STF forma maioria para condenar mais dois potiguares por atos antidemocráticos
Natal, RN 28 de jul 2026

STF forma maioria para condenar mais dois potiguares por atos antidemocráticos

22 de dezembro de 2025
4min
STF forma maioria para condenar mais dois potiguares por atos antidemocráticos
Réus são Daywydy da Silva Firmino e Francisca Ivani Gomes - Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

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O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para condenar mais dois potiguares por participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O julgamento finalizaria na última sexta-feira (19), mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Luiz Fux.

Os réus são Daywydy da Silva Firmino e Francisca Ivani Gomes. Aos dois são atribuídos os crimes de associação criminosa e incitação ao crime, equiparada pela animosidade das Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais. O relator, ministro Alexandre de Moraes, já votou pela condenação. Ele foi acompanhado por Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Flávio Dino. O único a divergir do relator, até o momento, foi André Mendonça. Com o pedido de vista, a nova data para concluir a votação ainda será definida.

Quem são

Atualmente, Daywydy Firmino vive em São Paulo e já foi estagiário do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Antes disso, porém, ele viveu em Natal e estudou na capital. 

No interrogatório judicial, em resposta às perguntas formuladas pela defesa, o acusado confessou ter deixado sua cidade de residência, em São Paulo, para participar de manifestações em Brasília, chegando ao acampamento em frente ao Quartel General do Exército no dia 8 de janeiro de 2023, onde permaneceu até o dia 9 de janeiro de 2023, quando foi preso pela Polícia Federal. 

“A confissão do réu é corroborada por, ao menos, 529 réus coautores dos crimes que, igualmente, confessaram a mesma conduta e firmaram ANPPs [Acordos de Não Persecução Penal] com a Procuradoria-Geral da República, devidamente homologados por este Supremo Tribunal Federal”, aponta Moraes.

O ministro votou para condená-lo por uma pena restritiva de direitos, no caso da associação criminosa; a 20 dias-multa, cada um no valor de meio salário mínimo, pela prática de incitação ao crime equiparada pela animosidade das Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais; e a 5 milhões de reais como pagamento do valor mínimo indenizatório a título de danos morais coletivos, a ser adimplido de forma solidária pelos demais condenados.

No caso de Francisca Ivani Gomes, ela está em liberdade provisória desde 19 de janeiro de 2023 e vive em Parnamirim. Alexandre de Moraes votou para condená-la com a mesma pena de Daywydy Firmino. 

Em seu interrogatório judicial, a acusada confessou ter deixado Natal para ir a Brasília. Disse que estava no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército quando foi encaminhada para um ônibus e foi conduzida para a Polícia Federal, onde foi presa. Informou que a viagem foi programada “de última hora”, com um percurso que demora cerca de três dias. Disse que chegou em Brasília no dia 9 de janeiro de 2023 pela madrugada, e que no dia seguinte estava no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército. Afirmou, ainda, que programou ficar em Brasília durante três ou quatro dias, pernoitando em um posto de gasolina e, pela manhã, chamou um Uber para visitar a Catedral, mas acabou parando no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército.

Segundo Alexandre de Moraes, depoimentos de testemunhas constatam que havia no local uma estrutura bem organizada, com barracas, lonas, alimentos estocados, água, geradores e eletrodomésticos, como geladeiras e freezers.

“A narrativa das testemunhas ratifica, em uníssono, o intuito comum à atuação da horda golpista, extremamente organizada e efetiva da acusada Francisca Ivani Gomes ao se credenciar para fazer parte do acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília/DF”, destaca o voto.

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