Bordado Labirinto é reconhecido como Patrimônio Cultural do RN
O Bordado Labirinto foi reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural e Imaterial, pelo Governo do Rio Grande do Norte. A lei, sancionada no Diário Oficial (DOE), valoriza e reconhece a prática tradicional da comunidade do Reduto, no município de São Miguel do Gostoso, no Litoral Norte potiguar.
O bordado que envolve uma técnica artesanal e tradicional da comunidade, é uma importante fonte de renda para as artesãs locais. Agora, com o reconhecimento, as bordadeiras ganham mais visibilidade e seus trabalhos passam a ser reconhecidos pelo valor cultural, identidade do povo potiguar, herança artesanal e a beleza estética que carregam.
São considerados patrimônio imaterial expressões artísticas, representações, conhecimentos e técnicas que integram um grupo ou comunidade. E com isso, o bordado agora se junta a outras tradições potiguares, como a feira do Alecrim em Natal, as festas de Sant’Ana em Caicó e Currais Novos, o prato ginga com tapioca, da Praia da Redinha, a Jurema Sagrada e outros.
Bordado labirinto
Utilizando várias técnicas como desfiar o tecido, torcer, encher e perfilar, o bordado labirinto, ou crivo labirinto, é produzido a partir de tecidos finos. Para realizá-los, é necessário adquirir um manejo minucioso e cheio de simbolismo, com padronizações nos bordados que lembram verdadeiros labirintos.

No Reduto, em São Miguel, o labirinto não é apenas uma prática artística, e sim uma fonte de sustento e identidade cultural para a comunidade, com cada uma das peças carregando as marcas das mãos de suas artesãs. Segundo a deputada Divaneide Basílio, autora da proposta, por ser repassado de maneira informal de uma geração a outra, é importante garantir a preservação e valorização para que seja garantida a sustentação econômica de muitas artesãs e suas famílias. “A iniciativa tem o objetivo de preservar, proteger e promover essa tradição significativa para as gerações presentes e futuras”, afirma.
Projeto Faces do Reduto
A proposta da lei foi apresentada pela deputada estadual, com base em sugestão da produtora cultural Mônica Mac Dowell, responsável pelo projeto Faces do Reduto, que busca valorizar as tradições locais.
Desenvolvido a partir de 2020 e realizado pela Green Points, o projeto Faces do Reduto contempla diversas iniciativas socioculturais, como a produção de documentários, oficinas profissionalizantes, exposições e consultorias.
Nas redes sociais, o projeto informou que o reconhecimento do bordado marca um momento histórico para a preservação local.
“O reconhecimento do Bordado Labirinto como Patrimônio Cultural e Imaterial do RN marca um momento histórico para a preservação da nossa identidade cultural. Esta lei valoriza uma técnica artesanal única e fortalece a economia criativa das comunidades que mantêm viva essa tradição.”, escreveu.
Atualmente, o projeto conta com o patrocínio do Governo do Estado e do Instituto Neoenergia, por meio do Programa Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura, e com o apoio do Sebrae/RN e do Instituto Riachuelo.