Trabalhadores do RN têm a maior renda do Nordeste, mas negros recebem até R$ 1,3 mil a menos
Natal, RN 12 de abr 2024

Trabalhadores do RN têm a maior renda do Nordeste, mas negros recebem até R$ 1,3 mil a menos

7 de dezembro de 2022
3min
Trabalhadores do RN têm a maior renda do Nordeste, mas negros recebem até R$ 1,3 mil a menos

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Um estudo divulgado nesta quarta-feira (7), pelo Observatório do Trabalho e Políticas Sociais no Rio Grande do Norte, mostrou que o RN tem a maior renda média do Nordeste entre os trabalhadores ativos, com R$ 1.967. No entanto, se analisados os recortes de raça e gênero, a desigualdade salarial pode chegar a R$ 1.366, quando comparados os rendimentos médios de mulheres negras e homens não negros. 

O Observatório das Políticas do Trabalho e Sociais do RN é fruto de uma parceria da Secretaria Estadual da Trabalho Habitação e Assistência Social (Sethas) com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entre os objetivos, estão a elaboração de indicadores e o desenvolvimento de ferramentas para a promoção e qualificação da gestão de políticas públicas no estado.

No estudo temático “Mercado de trabalho e desigualdade racial no Rio Grande do Norte”, primeiro divulgado pelo Observatório e baseado em números da PNAD Contínua, do IBGE, o grupo analisou, a partir dos recortes de raça, gênero e idade, os principais indicadores do mercado de trabalho potiguar - numa comparação com os cenários nacional e regional - e como as desigualdades sociais estão refletidas nesse espaço.

Comparativamente, o RN tem a melhor renda do nordeste com uma média de R$ 1.967. Em segundo lugar está Alagoas, com uma remuneração média R$ 1.807. Já o estado do Maranhão tem a situação mais precária, com uma renda média de R$ 1,607, ou seja, R$ 360 a menos do que a potiguar. Mas, se por um lado os dados revelam um cenário econômico positivo para os trabalhadores em geral, quando analisados os recortes de raça e gênero, a desigualdade salarial fica evidente.

Um homem negro, no Rio Grande do Norte, recebe R$ 1.078 a menos que um homem não negro, o que representa 38% de diferença, e uma mulher negra recebe R$ 611 abaixo do rendimento médio de uma não negra, insto é, 29% a menos. Quando comparadas as rendas médias de uma mulher negra e de um homem não negro, a discrepância é ainda maior: R$ 1.366 a menos, ou seja, uma 40,1% de diferença.

Os desafios da população negra, aponta o estudo, se iniciam na infância e adolescência com a alta evasão escolar, pois a necessidade de contribuir com o orçamento doméstico empurra crianças e jovens negros, precocemente, para o mercado de trabalho de forma precarizada, ampliando assim suas vulnerabilidades.  

Os maiores níveis de desemprego estão entre as mulheres negras e não negras, tanto nacionalmente quanto no estado do Rio Grande do Norte. Esta é a faixa etária que geralmente as mulheres estão entrando no mercado de trabalho, estudando e também se tornando mães. A ausência de políticas mais efetivas no cuidado na primeira infância contribui de forma determinante para um cenário para que o progresso ou manutenção dessas jovens no mercado de trabalho ou estudando seja dificultada”, diz o boletim.

O RN tem uma população em idade ativa (14 anos ou mais) de aproximadamente 2,9 milhões de pessoas, predominando as mulheres, com 52% do total.

Clique aqui e acesse o estudo na íntegra.

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