RN: projeto incentiva protagonismo feminino na ciência e tecnologia
Natal, RN 15 de jul 2026

RN: projeto incentiva protagonismo feminino na ciência e tecnologia

15 de julho de 2026
6min
RN: projeto incentiva protagonismo feminino na ciência e tecnologia

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A ciência, a tecnologia e até mesmo o setor aeroespacial podem parecer distantes da realidade de muitas estudantes da rede pública. Foi para encurtar essa distância e ampliar a presença feminina em áreas historicamente ocupadas por homens que nasceu o Projeto Meninas no Espaço, iniciativa que acaba de abrir inscrições para selecionar 30 escolas públicas do Rio Grande do Norte.

Por meio do Edital 001/2026, o projeto vai formar uma rede de pesquisa e inovação voltada para meninas das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM), promovendo atividades práticas de investigação científica, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico.

A coordenadora do projeto e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Mariana Almeida, explica, em entrevista à Agência Saiba Mais, que a iniciativa surgiu da necessidade de enfrentar barreiras que ainda limitam a participação feminina em campos científicos e tecnológicos:

“ Muitas meninas crescem sem referências femininas nessas profissões e, ao longo da trajetória escolar, podem enfrentar estereótipos, falta de incentivo e poucas oportunidades de participar de experiências científicas práticas. O projeto busca enfrentar essas barreiras, fortalecer a autoconfiança das estudantes e mostrar que elas podem ocupar espaços de destaque na ciência e na tecnologia”, afirma.

As ações serão desenvolvidas por meio do Programa GLOBE, referência internacional em educação científica e sustentabilidade. Cada escola selecionada deverá formar uma equipe composta por um professor orientador e de uma a três estudantes matriculadas no 8º ou 9º ano do Ensino Fundamental ou no Ensino Médio.

Ao todo, cerca de 120 estudantes serão beneficiadas. Durante três meses, elas participarão de atividades de pesquisa científica, coleta e análise de dados, desenvolvimento de tecnologias educacionais, experimentos e elaboração de projetos de foguetes educacionais.

Segundo Mariana Almeida, o diferencial da proposta está em colocar as alunas no centro do processo de aprendizagem.

“As atividades permitem que as estudantes deixem de ser apenas receptoras de conteúdo e passem a atuar como protagonistas da investigação científica. Ao desenvolver pesquisas, coletar e analisar dados, construir protótipos e participar de projetos de foguetes educacionais, elas exercitam criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas, trabalho em equipe e comunicação científica”, destaca.

A professora ressalta que o impacto do projeto vai além do período de execução. O contato com pesquisadoras, professoras universitárias e profissionais das áreas de ciência e tecnologia pode influenciar diretamente as escolhas acadêmicas e profissionais das participantes.

“Mesmo quando uma estudante não opta por uma carreira aeroespacial, as competências desenvolvidas no projeto permanecem relevantes para diferentes áreas de formação e para sua vida profissional”, observa.

Embora o nome do projeto remeta ao espaço, a proposta busca apresentar às estudantes a diversidade de oportunidades existentes no setor aeroespacial, um dos segmentos que ainda registram baixa participação feminina.

“O projeto procura aproximar o setor aeroespacial da realidade das estudantes, mostrando que ele não se limita à formação de astronautas. Existem oportunidades em áreas como engenharia, computação, física, meteorologia, sensoriamento remoto, oceanografia, gestão de projetos, análise de dados, desenvolvimento de satélites e monitoramento ambiental”, explica Mariana.

Ela acrescenta que a aproximação acontecerá por meio de oficinas, experimentos, pesquisas e do contato com mulheres que já atuam nessas áreas.

“Quando as meninas conhecem mulheres que já ocupam esses espaços e percebem que são capazes de desenvolver soluções científicas, o setor aeroespacial passa a ser visto como uma possibilidade concreta de futuro.”

Além da formação científica, o edital prevê bolsas para professores e estudantes. Cada professor orientador receberá R$ 700 mensais durante três meses. Já as estudantes selecionadas terão direito a bolsas de R$ 200 mensais no mesmo período, desde que cumpram as atividades previstas.

A seleção será feita por meio da análise do currículo do professor orientador e da avaliação de dois vídeos enviados pela equipe: um produzido pelo docente e outro pelas estudantes.

De acordo com a coordenadora, serão observados aspectos como motivação para participar do projeto, potencial de mobilização da comunidade escolar, alinhamento com os objetivos da iniciativa e compromisso com o protagonismo feminino.

“A qualidade técnica da gravação não deverá ser o elemento principal. Queremos que escolas com diferentes condições de infraestrutura possam participar em igualdade de oportunidades”, afirma.

Na análise dos currículos dos professores, serão consideradas experiências em projetos educacionais, iniciação científica, feiras de ciências, atividades de extensão e metodologias investigativas. A proposta, segundo Mariana, não é selecionar apenas os profissionais com maior titulação acadêmica, mas aqueles dispostos a atuar como multiplicadores do conhecimento e acompanhar efetivamente a trajetória das estudantes.

As inscrições seguem abertas até o dia 3 de agosto. O resultado final será divulgado em 13 de agosto, e o início das atividades está previsto para 1º de setembro.

A expectativa da coordenação é que a experiência se transforme em uma referência para a ampliação de políticas de incentivo à formação científica de meninas no estado.

“Pretendemos fortalecer o projeto como uma ação contínua de formação científica feminina, com capacitação de professores, criação de redes entre escolas e acompanhamento da trajetória das estudantes. A institucionalização como programa permanente ou política pública seria um passo importante para ampliar o alcance territorial e contribuir para a redução das desigualdades de gênero na ciência e na tecnologia no Rio Grande do Norte”, conclui.

Serviço

Edital: https://drive.google.com/file/d/1A5vw3C1Bs6NXsMI44mc4oiGaZHk3hbTu/vi
Inscrições: https://forms.gle/1sJYFPq3CBRmAGGa9

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