Ciclistas do RN vão debater direito à cidade em evento no Recife
Natal, RN 19 de jun 2026

Ciclistas do RN vão debater direito à cidade em evento no Recife

17 de abril de 2025
1min
Ciclistas do RN vão debater direito à cidade em evento no Recife
Foto: cedida

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Com nove integrantes confirmados, a bancada potiguar do Ciclo Comitê Popular participa, entre os dias 18 e 21 de abril, do Fórum Nordestino da Bicicleta (FNEBici), que será realizado em Recife (PE). Em 2024, o evento celebra 10 anos desde sua primeira edição, reunindo cicloativistas de todos os estados do Nordeste brasileiro em um encontro que promove debates, oficinas, pedaladas, música e trocas de experiências sobre o direito à cidade e a organização popular na luta por mobilidade urbana.

A delegação do grupo potiguar participa da coordenação geral do fórum e levará ao FNEBici suas bandeiras de luta, as vivências acumuladas nos últimos anos em Natal e a oficina/show do grupo político-pedagógico Pau e Lata.

Segundo Daniel Souza, o Russo, coordenador do Ciclo Comitê Popular, o grupo nasceu durante as eleições presidenciais de 2022, em encontros para discutir política, conjuntura, construir o apoio a Lula (PT) e, claro, pedalar pela cidade.

“Fizemos vários momentos de atividades de campanha do presidente Lula, não só para fazer a campanha, mas também mostrar que somos contra todo aquele sistema que estava sendo colocado para a gente, que foi o governo anterior na presidência da República”, explica.

“Então, a gente teve essa obrigação de tomar lado e mobilizar os ciclistas para vir fazer campanha com a gente. E, a partir daí, a gente resolveu fazer esse contato mais direto com a cidade.”

Depois das eleições, a primeira participação no FNEBici aconteceu há dois anos, no evento ocorrido em Campina Grande (PB). 

“Foi a partir daí que a gente começou a se organizar efetivamente, por ter esse contato com várias experiências de várias cidades do Nordeste”, diz Russo.

“Esse fórum fez com que a gente realmente pensasse o movimento, de como fazer a integração e que a cidade seja usada para todos, que a gente tenha espaços adequados e seguros para o trabalhador que utiliza a bicicleta, para aquele que utiliza para o lazer, para aquele que utiliza para o esporte, para que todo mundo possa ter o direito de usar a cidade.”

Segurança e mobilidade urbana

Um caso recente que expôs a insegurança de andar de bicicleta em Natal ocorreu após a morte do oftalmologista Araken Britto de Sousa, que morreu em 24 de fevereiro ao ser atropelado por uma carreta na avenida Senador Salgado Filho, Zona Sul de Natal. O médico andava de bicicleta nas proximidades do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.

“Quando aconteceu a fatalidade com o Araken, a sociedade começou a ver mais notícias sobre a questão de segurança do ciclista”, comenta Daniel Souza.

“Hoje a gente vê que, em Natal, as estruturas cicloviárias são mais voltadas para o centro da cidade e bairros nobres. A periferia hoje não tem acesso a equipamentos de segurança, como a ciclovia, uma ciclofaixa ou até mesmo uma ciclorrota. Então, eu boto sempre como exemplo o bairro de Felipe Camarão, que se você sai de bicicleta para ir para o trabalho, para Ponta Negra ou mesmo para o centro da cidade, no Alecrim, você vai ter que atravessar três bairros para encontrar um canto seguro para pedalar”, diz o coordenador do Ciclo Comitê, que reivindica um sistema de mobilidade ativa na cidade, que garanta em todas as zonas que a comunidade periférica tenha espaços seguros para poder se locomover.

No ano passado, Natal foi uma das 18 cidades participantes da 4ª Edição da Pesquisa Nacional sobre o Perfil do Ciclista. Os dados coletados mostraram que a capital potiguar foi o município com mais ciclistas que recebem até um salário mínimo, correspondente a 48% dos entrevistados. 

“É aquela galera que utiliza a bicicleta por necessidade mesmo, porque tem que trabalhar nela, porque o sistema de transporte de Natal é defasado, porque pegar Uber fica caro, e acaba que a bicicleta se torna alternativa. E a nossa luta é que a gente consiga garantir esses direitos, que exista uma campanha pela prefeitura, que ela garanta a segurança do ciclista através de publicidade, através de qualquer outros tipos de ações, que existam equipamentos nas vias como ciclovias, ciclorrotas, que existem bicicletários, que tenham pontos de apoio para entregadores. Nossa luta se transformou em muito ampla depois de conhecer o FNEBici”, atesta Russo.

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.