De Natal, Arthur Silva leva Judô às Paralimpíadas de Paris
“Cada Paralimpíada é diferente uma da outra”. É assim a sensação de disputar uma das principais competições mundiais do mundo, de acordo com Arthur Cavalcante da Silva, potiguar que vai representar o Brasil no Judô, nas Paralimpíadas de Paris 2024. O atleta é de Natal, teve retinose pigmentar e começou a perder a visão aos 2 anos de idade, ficando cego aos 18 anos.
A retinose é uma patologia que atinge a retina e prejudica a formação da imagem da vista, podendo trazer graves consequências para a visão ao longo da vida. E foi no esporte que o atleta encontrou seu estilo de vida, praticando diversas modalidades desde quando era criança.
Conforme ia perdendo a visão, o jovem foi migrando de esportes até encontrar no judô a sua formação profissional. A Agência Saiba Mais, o potiguar contou que conheceu o esporte através de amigos, ainda em 2007, continuando na modalidade há 17 anos. Poucos anos depois e mostrando todo seu potencial, o natalense passou a defender a camisa da seleção verde amarela, competindo pelo Brasil desde 2011.
“Eu comecei no judô a convite de colegas do colégio onde eu estudava. Isso no contexto de já estar perdendo a visão e ter várias modalidades que eu já não conseguia mais praticar e consegui me adaptar bem ao judô.”, lembra.
Na sua carreira, Arthur Silva coleciona medalhas em campeonatos mundiais e nacionais e uma bagagem de duas paralimpíadas, sendo em Paris 2024 a terceira vez que o atleta representou o RN e o Brasil.
Dentre seus feitos estão: Prata na categoria até 90kg nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023; prata nos Jogos Mundiais da IBSA 2023; bronze no Mundial de Baku 2022; prata nos Jogos Parapan-Americanos Lima 2019; ouro no Campeonato das Américas 2018 no Canadá e no Campeonato das Américas 2017 em São Paulo; bronze nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015.

Os desafios
Arthur atualmente faz parte do projeto de extensão do Departamento de Educação Física da UFRN (Neped), em parceria com o Centro de Referência do Comitê Paraolímpico. Atualmente, ele recebe ajuda do auxílio Bolsa-Atleta, situação que nem sempre aconteceu. O esportista comentou que ao longo de sua carreira, passou por diversos obstáculos, principalmente no início da prática da modalidade.
O incentivo aos atletas de base é fundamental para o bom desenvolvimento da carreira no esporte. A falta ou o pouco apoio que os esportistas recebem neste momento, levantam barreiras prejudiciais aos atletas. Arthur conta que além das dificuldades financeiras, os paratletas precisam lidar com questões relacionadas às suas deficiências.
“Minhas dificuldades são basicamente todas as barreiras arquitetônicas principalmente, relacionadas ao ser cego. A questão financeira no início também foi complicada, mas hoje, graças a Deus, sou beneficiário do programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte.”, narra.
Casado e pai de uma filha, o tetracampeão no Pan Americano, treina intensamente de segunda a sábado, pelo menos duas vezes por dia. Sobre levar o Brasil ao um pódio mundial, o atleta conta que está animado, feliz e ansioso, já que cada Paralimpíada representa um momento diferente em sua carreira.
“É a minha terceira paralimpíada e estou bastante ansioso como se fosse a primeira porque cada paralimpíada é diferente da uma da outra.”, finaliza.
Judô nas paralimpíadas
De acordo com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a modalidade é disputada por atletas com deficiência visual, cegos totais ou com baixa visão. Os esportistas são divididos em categorias por peso corporal e tem o tempo de luta de quatro minutos. Caso a disputa dê empate na pontuação, ela é decidida no Golden Score (ponto de ouro, em inglês), uma espécie de prorrogação, com o vencedor sendo aquele que pontua primeiro.
As lutas acontecem sob as mesmas regras utilizadas pela Federação Internacional de Judô, com pequenas modificações em relação ao judô convencional. A principal é que o atleta inicia a luta já em contato com o quimono do oponente. Além disso, o duelo é interrompido quando os lutadores perdem esse contato, podendo haver punições se os judocas saírem da área de combate.
A programação dos Jogos contempla atletas com deficiência visual, divididos em duas categorias:
- B1: cegueira completa
- B2-B3: deficiência visual
O judô é a terceira modalidade que mais trouxe medalhas para o Brasil na história dos Jogos Paralímpicos, atrás somente de atletismo e natação. Ao todo, foram 25 pódios, sendo cinco ouros (quatro conquistados por Tenório e um por Alana Maldonado), nove pratas e 11 bronzes.
RN em Paris
No total, o Rio Grande do Norte será representado por 12 atletas nos Jogos Paralímpicos de Paris, que começam no próximo dia 28 de agosto e vão até setembro. Além deles, dois atletas-guia, um técnico em halterofilismo, dois médicos e uma enfermeira também compõem a delegação. Conheça as histórias de outros potiguares rumo a Paris 2024:
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