RN mais que dobra casos de violência contra políticos e candidatos
O Rio Grande do Norte mais que dobrou os registros de violência contra políticos e candidatos neste ano, em comparação com a última eleição municipal de 2020. Os dados são do Observatório da Violência Política e Eleitoral, publicação realizada pelo Grupo de Investigação Eleitoral da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (GIEL/UNIRIO) sobre a dinâmica e o impacto da violência na democracia brasileira.
Até 16 de setembro, o estado registrava 18 casos deste tipo de violência, contra oito em todo o ano de 2020. O aumento até o momento é de 125%, e ainda pode crescer, já que ainda restam três meses para o ano acabar.
Já no 3º trimestre do ano, o aumento é ainda mais alarmante: 1000%. Foram 11 registros de violência entre julho e 16 de setembro de 2024, contra apenas um caso apontado no mesmo período de 2020.
Ao menos três desses casos foram relatados pela Agência SAIBA MAIS. Em 9 de setembro, a candidata a vereadora pelo PSOL de Natal, Sabrina Medeiros, relatou ter recebido um papel com ameaça de morte deixado na sua própria casa. A mensagem dizia “sua cabeça fica muito melhor numa estaca do que num santinho”. Ela registrou um boletim de ocorrência.
Em 27 de agosto, o prefeito do município de João Dias e candidato à reeleição, Francisco Damião de Oliveira, mais conhecido como Marcelo Oliveira (UNIÃO), e seu pai Sandi Alves de Oliveira, foram assassinados a tiros durante a campanha. Marcelo aparece duas vezes no levantamento do grupo da UNIRIO, porque a violência atingiu, além dele próprio, o seu pai — este segundo caso classificado como “homicídio familiar”.
Antes, no dia 22 daquele mês, Thabatta Pimenta, também candidata pelo PSOL, denunciou ter sofrido um ataque de transfobia durante o Cortejo Cultural, nas ruas da Cidade Alta, Zona Leste da capital. Nas redes sociais, a candidata contou que ao entregar panfletos de sua campanha recebeu xingamentos transfóbicos e uma tentativa de atropelamento de um homem.
Os casos podem envolver violência psicológica (como a de Sabrina), física (como de Thabatta e Marcelo Oliveira), econômica — como roubo ou furto, e simbólica.
Dos 18 casos deste ano, seis tiveram mulheres como vítimas. Os partidos envolvidos são principalmente MDB (3), União Brasil (3), PT (2), PSOL (2) e PSB (2). Solidariedade, PSD, PL, Podemos, PDT têm um caso cada. Um outro registro, relativo ao sequestro do secretário municipal de Cultura de Lagoa D’Anta, ocorrido em junho, não teve o partido informado.
Brasil
Em todo o país, o Observatório da Violência Política e Eleitoral já contabilizou 455 casos de violência contra lideranças políticas em 2024.
Foram 68 casos no primeiro trimestre do ano; 155 no segundo e 232 no terceiro. Do total de casos do terceiro trimestre, 173 foram contra pessoas que são candidatas nas eleições de 2024.