Governo vai proteger 1 milhão de hectares na caatinga; RN está incluso
Natal, RN 25 de jun 2024

Governo vai proteger 1 milhão de hectares na caatinga; RN está incluso

11 de junho de 2024
5min
Governo vai proteger 1 milhão de hectares na caatinga; RN está incluso
Foto: 14323530@N05

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O Governo Federal anunciou, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) a seleção de 12 projetos prioritários para a criação de unidades de conservação federais no bioma da Caatinga, a serem implantadas até 2026. Esses projetos vão resultar em um aumento de mais de um milhão de hectares de áreas protegidas da vegetação. O Rio Grande do Norte, atualmente, conta com a ampliação da Floresta Nacional de Açu (FLONA), destinado a proteger o bioma no nosso estado. 

A Flona é destinada a proteger e preservar milhares de árvores e plantas nativas da caatinga e recebeu essa ampliação junto com o Parque Nacional da Serra das Confusões, no Piauí, e do Refúgio da Vida Silvestre do Soldadinho-do-Arararipe, no Ceará. Com esse projeto o MMA estima perseverar mais de 1 milhão de hectares do bioma, que é único no Brasil e predominante no semiárido do país. De acordo  o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), as características, quando somadas ao fato de terem a maior dos territórios compostas por populações, fazem com a região seja a mais suscetível às mudanças climáticas que o país e o mundo enfrenta atualmente. 

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Medidas e projetos

Na realidade, desde 2015, o Brasil tem uma Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, por causa da lei nº13.153. O problema é que o desmatamento da Caatinga avançou nos últimos anos, como apontou o Relatório Anual do Desmatamento da Mapbiomas. Em 2023, por exemplo, mais de um quinto dos alertas de desmatamento em todo o Brasil foram no bioma.

Agora, essas iniciativas integram a Missão Climática pela Caatinga, que reuniu governos federal e locais e a participação do secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, Ibrahim Thiaw, no enfrentamento aos efeitos da mudança climática na Caatinga presente em 12% do território do país.

Durante a Missão foram anunciados o Projeto Conecta Caatinga e o Projeto Arca. O primeiro será utilizado para promover a gestão integrada da paisagem no bioma, por meio de ações de recuperação da vegetação nativa e dos corpos hídricos. No projeto serão investidos R$ 30,2 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility – GEF) e é estimulando o desenvolvimento de uma sociobioeconomia de baixo carbono que vai conectar a vegetação entras as áreas protegidas.

Já o Projeto Arca é a expansão e consolidação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc), com envolvimento das comunidades locais promovendo a elaboração de planos de manejo das áreas de preservação nos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí. Com investimentos no entorno de R$ 50 milhões, os recursos já foram aprovados pelo Fundo do Marco Global pela Biodiversidade.

RN perdeu 63% da caatinga em 2023

Como já apontando,em 2023, mais de um quinto do desmatamento no brasil vieram do bioma caatinga, de acordo com o Relatório Anual do Desmatamento da Mapbiomas. Ao todo, segundo o relatório, foram desmatados 201.687 hectares de Caatinga, o que representou um aumento de 43,3% em relação a 2022. O Rio Grande do Norte foi o terceiro estado que mais registrou alertas e o que mais aumentou em número percentual na perda da vegetação. 

Foi o estado da Bahia que liderou o desmatamento, com 93.437 hectares atingidos e um aumento de 34% em relação a 2022. Em seguida veio o Ceará, com 32.486 hectares, que representaram um crescimento de 28%. Já o maior aumento percentual foi registrado no Rio Grande do Norte: 62% ( que representa um total de 9.133 hectares). Em apenas um estado houve redução no desmatamento: Pernambuco, com 15.996 hectares, que registrou queda de 35% em relação a 2022.

Ainda de acordo com a pesquisa, mais de 4.302 hectares foram desmatados por empreendimentos de energia renováveis (eólica e solar) havendo registro de, pelo menos, um evento de desmatamento em 1.047 (87%) dos 1.209 municípios que compõem o bioma Caatinga em 2023. 

“O maior desmatamento verificado na Caatinga foi impulsionado pela expansão de atividades agropecuárias, principalmente na fronteira agrícola do MATOPIBA. Um exemplo é o município de Barra, na Bahia, onde há registro do maior desmatamento e alerta no bioma. Um fenômeno que capturamos é o desmatamento para fins de implantação de parques solares e eólicos crescendo pelo bioma”, explica Washington Rocha, coordenador da equipe da Caatinga do MapBiomas.

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