Moradores de Serra do Mel debatem eólicas em audiência pública
Natal, RN 21 de jun 2026

Moradores de Serra do Mel debatem eólicas em audiência pública

10 de julho de 2025
4min
Moradores de Serra do Mel debatem eólicas em audiência pública
Foto: divulgação/Voltalia

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Uma audiência pública vai discutir a presença das energias renováveis em Serra do Mel, no interior do estado, e seus possíveis impactos. A discussão acontece nesta sexta-feira (11), a partir das 9h, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN).

Uma caravana de moradores e proprietários do município vai viajar até Natal para participar. A audiência foi marcada depois que a comunidade de Serra do Mel, município potiguar com 13 mil habitantes a cerca de 250 km de Natal, processou em maio a empresa francesa Voltalia pelos impactos socioambientais e econômicos causados pelos empreendimentos eólicos no município.

O tema do debate será “Energias Renováveis com Justiça, Sustentabilidade e Desenvolvimento para o Território de Serra do Mel”, e vai ser promovido pela Comissão de Defesa do Consumidor, dos Direitos Humanos e da Cidadania da ALRN. O evento contará com a presença de autoridades, especialistas, movimentos sociais, agricultores e representantes de entidades civis organizadas.

Nos últimos meses, o tema ganhou destaque nacional após uma ação civil pública que questiona os contratos e os processos de implantação dos parques eólicos na região. Serra do Mel tem se destacado como uma das áreas estratégicas para o desenvolvimento de energias renováveis no Rio Grande do Norte, estado líder nacional na produção de energia eólica. Ao mesmo tempo, o município possui forte organização rural e identidade produtiva, com destaque para a cajucultura — atividade que sustenta centenas de famílias e representa um traço cultural da região.

A audiência foi motivada por manifestações de moradores e agricultores que relatam preocupações relacionadas à instalação dos parques, como a condução dos contratos firmados, os processos de ocupação de terras e os efeitos nas condições de vida e produção.

No entanto, a posição contrária às eólicas não é unânime no município. Nesta terça-feira (8), uma outra audiência foi realizada, desta vez na Câmara de Serra do Mel, e contou com falas favoráveis. Crispiniano Neto, por exemplo, é morador da Vila Amazonas há 40 anos e disse que a ação judicial parte de quem não conhece a realidade local. Segundo ele, os quase 400 proprietários de terra de Serra do Mel que têm contrato com a empresa eólica não foram ouvidos nem autorizaram que a ação fosse impetrada.

“Foram três instituições — que a gente respeita —, com advogados que a gente não conhece e que cada vez que a gente procura informação, fica mais preocupado. Nós não entramos com uma ação. Entraram em nosso nome”, afirmou.

“Eu desafio a apresentarem uma única pessoa em Serra do Mel com essa tal ‘Síndrome da Turbina Eólica’. Essa ação foi feita por quem não conhece nossa realidade e nem sabe onde fica Serra do Mel”, disse, em outro momento.

Já o presidente da Associação dos Moradores da Vila Piauí, Antônio de Souza Bento — favorável à ação judicial —, questiona, dentre outros pontos, os valores que os proprietários receberam pelo arrendamento das suas terras.

Entre os convidados, estão representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), SAR/Arquidiocese de Natal, Fetarn, CUT Nacional e Estadual, pesquisadores das universidades, Movimento dos Atingidos pelas Renováveis (MAR), além de lideranças locais como o presidente da Associação dos Moradores da Vila Piauí, Antônio de Souza Bento, e o secretário de Agricultura de Serra do Mel, João Freitas Fernando.

Ação na Justiça

O processo contra a Voltalia busca a reparação integral dos danos decorrentes dos impactos causados pelos empreendimentos eólicos, abrangendo o reconhecimento de dano moral coletivo ambiental que engloba prejuízos à paisagem, à fauna, à saúde e à produção agrícola familiar, além do dano moral aos produtores, relacionado aos efeitos nocivos à saúde dos moradores. Também é requerida a revisão dos contratos firmados com agricultores familiares, considerados excessivamente onerosos. 

Foram instaladas 40 usinas eólicas em Serra do Mel, dos quais 36 já estão em operação. Embora o município tenha se tornado um polo de energia eólica, sua principal atividade econômica, a cajucultura, foi diretamente afetada, assim como os modos de vida e a saúde da população local.

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