Duas cidades do Rio Grande do Norte passaram a ter nova grafia nos registros oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Açu agora aparece como Assú. Arês passa a ser Arez. A mudança foi oficializada no último dia de abril, dentro da atualização anual dos dados geográficos de estados e municípios brasileiros.
O caso potiguar chama atenção porque, em todo o país, apenas três municípios tiveram mudança de grafia. Além de Assú e Arez, a outra alteração ocorreu em Roraima, onde São Luiz passou a se chamar São Luiz do Anauá. Ou seja: das três mudanças de nome registradas pelo IBGE nesta atualização, duas estão no Rio Grande do Norte.
A alteração não muda a localização das cidades, nem cria novos municípios. Também não significa mudança de população, de território urbano ou de funcionamento administrativo imediato. O que passa a valer é a forma oficial como esses municípios serão registrados nas bases do IBGE, usadas por órgãos públicos, pesquisadores, escolas, empresas, sistemas de informação, veículos de comunicação e levantamentos estatísticos.
No caso de Assú, a mudança encerra uma duplicidade conhecida no estado. A cidade, uma das principais do Vale do Açu, ainda aparecia em bases nacionais com a grafia Açu. Agora, o nome oficial no IBGE passa a ser Assú, com dois esses e acento. Arez também deixa a forma Arês e passa a ser grafada com z, sem acento.
O IBGE informou que mudanças desse tipo ocorrem após publicação de nova lei estadual ou por revisão documental que leve à correção do registro nos sistemas do instituto. O órgão também esclareceu que qualquer ajuste precisa ser aprovado pelo respectivo estado antes de entrar nos bancos de dados nacionais.
A atualização potiguar aparece dentro de um levantamento muito maior. O IBGE oficializou que 784 municípios brasileiros tiveram alteração de limites territoriais no período de 1º de maio de 2024 a 30 de abril de 2025. O texto inicial cita 31 de abril, mas abril tem 30 dias; a referência correta para esse tipo de atualização anual é o fim de abril.
Esses 784 municípios estão distribuídos por 13 estados. O Paraná concentra o maior número de municípios com limites alterados: 399. São Paulo aparece em segundo lugar, com 173. Depois vêm Amazonas, com 62; Piauí, com 53; Minas Gerais, com 26; Bahia, com 24; Santa Catarina, com 18; Pernambuco, com dez; Rio Grande do Sul, com sete; Sergipe, com seis; Maranhão, Espírito Santo e Mato Grosso, com dois cada.
A lista inclui cidades conhecidas nacionalmente. Entre elas estão Petrolina, em Pernambuco; Ouro Preto, em Minas Gerais; Itapemirim, no Espírito Santo; e municípios paulistas como Cubatão, Diadema, Embu das Artes, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Holambra, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Mogi Mirim, Osasco, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Taubaté e Taboão da Serra.
O número de municípios brasileiros não mudou. O país continua com 5.569 municípios, além do Distrito Federal, Brasília, e do distrito estadual de Fernando de Noronha, em Pernambuco.
A área territorial oficial do Brasil, no entanto, foi atualizada. Segundo o IBGE, o país passou a ter 8.509.360,850 quilômetros quadrados. O novo valor representa uma retração de 18,726 quilômetros quadrados em relação ao número publicado em 2024.
Essa retração não significa perda física de território. O que houve foi uma revisão técnica da área oficial brasileira, feita a partir de novas informações cartográficas, decisões judiciais, leis, pareceres estaduais e dados mais precisos sobre limites municipais e estaduais.
O IBGE explica que uma de suas missões institucionais é oficializar, no mapa do país, os contornos de estados e municípios. Para isso, o instituto incorpora alterações definidas por legislação, decisões da Justiça, atualizações cartográficas e pareceres dos órgãos estaduais responsáveis pela divisão político administrativa.
O IBGE também informou que busca manter acordos de cooperação técnica com estados e assembleias legislativas. A intenção é receber contornos territoriais mais precisos, aproveitando avanços das geotecnologias, que melhoram a identificação, a representação e a mensuração dos limites do território nacional.
Na prática, essas atualizações afetam a forma como o poder público lê o território. Um limite municipal define onde começa e termina a responsabilidade de uma prefeitura, quais áreas entram nas estatísticas de cada cidade, como determinados dados são calculados e de que modo políticas públicas podem ser planejadas.
No Rio Grande do Norte, a atualização tem outro efeito imediato: obriga órgãos públicos, veículos de comunicação e bases de dados a observarem as novas grafias. A partir da mudança, a forma oficial no IBGE é Assú, não Açu; Arez, não Arês.
A correção pode parecer pequena, mas tem impacto para quem trabalha com informação pública. Uma grafia diferente pode gerar duplicidade em sistemas, dificultar buscas, provocar erro em documentos e criar divergência entre bases oficiais.