TRANSPARÊNCIA

Rogério Marinho x Fábio Faria: Disputa para o Senado racha primeiro escalão do RN no governo Bolsonaro

A única vaga aberta para o Senado Federal em 2022 está em disputa e já rachou o primeiro escalão do Rio Grande do Norte no governo Bolsonaro. Os ministros Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (Comunicações) tentam viabilizar seus respectivos nomes com o apoio do presidente da República. Embora publicamente neguem qualquer entrevero, nos bastidores é cada vez mais claro o embate político entre os dois.

O sinal mais forte dessa briga que promete esquentar o bolsonarismo de ocasião potiguar foi dado por aliados de Rogério Marinho. Na semana passada, o presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira de Souza e o prefeito de Natal Álvaro Dias, ambos do PSDB, declararam apoio a uma eventual candidatura ao Senado do ministro do Desenvolvimento Regional.

O afago a Marinho dado por aliados de peso na mesma semana foi calculado. A ideia era mandar um recado, reduzir o impacto do evento organizado por Fábio Faria segunda-feira (24) com a presença do ministro do Turismo Gilson Machado, além de desviar o foco das denúncias reveladas pelo jornal Estado de S.Paulo sobre o orçamento secreto que enviou quase R$ 3 bilhões em emendas para aliados do governo Bolsonaro através da pasta controlada por Rogério Marinho.

No evento em Natal, Faria tentou esfriar a polêmica afirmando que “quem quiser apostar qualquer coisa entre mim e o Ministro Rogerio Marinho, pode apostar em resultado, entendimento”. 

Como carta na manga, Faria também vem buscando sensibilizar a família Bolsonaro a indicá-lo a vice na chapa presidencial, mas o presidente ainda não deu nenhum sinal público de que o genro de Silvio Santos está cotado para o posto hoje ocupado pelo general Hamilton Mourão.

Além de elogios públicos exagerados a Bolsonaro e aos filhos, que parte da imprensa interpreta como simples bajulação, Fábio tem feito acenos políticos na tentativa de ser avalizado pelo bolsonarismo. O último deles foi o anúncio recente de que pode trocar o PSD pelo PP após Gilberto Kassab afirmar que a sigla deixaria a base de apoio do governo Bolsonaro.

A situação de Fábio é complicada porque envolve também a acomodação política do pai, o ex-governador Robinson Faria, hoje inelegível após condenação no Tribunal Regional Eleitoral por fazer propaganda ilegal de ações do próprio governo num período proibido por lei. Caso consiga reverter a decisão da justiça estadual no Tribunal Superior Eleitoral, Robinson concorrerá a deputado federal, posto que vem sendo ocupado por Fábio há quatro mandatos consecutivos.

Para não ficar sem mandato, sonha com o Senado ou o cargo de vice na chapa presidencial. A disputa entre os dois promete esquentar porque Jair Bolsonaro precisará de palanque nos nove estados do Nordeste para reduzir a distância eleitoral em relação ao ex-presidente Lula, que já lidera as pesquisas de intenção de voto para 2022.

Opções do bolsonarismo não empolgam eleitores no RN

O problema que Bolsonaro precisará resolver é que as duas opções – Marinho e Faria – não empolgaram os eleitores nas últimas eleições.

Fábio Faria foi eleito para a Câmara Federal em 2018 na última das oito vagas a que o Rio Grande do Norte tem direito. E por pouco não fica de fora. Ele obteve o apoio de 70.350 eleitores, menos da metade dos 166.427 votos que conquistou em 2014, quando foi o terceiro candidato mais votado, impulsionado pela eleição do pai, Robinson Faria, para o Governo do Estado.

Rogério Marinho foi ainda pior que o colega da Esplanada dos Ministérios. Ele obteve 59.961 votos, mesmo sendo o 2º candidato que mais gastou na campanha, de acordo com dados oficiais do TSE. A derrota o deixou na segunda suplência, mas o convite do ministro da Economia Paulo Guedes para assumir a secretaria especial de Previdência e Trabalho o recolocou no jogo político de novo. Hoje Guedes e Marinho são desafetos declarados.

Outro candidato que ainda não definiu o que vai disputar em 2022, mas aparece como nome forte e mais popular é o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves, que também pode disputar o Governo, mas já se divorciou do bolsonarismo que apoiou no 2º turno de 2018.

A única vaga em disputa é ocupada hoje pelo senador Jean Paul Prates (PT), que já anunciou o desejo de concorrer a um segundo mandato, mas ainda depende das articulações que o PT fará para ampliar a base e fortalecer o projeto de reeleição da governadora Fátima Bezerra.

 

 

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"