Prefeituras do RN gastaram R$ 111,8 milhões com grandes shows
Natal, RN 26 de jul 2026

Prefeituras do RN gastaram R$ 111,8 milhões com grandes shows

26 de julho de 2026
7min
Prefeituras do RN gastaram R$ 111,8 milhões com grandes shows
Wesley Safadão teve cachê mais caro no RN entre 2024 e março de 2026. Artista recebeu R$ 1,2 milhão para show na prévia de carnaval de Natal neste ano - Foto: Secom/Prefeitura do Natal

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Os municípios do Rio Grande do Norte gastaram R$ 111.882.300,00 com a contratação de grandes shows de 2024 a 31 de março de 2026. No período, 279 shows foram feitos no estado com dinheiro público, em cifras que chegaram até R$ 1,2 milhão para uma única apresentação, caso do cachê recebido por Wesley Safadão e pago pela Prefeitura de Natal para o carnaval deste ano. 

O relatório “Farras” foi produzido pelo De Olho nos Ruralistas, um observatório do agronegócio no Brasil que mapeou os artistas que mais receberam cachês de prefeituras e governos estaduais no país. O dossiê considerou o top 40 de bandas mais contratadas no Brasil, aquelas que ganharam mais de R$ 50 milhões contratados com dinheiro público desde 2024.

Dos top 40 artistas, 33 deles tocaram no Rio Grande do Norte no período analisado — as exceções ficaram por conta de Eduardo Costa, Toque Dez, Amado Batista, Hugo & Guilherme, César Menotti & Fabiano, Léo Magalhães e Tayrone.

O caso de Wesley Safadão é curioso. O cantor de forró eletrônico, que também flerta com outros gêneros de sucesso no Brasil, recebeu os quatro maiores cachês pagos pelas prefeituras desde 2024, e fez somente cinco apresentações realizadas no período. Os maiores valores foram de R$ 1,2 milhão (Prefeitura de Natal, para o carnaval de 2026), R$ 1,1 milhão (Prefeitura de Mossoró, para o Mossoró Cidade Junina 2025), R$ 1,1 milhão (Prefeitura de Pau dos Ferros, para a Finecap 2025) e R$ 900 mil (Prefeitura de Mossoró, para o Mossoró Cidade Junina de 2024).

O quinto show aparece na 21ª colocação entre os mais caros. A contratação foi feita pela Prefeitura de Pedra Grande, ao custo de R$ 700 mil para os cofres públicos, no dia 13 de janeiro de 2024. Ao todo, Safadão recebeu R$ 5 milhões para os cinco espetáculos em solo potiguar — média de R$ 1 milhão para cada apresentação.

Próximo a ele, outros grandes nomes do cenário musical brasileiro arremataram altas cifras no Rio Grande do Norte. Nattan ganhou R$ 900 mil para o Mossoró Cidade Junina do ano passado. Simone Mendes, a sertaneja que despontou no Forró do Muído e depois fez dupla com Simaria, circulou o estado para três apresentações, em Mossoró (11 de junho de 2025), Natal e Ceará-Mirim (no mesmo dia, 15 de junho de 2025) e recebeu R$ 800 mil para cada uma delas. 

O top 10 shows mais caros no RN é fechado por Ana Castela, que ganhou R$ 800 mil para cantar no MCJ 2025, e a dupla Bruno & Marrone, que lucrou R$ 784 mil também para o Cidade Junina do ano passado em Mossoró.

Entre os 279 shows, apenas dois não foram bancados por prefeituras. Em 25 de julho do ano passado, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte pagou R$ 400 mil a Iguinho & Lulinha por um show na Festa de Sant’Ana realizada em Currais Novos. Em 10 de março do mesmo ano, foi a vez de Heitor Costa receber R$ 250 mil custeados pelo Governo do Rio Grande do Norte para cantar em Taipu.

