Ex-aliado, vereador critica Álvaro Dias por obra inacabada do Hospital Municipal
Integrante da bancada de apoio ao prefeito Paulinho Freire (União Brasil) na Câmara Municipal, o vereador Luciano Nascimento (PSD) criticou o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos), a quem também apoiava, por inaugurar o Hospital Municipal de Natal sem “nenhum leito funcionando” e sem fazer “nenhum atendimento”. A denúncia foi feita em plenário, na sessão de quarta-feira (26).
No final de dezembro, após a inauguração da obra pelo ex-gestor, o parlamentar já havia criticado o fato de o equipamento público de saúde ser entregue mesmo estando inacabado.
“A partir de amanhã [31 de dezembro de 2024], quantos leitos estarão funcionando? Nada está pronto para o atendimento. O que está sendo inaugurado é apenas a estrutura física, sem qualquer previsão de funcionamento. Isso é desrespeitoso”, disse, à época, o vereador.
Álvaro Dias inaugurou o Hospital Municipal no dia 30 de dezembro de 2024, mas o equipamento de saúde ainda não tem data para começar a receber pacientes. O investimento na obra, segundo a Prefeitura de Natal, foi de R$ 140 milhões, em recursos de emendas parlamentares e do Governo Federal, via Ministério da Saúde.
A área construída é de mais de 6 mil metros quadrados. O hospital fica na Avenida Omar O’Grady, próximo à UPA de Cidade Satélite. A primeira etapa, entregue pelo ex-prefeito, custou R$ 37 milhões.
Quando estiver funcionar, o hospital contará com 100 leitos, sendo 90 leitos clínicos para adultos, salas de estabilização, leitos de isolamento, brinquedoteca e uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com 10 leitos.
Obras inacabadas
O Hospital Municipal foi uma das mais de 40 obras inacabadas deixadas pela gestão do ex-prefeito Álvaro Dias, segundo dados do relatório da Comissão de Transição de Mandato, entregue ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), além de um passivo de restos a pagar que soma R$ 862,9 milhões.
Para o vereador Luciano Nascimento, Álvaro Dias deixou “um problema” para o prefeito Paulinho Freire ao inaugurar o hospital sem condições de funcionamento pleno.

“Vai ser uma luta muito grande para o atual prefeito fazer funcionar aquele grande hospital, que é uma grande obra, mas não está funcionando”, declarou o parlamentar.
O vereador Kléber Fernandes (Republicanos), ex-líder de Álvaro Dias na CMN, saiu em defesa do ex-prefeito afirmando que ele “foi o maior prefeito do Brasil durante a pandemia, enfrentando o coronavírus”.
Na pandemia, Álvaro Dias distribuiu medicamentos sem eficácia contra o coronavírus
Álvaro Dias, na verdade, se tornou alvo de investigação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) por distribuir, durante a sua gestão, ivermectina e cloroquina, medicamento sem eficácia contra o coronavírus, à população de Natal.
Em julho de 2020, Álvaro Dias decretou que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) teria que disponibilizar para pacientes infectados um kit de remédios com cloroquina, ivermectina, azitromicina e outros, todo sem comprovação de eficácia contra o vírus.
A Prefeitura de Natal seguiu distribuindo a ivermectina para a população, mesmo depois da orientação contrária da Associação Médica Brasileira, que recomendou o banimento do uso de remédios sem eficácia contra Covid-19.

Álvaro Dias também boicotou os decretos do Governo do Estado que visavam à prevenção contra a Covid-19. No início de março de 2021, a governadora Fátima Bezerra (PT) determinou toque de recolher das 20h às 6h nos dias de semana e integral aos domingos.
O ex-prefeito, no mesmo dia, editou decreto permitindo o funcionamento do comércio até mais tarde e abertura aos domingos. O município autorizou bares e restaurantes a funcionarem até às 21h.
Apesar de criticar o ex-prefeito pela obra inacabada do Hospital Municipal, Luciano Nascimento também elogiou Álvaro Dias pela “gestão na pandemia”, o que, na opinião dele, lhe garantiu a reeleição no primeiro turno em 2020.
O vereador, no entanto, disse que, depois da pandemia, “as unidades básicas de saúde ficaram desestruturadas, faltando equipes”. “A Unidade de Saúde de Nazaré está fechada, a do KM 6, a do Bairro Nordeste e a do Bom Pastor, todas sem funcionar plenamente”, completou.