Potiguar de Elói de Souza disputa sua primeira Paralimpíada
Aos 20 anos e disputando sua primeira paralimpíada, a atleta Maria Clara será a representante potiguar no atletismo nos Jogos de Paris em 2024. Natural do município de Senador Elói de Souza, distante 73 km de Natal, a potiguar tem má formação congênita no braço esquerdo e descobriu na paixão por esportes a mudança de sua vida.
Acontece que desde criança Maria Clara é atleta, nascendo do futebol o seu amor por esportes. Já o atletismo, chegou na sua vida aos 12 anos de idade através de um projeto social que participou em seu município. De lá para cá, a atleta coleciona prêmios, conquistas e vitórias que a levaram para seu primeiro Jogo Paralímpico.
O novo esporte entrou no seu estilo em 2015, continuando até os dias de hoje, há poucos dias de Paris. Mas a primeira mudança de cidade veio só em 2019, quando Maria se mudou de vez para a capital, Natal, destinada a intensificar sua rotina de treinos e aumentar seu preparo físico.
“Em 2019 me mudei para Natal para me dedicar aos treinos e treinar com meu treinador Felipe Veloso”, contou a atleta à Agência Saiba Mais.
Atualmente, Maria é atleta da Associação Paradesportiva do RN (Aparn).

Dentre seus feitos no esporte, Maria foi prata nos 400m nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023; bronze nos 400m no Mundial Paris 2023; ouro nos 100m no Open Internacional de atletismo 2023 e ouro no salto em distância, revezamento e prata nos 200m no Mundial de Jovens de atletismo em Nottwill, na Suíça, em 2019.
A potiguar também coleciona conquistas nacionais. Veja a lista de prêmios:

Rotina e abdicações
Em nossa série de reportagens, a agência SAIBA MAIS já mostrou que ser atleta no Brasil, no nordeste e no Rio Grande do Norte não é fácil. Com Maria Clara, a situação também não foi diferente. A potiguar confessou que diversas dificuldades já passaram por sua carreira, ao ponto da atleta precisar realizar rifas e vaquinhas para custear passagens de viagens para competir em disputas nacionais e mundiais.
“Uma das maiores dificuldades que enfrentamos é a falta de investimento no esporte assim com falta de apoio governamental do próprio estado, na qual muitas vezes tive que fazer vaquinha ou rifas para poder viajar.”, confessa.
Quanto à rotina de treinos, a elói-de-souzense se prepara de segunda a sábado desde outubro do ano passado, treinando 6 dias por semana há quase um ano. Ela explica que ser uma atleta de alto rendimento exige muito esforço, o que inclui a abdicação de diversas atividades da sua vida pessoal, como estar perto de amigos e famílias. Para chegar em Paris, os preparos foram e continuam sendo intensos.
“Não é fácil treinar no alto rendimento, abdicamos de muitas coisas para sermos bons no que fazemos, mas tudo por um propósito”, conta.
Para estrear na maior competição paralímpica do mundo, a potiguar revelou que está animada, com altas expectativas e com o desejo de levar o RN e o Brasil para o pódio dos campeões. Para isso, Maria Clara compete em mais de uma modalidade na pista de atletismo, sendo os 100, 200 e 400 metros.
O atletismo é a modalidade em que o Brasil mais conquistou medalhas em Jogos Paralímpicos. Ao todo, o país já tem 170 medalhas na história da competição, juntando os pódios das provas nas pistas e no campo – já foram 48 de ouro, 70 de prata e 52 de bronze. Nacionalmente, a modalidade é administrada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e, internacionalmente, pela World Para Athletics (WPA), entidade que atua como braço do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, em inglês).

De acordo com o CPB, o esporte pode ser praticado por atletas com deficiência física, visual ou intelectual. Havendo provas de corrida, saltos, lançamentos e arremessos, tanto no feminino quanto no masculino.
“Será minha primeira paralimpíadas e as expectativas são as melhores possíveis. Espero fazer um bom resultado e colocar em prática o que já venho treinando. Estou muito animada e empolgada para competir, com certeza será um show e uma magnitude imensa”, finaliza.
Outros potiguares
No total, o Rio Grande do Norte será representado por 12 atletas nos Jogos Paralímpicos de Paris, que começam no final de agosto e vão até setembro. Além deles, dois atletas-guia, um técnico em halterofilismo, dois médicos e uma enfermeira também compõem a delegação. Conheça as histórias de outros potiguares rumo a Paris 2024:
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