Extremoz: Moradores de ocupação sofrem abandono e surto de bicho de pé
Moradores da Comuna Produtiva Maria de Fátima, no bairro Malvinas, em Extremoz, denunciam uma grave infestação de bichos de pé que atinge principalmente crianças e idosos. A situação, que se arrasta há cerca de um ano e dois meses, se agravou sem qualquer resposta efetiva do poder público municipal.
Segundo Sérgio Luiz, militante do MST e integrante da coordenação da comuna, o problema já era conhecido durante a última campanha eleitoral, quando candidatos a prefeito prometeram enviar equipes de dedetização.
"Passada a eleição, alertamos diversas vezes a assessora da prefeita sobre o caso, mas não houve nenhuma solução. A comuna não está sendo atendida pelo poder público municipal", critica.
A Comuna Maria de Fátima existe há um ano e sete meses e fica em bairro próximo à sede da Prefeitura de Extremoz. Sem alternativas, os moradores têm recorrido a métodos improvisados para tentar conter a infestação.
"Desesperados, estão usando remédio de bicheira de animal para tentar combater os bichos de pé", conta Sérgio.
Natália Santiago, que mora na ocupação há 10 meses, relata as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
"Está sendo um pouco difícil, pois além de sofrermos com o calor, já que moramos em barracas, ainda temos que lidar com a proliferação de bichos de pé. Colocamos 'espirro de onça' para tentar combater", explica, referindo-se a um medicamento veterinário.
Natália afirma ainda que já foi infectada, assim como sua companheira e seu pai.
O que é bicho de pé
O bicho de pé é um parasita que invade a pele humana, geralmente nos pés, causando coceira intensa, dor e inflamação. Quando não tratado corretamente, o parasita pode provocar infecções secundárias, dificuldades de locomoção e, em casos mais graves, levar a complicações como infecções generalizadas e tétano. A infestação é mais comum em áreas com solo seco e falta de saneamento básico, e representa um grave risco à saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida.
A comunidade afirma que tem tentado reiteradamente contato com a Prefeitura de Extremoz, mas não recebeu qualquer retorno efetivo. A reportagem procurou a gestão municipal para esclarecimentos, mas também não obteve resposta até o fechamento desta matéria.