Bolsonaro réu: um julgamento contra o golpe e a impunidade histórica
Natal, RN 13 de jun 2026

Bolsonaro réu: um julgamento contra o golpe e a impunidade histórica

25 de março de 2025
3min
Bolsonaro réu: um julgamento contra o golpe e a impunidade histórica
Foto: Tânia Rego| Agência Brasil| Arquivo

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O Brasil vive, nesta semana, um momento decisivo. O Supremo Tribunal Federal começou a julgar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Jair Bolsonaro e seu círculo próximo por tentativa de golpe de Estado. O que está em jogo não é apenas o destino do ex-presidente e de seus cúmplices, mas a resposta do país diante da impunidade que historicamente alimenta novas violências.

A tentativa de Bolsonaro de subverter o resultado das eleições de 2022 não foi um ato isolado. Ela está profundamente enraizada em sua trajetória política e na cultura de impunidade que marcou nossa história recente. Desde sua entrada na vida pública, Bolsonaro se consolidou como defensor da ditadura militar, elogiando torturadores como Brilhante Ustra e desrespeitando a memória daqueles que tombaram na luta por democracia. Seu governo não apenas atacou sistematicamente a verdade histórica sobre o período de exceção, como também flertou abertamente com o autoritarismo, insuflando suas bases contra as instituições democráticas.

O golpe fracassado de 8 de janeiro de 2023, que resultou na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, não foi um delírio de extremistas desorientados. Foi o desdobramento de uma estratégia planejada para impedir a posse de um governo democraticamente eleito. Bolsonaro e seus aliados — incluindo ex-ministros e militares de alta patente, agora também denunciados — operaram para minar as instituições e abrir caminho para uma ruptura. Não conseguiram, mas deixaram um rastro de destruição e um alerta: enquanto houver impunidade, novos golpes serão ensaiados.

A verdade é que o Brasil nunca completou sua justiça de transição. Ao contrário de países vizinhos que julgaram e puniram seus ditadores, aqui os responsáveis pelos crimes da ditadura militar jamais foram responsabilizados. A Lei da Anistia de 1979 funcionou como um salvo-conduto para torturadores e assassinos, perpetuando uma cultura de esquecimento e distorção histórica. Esse vazio de justiça permitiu que Bolsonaro fizesse carreira exaltando o regime militar e, por fim, tentasse repetir o roteiro de 1964.

É por isso que a decisão do STF neste julgamento não pode ser apenas um gesto simbólico. O Brasil precisa romper definitivamente com o ciclo de impunidade que alimenta o autoritarismo. Bolsonaro deve responder pelos seus crimes, assim como seus ministros e generais que conspiraram contra a democracia. E isso precisa ser apenas o começo: ainda há muito a ser feito para que os crimes do passado não sigam se refletindo no presente.

Aqui no Rio Grande do Norte, a luta pela memória e pela justiça segue viva. Nesta mesma semana, em que o Supremo decide se Bolsonaro se tornará réu, um ato está sendo convocado para o dia 1º de abril, para lembrar os potiguares mortos e desaparecidos políticos. Porque não esquecemos e não aceitaremos que novos golpes sejam articulados sem resposta. O Brasil precisa enfrentar seu passado autoritário, e isso só será possível com a verdade, a justiça e a responsabilização dos que atentaram contra a democracia.

O Brasil de 2025 não pode cometer o mesmo erro de 1979. Que a história não se repita. Que a impunidade não prevaleça.

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