o debate sobre a situação fiscal do Estado tem sido conduzido. Para as entidades, decisões e interpretações relacionadas ao controle das despesas públicas têm resultado na suspensão ou ameaça de direitos de servidores que ingressaram no serviço público antes de 1988.

“Esses trabalhadores estão sendo responsabilizados pela crise fiscal, enquanto os altos salários e privilégios existentes nas cúpulas dos poderes não são apontados como parte do problema”, afirmou Rosilda Sales, coordenadora do Sindsaúde/RN.

A discussão envolve benefícios como o abono de permanência e a licença-prêmio. Os sindicatos argumentam que esses direitos foram conquistados ao longo de décadas de serviço e não deveriam ser tratados apenas sob a ótica da contenção de gastos públicos. Para as entidades, a situação tem gerado insegurança para profissionais que construíram suas trajetórias no serviço público estadual antes da atual configuração constitucional.

“É necessário continuar a nossa luta para que nenhum servidor seja prejudicado e tenha que pagar a conta dessa crise. O Governo não pode tratar os servidores como descartáveis, usar o servidor e simplesmente jogá-lo fora”, declarou Ana Carla Galvão, diretora do Sindsaúde/RN.

Após a mobilização, uma comissão formada por representantes dos sindicatos e entidades que integram o Fórum dos Servidores foi recebida por integrantes do Governo do Estado. Participaram da reunião o secretário adjunto do Gabinete Civil, Ivanilson de Souza Maia, o secretário adjunto da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), José Duarte Santana, e o secretário extraordinário de Assuntos Federativos, Luciano Santos.

No encontro, os representantes do funcionalismo solicitaram uma audiência com a governadora Fátima Bezerra (PT) para discutir tanto as reivindicações salariais quanto a situação dos servidores admitidos antes de 1988. As entidades defendem que o Estado adote medidas semelhantes às implementadas em outras unidades da federação para assegurar garantias jurídicas a esse grupo de trabalhadores.

Outra reivindicação apresentada foi a elaboração de um projeto de lei que possa oferecer respaldo legal aos servidores afetados pelas discussões em curso, reduzindo a insegurança sobre a manutenção de direitos funcionais.

Como encaminhamento da reunião, o Governo se comprometeu a avaliar a solicitação de audiência. De acordo com os sindicatos, o secretário adjunto do Gabinete Civil informou que levará a demanda à governadora para definição de uma data de encontro. As entidades aguardam uma resposta até esta sexta-feira (10) e afirmam que poderão ampliar as mobilizações caso não haja retorno.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) para comentar as reivindicações apresentadas pelos servidores e informar sobre possíveis medidas relacionadas às demandas da categoria, mas não obteve resposta até o fechamento da publicação.

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