Entrega do Teatro Sandoval Wanderley ao setor privado será votada quarta (17)
Natal, RN 1 de jul 2026

Entrega do Teatro Sandoval Wanderley ao setor privado será votada quarta (17)

15 de julho de 2024
8min
Entrega do Teatro Sandoval Wanderley ao setor privado será votada quarta (17)

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O Projeto de Lei n º 167, que prevê a entrega do Teatro Sandoval Wanderley, localizado no bairro do Alecrim, Zona Leste de Natal, à iniciativa privada, será votado em regime de urgência na próxima quarta (17), na Câmara de Vereadores.

A sessão na Câmara Municipal, que tradicionalmente ocorre no horário da tarde, será iniciada às 9h da manhã para a votação da proposta, que foi encaminhada pelo prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos).

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O Teatro Sandoval Wanderley, criado com a proposta de ser um teatro popular, estava fechado desde 2009 por causa das más condições da estrutura. Em 2022, a Prefeitura do Natal assinou uma ordem de serviço para recuperar o espaço, com investimento de quase R$ 6 milhões, na época. A previsão inicial era que a obra fosse concluída em até 10 meses, ou seja, em 2023.

Artistas criticaram a possível privatização do Teatro, que passou mais de dez anos fechado, após reforma milionária paga pelo poder público.

Alessandra Augusta I Foto: cedida

O Sandoval Wanderley é o único Teatro de arena na cidade de Natal e é um equipamento cultural muito importante para democratização e ocupação por grupos teatrais, de dança e artísticos. É um teatro que deve ser ocupado pelo povo e não ser privatizado. Há muitos grupos com espetáculos prontos, mas que não têm condições de pagar por um teatro de médio porte. A cidade conta com pouquíssimos equipamentos culturais nesse sentido, temos apenas o Teatro Alberto Maranhão, a Casa da Ribeira e o Teatro Riachuelo. O Sandoval Wanderley tem esse caráter afetivo, de memória da população. Grandes mestres do teatro nacional e do Rio Grande do Norte se apresentaram ali, temos que manter viva essa história“, defende Alessandra Augusta, atriz, produtora cultural e representante da Casa da Ribeira.

O Teatro Sandoval Wanderley começou a ser construído no final dos anos 1950 e foi inaugurado em 1962, sendo o segundo mais antigo da capital potiguar – o 1º é o Teatro Alberto Maranhão, construído em 1904. Desde 2017, o espaço passou a ser considerado patrimônio imaterial da cidade do Natal.

Sávio Araújo I Foto: reprodução

“Estou aqui, tocando a vida como ela deve ser numa segunda-feira, quando sou surpreendido com a informação de que a Câmara de Vereadores de Natal vai votar em regime de urgência a sessão de um bem público, como o Teatro Sandoval Wanderley, para a iniciativa privada. Como coordenador do curso de licenciatura em Teatro e como militante das artes cênicas nessa cidade, considero isso um absurdo. Um bem público não deve ser usado de forma unilateral, com discussões que atropelam a discussão pela sociedade de forma que isso impede que se amadureça soluções que viabilizem o uso público desse bem. Sou contra essa privatização”, critica Sávio Araújo, professor e coordenador do curso de licenciatura em Teatro pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Imagem: reprodução Diário Oficial do Município desta segunda (15)

Complexo Turístico da Redinha

Além do Teatro Sandoval Wanderley, também está programada para a próxima quarta (17) a votação em regime de urgência da concessão do Complexo Turístico da Redinha para exploração da iniciativa privada.

Pelo projeto encaminhado à Câmara Municipal de Natal, a empresa que vencer o processo deve garantir o retorno dos antigos comerciantes que trabalhavam dentro e fora do Mercado da Redinha antes da reforma. Porém, o texto deixa uma brecha para dúvidas no trecho no qual afirma que os antigos trabalhadores serão aceitos “desde que cadastrados e reconhecidos” pela Prefeitura do Natal.

Ao todo, havia 33 proprietários de quiosques, restaurantes e lanchonetes, sendo 16 dentro do antigo Mercado da Redinha e 17 do lado de fora. De acordo com o Projeto de Lei nº 465/2024, encaminhado à Câmara de Vereadores, o contrato com os antigos comerciantes será válido pelo período de três anos, podendo ser renovado por mais três. Não foi esclarecido qual será o procedimento após esse período.

Complexo Turístico da Redinha I Foto: Alex Régias - Prefeitura do Natal
Complexo Turístico da Redinha I Foto: Alex Régis – Prefeitura do Natal

Para nós isso é preocupante porque vai chegar uma hora que esses espaços serão desocupados. Precisamos de mais informações, deveria ter audiência com o Ministério Público Federal e Câmara de Vereadores para que eles [funcionários da Prefeitura] fossem mais claros. Ligaram hoje falando sobre reunião uma reunião que será realizada na quarta, no bairro do Alecrim“, revelou uma das pessoas que trabalhava no antigo Mercado da Redinha e aguarda retorno ao local, mas pediu para não ser identificada.

A reunião com os comerciantes será realizada no mesmo dia e horário da votação programada na Câmara de Vereadores de Natal. Segundo essa mesma fonte, a empresa que ficar com o direito de explorar o Complexo Turístico da Redinha passará a cobrar uma taxa mensal de cerca de R$ 650.

Projeto de Lei encaminhado pelo prefeito de Natal à Câmara de Vereadores I Imagem: reprodução Diário Oficial

Eles disseram que haveria essa cobrança de cerca de R$ 650, mas que não pagaríamos energia e gás. Fizemos as contas e vimos que esse era o valor que gastávamos com o pagamento das contas de energia e gás, então achamos justo. Eles também garantiram que todos os trabalhadores que já trabalhavam lá poderiam voltar e que faríamos cursos disponibilizados pela prefeitura para atender melhor. Creio que na quarta será marcada a data, sugerimos que seja na própria Redinha para ser acessível a todos“, explica nossa fonte.

Projeto do Complexo Turístico da Redinha I Imagem: reprodução
Projeto do Complexo Turístico da Redinha I Imagem: reprodução

O projeto também prevê isenção aos comerciantes no primeiro ano de ocupação do espaço, no primeiro ano, desconto de 75% no segundo ano, de 50% no terceiro ano e, caso renovada, 25% de desconto no quarto ano, 12,5% de desconto no quinto ano e, por fim, 5% de desconto no sexto ano.

A concessão à iniciativa privada terá duração de 25 anos. A empresa vencedora terá que manter, no mínimo, o percentual de 10% das unidades locáveis dos boxes e quiosques por empresários domiciliados na praia da Redinha; aplicar 10% das receitas líquidas acessórias à concessão no melhoramento do
bairro da Redinha, através de obras e serviços, previamente aprovados pela Prefeitura do Natal; manter o percentual de 30% de todos os funcionários contratados pela concessionária, ainda que por meio de terceirização, de moradores do bairro da Redinha.

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