Rey Vaqueiro fez 32 shows com dinheiro público

Se Safadão se destaca pelos altos cachês para poucos shows, o cantor Rey Vaqueiro vai na contramão e arrecada milhões fazendo dezenas de shows contratados por pequenas prefeituras do Rio Grande do Norte, com valores que não ultrapassam R$ 400 mil.

O artista do piseiro fez 32 shows no estado de 2024 até 31 de março deste ano, majoritariamente em cidades pequenas. Um dos shows, por exemplo, foi realizado no réveillon de Galinhos neste ano, município que tem população estimada em 2.159 habitantes segundo o IBGE. Para o show na virada de ano, ele recebeu R$ 250 mil.

Ao todo, as 32 apresentações renderam ao músico R$ 7.060.000,00 vindos dos cofres públicos. No show mais caro (aquele de R$ 400 mil), ele viajou até Goianinha em 12 de abril deste ano, na Festa de Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira do município.

O artista não tocou em festas públicas em duas das maiores cidades do Rio Grande do Norte no período. Não esteve em Natal, capital do estado e com maior população, nem em Parnamirim, a terceira com mais habitantes.

Ao invés disso, um dos principais shows foi no Mossoró Cidade Junina de 2024, em que recebeu R$ 100 mil da prefeitura de Allyson Bezerra (União), hoje pré-candidato a governador.

Também tocou em Macaíba, quinta maior cidade, em julho de 2024, e Ceará-Mirim, sexta maior população, em dezembro do ano retrasado.

A banda Saia Rodada também se destaca entre as que realizaram mais shows. Foram 29 no Rio Grande do Norte, de 1º de janeiro de 2024 a 31 de março de 2026, apenas três shows a menos que Rey Vaqueiro.

O grupo potiguar, formado em Caraúbas, tem cobrado até R$ 450 mil para uma noite de festa. Foram sete cachês sob esse valor, pagos pelas prefeituras de Natal (três vezes), Parnamirim, Ceará-Mirim, Assú e Areia Branca. Na outra ponta, o menor cachê foi depositado pela prefeitura de Equador, que contratou a banda por R$ 220 mil em março de 2024.

As 29 apresentações da Saia Rodada foram feitas em 23 municípios potiguares diferentes. Curiosidade, nenhuma aconteceu em Mossoró, palco de altos cachês dentro da programação do Mossoró Cidade Junina.

Entre as regiões, o Nordeste concentra 72% do valor empenhado por prefeituras e governos estaduais junto a artistas do top 40. Bahia, com R$ 578 milhões, e Pernambuco, R$ 573 milhões, lideram o ranking. 

Fontes: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), Tribunais de Contas dos Municípios (TCMs), Tribunais de Contas dos Estados (TCEs), Ministérios Públicos dos Estados (MPEs), Diários Oficiais e portais de transparência de prefeituras e governos estaduais. 

Metodologia

De Olho nos Ruralistas compilou mais de 20 mil contratos de 250 artistas em todo o Brasil, entre aqueles com mais shows realizados, conforme o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), ou com cachês mais altos.

Entre os 40 artistas mais contratados por prefeituras e governos estaduais desde 1º de janeiro de 2024, e que constituem o tema central do relatório, foram identificados 7.412 shows. Apenas 63% desse montante está no PNCP. O que significa que a equipe extraiu “na unha” mais de 3 mil contratos para esse universo de 40 artistas 

Para garantir um recorte temporal definido e permitir a consolidação dos dados, a pesquisa considerou os contratos firmados até 31 de março de 2026. Isso significa que os valores apresentados retratam um período específico. Novos contratos continuam sendo celebrados diariamente, mas ficaram de fora da nossa contagem. Os cantores Vitor Fernandes e Padre Fábio de Melo, por exemplo, já ultrapassaram a marca de R$ 50 milhões em contratos públicos, mas pelo recorte temporal ficam logo abaixo disso na lista.

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