DEMOCRACIA

Lágrimas e hino nacional “com orgulho”: potiguares assistiram posse de Lula em Brasília

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou posse neste domingo (1º) para o terceiro mandato como presidente do Brasil. Em meio a um público estimado de 300 mil pessoas — segundo a organização do evento — estiveram potiguares que saíram de suas casas rumo a Brasília. Entre os sentimentos, um orgulho de poder cantar o hino “sem medo e sem ranço” e a expectativa de superar a “violência física” e a “violência simbólica”.

Heloíse Almeida, 18, se destacou em 2022 ao criar “barraca do título” para ajudar outros  adolescentes, assim como ela, a tirarem o título de eleitor no RN. Estudante do IFRN e da Ufersa em Mossoró (faz o curso técnico de informática e graduação em Direito ao mesmo tempo), a ativista ambiental foi à capital federal com a família e disse que viveu um momento emocionante.

“Finalmente saímos desses quatro anos de governo Bolsonaro que foram terríveis para todo mundo, e eu nunca tinha vindo a nenhuma posse presidencial, nem eu nem minha família. Foi uma vitória livrar o país desse momento de trevas, de desgaste, de muita violência em todos os níveis, não só violência física, muita violência simbólica”, relata. 

Heloíse Almeida, 18, acompanhou cerimônia com família | Foto: cedida

Para ela, um dos momentos mais especiais foi a passagem da faixa presidencial com um grupo representante da diversidade do povo. Entre eles, o potiguar Ivan Baron, influencer da inclusão e pessoa com deficiência.

“Foi a cerimônia de posse mais bonita da história do Brasil provavelmente, mas nesse momento em específico eu nem consegui tirar foto porque estava muito emocionada, vendo principalmente Ivan Baron que é do Rio Grande do Norte, que eu acompanho há muito tempo e eu realmente não imaginava vê-lo naquele momento entregando a faixa”, comenta.

“Minha vida com certeza seria completamente diferente sem os governos do PT”

Leonardo Guimarães e Geraldo Neto, do Sinasefe, durante posse no DF | Foto: cedida

Ao contrário de Heloíse, que foi de avião com os pais, irmão e avós, o servidor público natalense Geraldo Neto, 29, enfrentou o trajeto de ônibus de Natal até Brasília. Atualmente trabalhando no IFRN, diz que viu a expansão do instituto enquanto era estudante, e depois assistiu aos avanços dos programas implementados pelo governo do PT enquanto cursou Radialismo na UFRN.

“Decidi ir à posse por ser um momento histórico importante no país. A eleição de Lula perante Bolsonaro foi fruto de um esforço muito grande, fruto de uma retomada da estratégia da campanha na base. Foi um pleito difícil e julguei que participar desse momento seria primeiro uma recompensa, mas além disso, encher a posse em Brasília foi uma manifestação de força, mostrando que as ruas são nossas e os símbolos nacionais são de todos nós”, descreve.

“Minha vida com certeza seria completamente diferente sem os governos do PT”, diz Neto. “Fui aluno do IFRN entre 2010 e 2014, quando o Instituto sofreu a grande expansão. Na época já existia o campus da Zona Norte de Natal e foi um privilégio poder escolher em qual grande escola eu poderia estudar, coisa impensável em outras épocas. Depois, com maior entendimento do que era a rede, pude entender que a minha possibilidade de escolha não era a realidade de muita gente. Como aluno do IFRN e depois da UFRN, pude vivenciar instituições pujantes, com muitas atividades, assistência estudantil, respeito aos profissionais, estrutura de ponta”, afirma.

De acordo com ele, a emoção rondou a execução do hino nacional.

“Para mim, o melhor momento da posse foi poder cantar o hino nacional com orgulho novamente, sem medo e sem ranço, e com bastante emoção. Sinceramente, devido a apropriação realizada pelo bolsonarismo, era isso que eu sentia vendo um símbolo nacional: ranço”, descreve.

Para o servidor, o novo governo representa a superação do autoritarismo.

“O pranto veio forte vendo a faixa sendo entregue pelo povo, inclusive um potiguar, e veio novamente cantando o hino. Mesmo com todas as contradições conhecidas, a chapa de Lula representa o povo brasileiro mostrando sua resistência ao autoritarismo, e a posse foi o ápice dessa emoção”, aponta.

Estudante negro, Olímpio entrou em Medicina e vê seu caminho “construído por muita gente”

Olímpio Magalhães assistiu aos shows do Festival do Futuro | Foto: reprodução

Natural de Serra Talhada-PE, Olímpio Magalhães, 21, se mudou para Mossoró para cursar Medicina na UERN. Integrante do Coletivo Enegrecer, que reúne ativistas negros antirracistas, diz que 2022 foi um ano “de muita luta”. 

“A gente passou o ano inteiro de muita luta, fazendo campanha, e desde o ano passado que eu falava que quando fosse para Lula tomar posse eu ia vir pra cá, porque é muito sentimento. Você passa o ano todo trabalhando e ver isso se concretizando é muito bonito”, comenta.

Estudante de um curso ainda elitizado, seu caminho até a faculdade foi construído por outros e outras ativistas, de acordo com Magalhães. A identificação com o PT vem também por reconhecimento às causas do partido.

“Eu sempre falo que o lugar que eu estou hoje não foi só construído por mim. É construído por muita gente. O curso de Medicina é um curso muito elitizado, mas o local que ocupo hoje foi por causa de pessoas que vieram antes de mim”, descreve. 

A chegada do pernambucano à Brasília foi no dia 28, e a volta está marcada para 6 de janeiro. Até lá, pretende aproveitar mais da capital federal e dos primeiros dias do novo governo do PT diretamente do centro do poder. Para ele, o momento mais especial da posse foi o show de Urias, cantora trans convidada para a apresentação de Pabllo Vittar dentro da programação do Festival do Futuro.

“Eu espero que a gente faça um governo popular, que a gente consiga fazer essa escuta dos povos originários, do povo preto, mulheres, todo mundo, porque a gente tem muito potencial pra isso. Eu quero que a gente consiga chegar no povo”, deseja.

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