Hospital de Mossoró gera embate entre secretários do Estado e município
O modelo do Hospital Municipal de Mossoró virou motivo de embate entre o secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, Alexandre Motta, e a secretária da Saúde da cidade, Morgana Dantas. Em vídeo nas redes sociais, Motta disse que a unidade vive um “jogo de aparências” por não funcionar 24 horas e não ter UTI, e direcionou as críticas ao pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União), que era o prefeito durante a inauguração do equipamento, em janeiro. Morgana Dantas retrucou, e na tréplica Motta afirmou que o principal problema da saúde do município é a falta de leitos de internamento.
Tudo começou na terça-feira (9). Em uma gravação, o titular da Saúde estadual disse que Allyson faz valer mais a imagem do que a realidade e classificou o equipamento como uma policlínica.
“A Policlínica realiza exames eletivos e realiza também cirurgias eletivas de baixo risco, em pacientes selecionados com baixo potencial de complicação. Os pacientes com maior potencial de complicação são direcionados à Apamim, os pacientes que eventualmente complicam são direcionados ao Hospital Tarcísio Maia, como já aconteceu em dois casos. Lá também não dispõe de atendimento noturno, nem de fim de semana, nem de UTI. E por que o candidato insiste em chamar de hospital, o que não é?”, questionou.
O titular da Sesap ainda perguntou qual é o projeto de Bezerra para o estado e afirmou que, embora importantes, as ações do equipamento não são determinantes para mudar o rumo da saúde em Mossoró ou na região Oeste.
“O Tarcísio Maia vive sobrecarregado, apesar de contar com 219 leitos de internamento. E as UPAs de Mossoró também. E a razão é a mesma. Faltam leitos de retaguarda na região. A presença de um hospital, de fato, aliviaria o Tarcísio, as UPAs e a saúde como um todo sairia beneficiada. Faltou pé no chão para o prefeito candidato, quando escolheu pular o óbvio, em razão das aparências, mais uma vez”.
Morgana Dantas responde
Em réplica, a secretária municipal Morgana Dantas acusou Alexandre Motta de ser o “pior secretário de saúde da história do Rio Grande do Norte” e disse que o médico teria mentido sobre a unidade.
“Realizamos, até hoje, 647 pequenas cirurgias, quase 500 cirurgias gerais e ginecológicas, com toda a assistência necessária. Já são quase 9 mil atendimentos, entre consultas, exames e cirurgias. Vidas transformadas, funcionando a pleno vapor, diferente do Hospital da Mulher, por exemplo, que vocês inauguraram em 2022 e deixaram 32 meses sem fazer nenhum parto”, argumentou.

Em outra passagem, Dantas ainda minimizou as críticas sobre o nome e disse que “Mossoró não quer saber de nomenclatura”.
“Secretário, hospital não se mede pelo nome que você quer dar a ele. Hospital se mede pelo impacto que tem na vida das pessoas”, disse.
Pior época da Saúde do RN foi no governo Robinson, aliado de Allyson, responde Motta
Em resposta à acusação da secretária municipal sobre sua gestão, Alexandre Motta gravou novo vídeo em que disse que o pior período para a saúde do Rio Grande do Norte foi vivido durante o governo de Robinson Faria.
“De lá pra cá, aumentamos 10% o número de leitos de internamento, dobramos os leitos de UTI, só em Mossoró saímos de 9 para 54. As cirurgias eletivas saíram de 30 mil para 95 mil por ano”, elencou.
Ainda segundo ele, hoje existe linha de tratamento do infarto em todo o Estado, citando ainda a interiorização da saúde, como na Regional de Pau dos Ferros, de Caicó, de Assú, Hospital da Mulher e a Barreira Ortopédica em Macaíba.
“Eu não desqualifico ninguém. Eu sou secretário de Saúde e sei das dificuldades minhas e das demais secretarias municipais. E eu respeito a secretária Morgana. Já visitei-a por duas vezes. Mas vamos aos pontos. A regulação de leitos de Mossoró é função da Prefeitura Municipal. A crítica não cabe. O Hospital da Polícia faz cirurgias de ortopedia de média e alta complexidade. E tem médico 24 horas por dia, inclusive no final de semana. Se precisar de UTI, vai para o Tarcísio. O Hospital da Mulher abriu em fases e já realizou mais de 1.300 partos”, apontou.
“O principal problema da saúde de Mossoró é a falta de leitos de internamento. E é isso que sobrecarrega as UPAs e o Tarcísio. A Policlínica é importante, mas não resolve esse problema. O Estado já faz sua parte. São 406 leitos só em Mossoró. Falta Mossoró fazer. Você sabe bem o que foi o governo Robinson e como é agora. O que talvez você não saiba é que hoje Robinson anda de mãos dadas com o candidato Allyson”, finalizou.