Alunos e técnicos da UFRN protestam na BR-101 em defesa da educação
Natal, RN 16 de jun 2024

Alunos e técnicos da UFRN protestam na BR-101 em defesa da educação

3 de junho de 2024
5min
Alunos e técnicos da UFRN protestam na BR-101 em defesa da educação
Foto: Faísca Revolucionária/Esquerda Diário

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Trabalhadores técnico-administrativos e estudantes da UFRN fizeram uma manifestação na manhã desta segunda-feira (3) e fecharam por alguns minutos a marginal da BR-101, no acesso ao campus universitário. Eles exigem reajuste salarial para os servidores em greve e recomposição orçamentária para a educação.

A atividade foi convocada pelo Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior do Rio Grande do Norte (Sintest), recebendo apoio de centros e diretórios acadêmicos, além de organizações políticas. Por volta das 6h, os manifestantes se concentraram em frente ao NEI/UFRN, e de lá partiram para a marginal da BR. O acesso à universidade por aquele ponto ficou bloqueado por alguns minutos, e depois os servidores e estudantes retornaram para o NEI para encerrar o ato.

Aparecida Dantas, coordenadora geral do Sintest, explica que são mais de 80 dias em greve sem que o governo atenda às reivindicações da categoria. Ela reclama ainda da manutenção da proposta de reajuste salarial zero para 2024, considerada pela sindicalista como “desrespeitosa com o servidor público”, além da pauta da reestruturação da carreira, “que não foi definido nada até o momento”.

“Fomos até a BR-101 para mostrar para a sociedade, para conversar e para denunciar o descaso que está sendo com a educação pública federal, de um governo que a gente não esperava isso. É um governo progressista que se elege com a pauta da educação e aí continua fazendo a mesma coisa que os outros governos fizeram”, aponta. 

“Nós não vamos aceitar. Nós da educação, que temos o pior salário do serviço público e que vivemos a realidade da universidade, universidade essa que está com seu orçamento sendo cortado diariamente. Quer dizer, continua a mesma política que a gente tanto combateu nos outros governos neoliberais, então a gente precisa continuar a greve”, ressalta.

Entre os estudantes, participaram alunos da graduação e pós-graduação. Camila Campelo é mestranda em Psicologia pela UFRN e diz que, além de defender o reajuste salarial dos trabalhadores e a recomposição do orçamento, também é preciso colocar fim ao arcabouço fiscal.

“O governo segue intransigente e segue propondo 0% de reajuste para os trabalhadores, para os técnicos. E eles estão demonstrando uma forte disposição de luta, junto também com os professores, que inclusive barraram o golpe que o PROIFES quis dar na semana passada. [Estão] muito revoltados com o governo Lula, que dá reajuste para a polícia, que dá bilhões para o agronegócio também”, critica.

Já Laura Ravana, aluna de Jornalismo, ressalta que a participação dos estudantes faz parte de uma ação de solidariedade à greve e do calendário estudantil de greve, tendo sido aprovado em assembleias estudantis que os estudantes participassem dos atos dos servidores. Ela defende que é preciso “subir o tom da greve” depois do ultimato de fim das negociações que o governo deu e também pela recomposição orçamentária, que ainda não faz parte da pauta das negociações.

“E a recomposição orçamentária é o eixo central da luta estudantil hoje na greve. A gente precisa de mais recursos na educação, a gente precisa de mais recursos na infraestrutura da universidade, que está hoje caindo aos pedaços”, aponta. 

Josué Nascimento, aluno de Ciências Sociais, diz que a posição do governo de não dar reajuste para o ano atual é uma “falta de respeito”.

“Esse piquete foi muito importante não só para fortalecer a greve, mas dar uma resposta mais dura ao governo sobre esse reajuste, essa proposta horrível que prejudica todos os trabalhadores das universidades públicas”, explica.

“E não só isso, mas também pelo sentido maior de recomposição orçamentária, porque a proposta do governo, além de dar zero reajuste, contempla somente as pautas dos técnicos e dos professores, de reajuste salarial e questão de plano de carreira. Mas também não fala da questão da recomposição orçamentária, por isso que os estudantes se somaram nesse sentido”, diz ele.

Esta foi a segunda atividade radicalizada de greve que aconteceu nos últimos dias na UFRN. Em 24 de maio, o Sintest — novamente ao lado de estudantes — fez um “trancaço” e fechou os acessos ao Instituto Metrópole Digital (IMD). A ação foi iniciada logo cedo e encerrou às 12h30, quando a entrada ao prédio foi liberada.

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