Styvenson relativiza nepotismo e considera irmã para suplência
Natal, RN 21 de jul 2026

Styvenson relativiza nepotismo e considera irmã para suplência

21 de julho de 2026
5min
Styvenson relativiza nepotismo e considera irmã para suplência
Dois empresários também desejam a vaga — segundo o senador, não para ocupar de fato a cadeira, mas para obter interesses próprios dentro do Congresso - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Para o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), o nepotismo não é mais tão “nocivo” quanto considerava antes. O parlamentar deu a declaração em defesa da possível indicação da irmã para ser sua suplente nas eleições de 2026, mas disse que a definição não está fechada. Dois empresários também desejam a vaga — segundo o senador, não para ocupar de fato a cadeira, mas para obter interesses próprios dentro do Congresso. 

Styvenson falou sobre o assunto nesta segunda-feira (20) em entrevista ao Meio Dia RN, da rádio 96 FM. O parlamentar, que já foi crítico de indicações de familiares para cargos políticos, disse que mudou de ideia sobre o assunto.

“Se eu for pensar pragmaticamente como político na escolha de um suplente, o suplente tem que ter voto ou tem que ter dinheiro. Dinheiro para irrigar a campanha, tem que ser um empresário muito rico, ou tem que ser alguém que desloque voto para o candidato”, afirmou.

“Ninguém leva em consideração a confiabilidade de ter uma pessoa na cadeira que dê a tranquilidade de uma ausência de um senador ou de quem ocupe aquela cadeira, para que ele possa partir para uma outra demanda. Uma vez eu pensei assim, eu criticava mesmo a questão de algo que é nocivo, que hoje eu vejo que não é tanto, que é a questão do nepotismo”, prosseguiu.

O senador do Podemos avalia a possibilidade da sua irmã, Anne Kelly Valentim, ser sua suplente. O atual primeiro suplente, Alisson Taveira, é alvo de queixas constantes do parlamentar e já chegou a ser preso duas vezes desde que a chapa foi eleita em 2018.

A definição da suplência para Valentim também é importante porque ele não descarta concorrer a governador em 2030.

“Em 2022 eu fui impedido de concorrer porque eu não tinha segurança de concorrer com tranquilidade sabendo que o meu suplente não era aquela pessoa que foi escolhida por mim, não era uma pessoa de confiança e credibilidade”, disse. O senador foi candidato ao Executivo há quatro anos, recebeu 16,8% dos votos e terminou a eleição em terceiro lugar.

De acordo com Styvenson, a eventual escolha da irmã entra, então, no critério da confiança.

“É mais fácil a gente confiar em quem a gente conviveu a vida toda, em quem conhece a vida toda. Eu não sei se tem algumas famílias que não têm essa confiabilidade, pelo menos na minha irmã, que é mais velha do que eu, que me ensinou muita coisa, que também corrigi por várias vezes, como ela também me corrige por muitas vezes, eu acho que pode ser um nome bom”, defendeu.

Interesse de empresários

Além da irmã, o senador afirmou que foi procurado por dois empresários em busca da ocupação das vagas de suplentes. Ele não abriu os nomes, mas disse que um é do estado do Espírito Santo (“que apareceu no meu gabinete me oferecendo recurso para campanha”) e outro do setor de transporte aéreo (“que também me ofereceu o recurso”). 

“O que eles querem é o acesso de um voto na suplência, não para ocupar a cadeira, não para ser o senador da República, mas para destravar pautas dentro do Congresso e até os ministérios utilizando do cargo de suplente de senador”, contou.

“Então a condição é essa. Se as pessoas não sabem como se escolhe suplente, a escolha é assim: ou se escolhe pelo pragmatismo político, o voto, o recurso, o dinheiro, normalmente são empresários que bancam a campanha de senador. Ou a escolha minha pessoal que me dá tranquilidade. Ainda não fiz essa escolha, mas eu quero uma pessoa que dê continuidade ao trabalho que eu já iniciei”, justificou.

Suplente preso

A escolha de novos nomes para a suplência é aguardada por Valentim, que já se queixou do seu primeiro suplente em outras oportunidades. O atual, Alisson Taveira, foi eleito em 2018 quando fazia parte da Rede Sustentabilidade e já chegou a ser preso duas vezes desde então.

A detenção mais recente ocorreu em 14 de abril de 2025 em Ceará-Mirim, Região Metropolitana de Natal, por descumprimento de medidas protetivas de urgência em favor de sua ex-companheira. Segundo a Polícia, mesmo advertido das regras de não contato, Taveira continuava mantendo comunicação com a vítima por meio de redes sociais, através de postagens e mensagens.

Já a primeira prisão foi realizada em junho de 2022. Na época, o suplente tinha um mandado de prisão em aberto por falta de pagamento de pensão alimentícia expedido pela Justiça da Paraíba e foi preso ao ser abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). A prisão aconteceu durante uma fiscalização de rotina na BR-101, em São José de Mipibu, na Grande Natal.

Saiba Mais: Suplente do senador Styvenson volta a ser preso na Grande Natal

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