Alinhada com Lula, presidenta da Petrobras cita investimentos e margem equatorial
Natal, RN 18 de jul 2024

Alinhada com Lula, presidenta da Petrobras cita investimentos e margem equatorial

20 de junho de 2024
7min
Alinhada com Lula, presidenta da Petrobras cita investimentos e margem equatorial
Presidente Lula e a nova presidenta da Petrobras I Foto: Ricardo Stuckert

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Durante a posse de Magda Chambriard à frente da Petrobras, realizada nesta quarta (19), a nova presidenta da estatal e o presidente Lula (PT) demonstraram estar com o discurso afinado sobre como a empresa deve ser utilizada para conduzir o desenvolvimento do Brasil nos próximos anos.

O discurso de todos, inclusive da nova presidenta Magda Chambriard, foi no sentido de que a Petrobras vai investir bastante na indústria naval, contratar embarcações e criar toda uma cadeia de fornecedores no Brasil, investindo forte na Margem Equatorial, inclusive no Rio Grande do Norte, na transição energética, produção de energia eólica, solar, hidrogênio verde, biocombustíveis. Isso foi muito importante pra gente”, avalia Marcos Brasil, coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte, que esteve presente no evento.

Marcos Brasil I Foto: Sindpetro-RN

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), também esteve presente na posse e conversou com a nova presidente da Petrobras sobre os investimentos no estado.

“Já temos informação que ela já conversou com a nova presidente da Petrobras para reforçar os investimentos para o Rio Grande do Norte. A governadora está engajada nessa luta para manter os investimentos da Petrobras no RN, produzir petróleo no mar, energia eólica, solar e hidrogênio verde”, revela Marcos Brasil.

Durante o evento, realizado no Rio de Janeiro, os petroleiros entregaram a Magda Chambriard e ao presidente Lula, um dossiê elaborado pelas entidades que integram o Fórum em Defesa dos Participantes e Assistidos da Petros.

Sabemos a necessidade que a empresa tem de voltar a investir aqui no Brasil. A Petrobrás não deve ser essa fábrica de gerar dividendos. É preciso gerir a empresa com respeito à sociedade brasileira”, apontou Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros).

Fátima Bezerra (de vermelho) ao lado da nova presidente da Petrobras (ao centro) e da presidente da PotigásI Foto: reprodução

No dossiê, além do resgate histórico de toda a trajetória do Plano Petros, foi feito um diagnóstico dos PPSP-R (Plano Petros do Sistema Petrobras-Repactuados) e PPSP-NR (Plano Petros do Sistema Petrobras), apresentando alternativas construídas pelas entidades no Grudo de Trabalho Petros para solucionar os problemas estruturais dos planos e acabar com os equacionamentos.

Durante a posse, Magda prometeu "resultados empresariais robustos"

Concordamos plenamente com os desafios que a presidenta da Petrobrás elencou, de aumentar a capacidade de refino; de retomada das obras que foram paralisadas pela operação Lava Jato, em tempo mais urgente e mais célere porque o Brasil precisa disso; de termos uma transação energética justa e dialogada com as comunidades que são impactadas, com os trabalhadores e trabalhadoras; do retorno da empresa à petroquímica e [ao setor de] fertilizantes, com o processo de reabertura da Fafen PR, esclareceu Deyvid Bacelar.

O que é a Margem Equatorial

A concessão faz parte da Margem Equatorial, uma área 2.200 quilômetros ao longo da costa brasileira, próxima à Linha do Equador, considerada de elevado potencial petrolífero. Ela começa no Amapá e vai até o litoral do Rio Grande do Norte, passando pelas bacias: Potiguar, Ceará, Barreirinhas, Pará-Maranhão e Foz do Amazonas.

Mas, por causa do risco de desastres, a Petrobras tem enfrentado resistência de alguns setores ambientais. Em maio, o Ibama já havia negado autorização de exploração na bacia da foz do Amazonas, que faz parte da Margem Equatorial, por falta de garantias para atendimento da fauna local em caso de acidente com derramamento de óleo, e pela falta de análise de impacto sobre três terras indígenas no Oiapoque. Em agosto, a solicitação de exploração foi reapresentada.

Arte Petrobras/Divulgação

Os poços serão escavados em águas profundas e ultra profundas a mais de 160 quilômetros do ponto mais próximo da costa e a mais de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, segundo a Petrobras.

Apesar dos investimentos em energias renováveis e na descarbonização dos combustíveis, a estatal afirma que essa é uma importante reserva energética necessária, inclusive, para fazer o processo de transição energética no Brasil.

A saída de Jean Paul Prates

Magda Chambriard assumiu a direção da Petrobras no lugar do ex-senador pelo RN, Jean Paul Prates, demitido por Lula em maio.

À jornalista Andreia Sadi, ele disse que alertaria Lula que o presidente foi levado a adotar a medida por uma "intriga palaciana".

Em seu pronunciamento de despedida à frente da Petrobras, Jean Paul Prates ressaltou a mudança de perspectiva da estatal durante sua gestão, com um reposicionamento no mercado, em contraposição à política anterior de desvalorização, demonstrando sustentabilidade financeira, manutenção e ampliação do parque industrial de refino, como uma multinacional robusta e invejável.

Jean Paul Prates é advogado e economista. Atua no setor de petróleo e energia desde os anos 80 e é coautor do atual quadro regulatório e de royalties para o setor de energia do Brasil.

Foi membro da assessoria jurídica da Petrobras Internacional (Braspetro), no final da década de 80. Em 1991, fundou a primeira consultoria brasileira especializada em petróleo, chegando a ter 120 consultores associados. Em 1997, participou da elaboração da Lei do Petróleo. Também foi o redator do Contrato de Concessão oficial brasileiro e do Decreto dos Royalties.

No RN, onde reside desde 2005, fundou o Centro de Estratégias em Energia e Recursos Naturais (Cerne), dedicado a ajudar governo e empresas a implementarem a inclusão social e estratégias multilaterais de investimento no setor energético. Também atuou no conselho consultivo de grupos de energia no Brasil e presidiu o Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (Seern).

Durante o Governo Wilma de Faria, foi Secretário de Estado de Energia e, em cerca de três anos, tornou o RN autossuficiente em energia. Foi responsável por trazer mais de R$ 10 bilhões em investimentos para a matriz energética potiguar e transformou o estado em exportador de energia (sobretudo eólica), e combustíveis (gasolina, óleo diesel, QAV – querosene de aviação, gás de cozinha e biodiesel), para o Nordeste.

Em 2014, foi suplente na chapa de Fátima Bezerra (PT), eleita ao Senado. Em 2019, após a senadora ser eleita governadora do Rio Grande do Norte, Prates assumiu o mandato como titular até 2022, quando foi indicado para o cargo.

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