Amazônia registra menor taxa de desmatamento desde 2015
O desmatamento na Amazônia Legal, no período de agosto de 2023 a julho de 2024, atingiu a menor taxa desde 2015, registrando queda de 30,6% em relação ao mesmo período anterior (2022/2023). A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A degradação do Cerrado, bioma que cobre 25% do território do Brasil, após quatro altas consecutivas, também registrou queda de 25,7%
De acordo com o Inpe, essa é a terceira queda consecutiva do desmatamento na Amazônia, considerado um avanço do país no combate à principal fonte de emissão de gases de efeito estufa do Brasil. Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), sistema mantido pelo Inpe, que faz uma apuração anual da supressão florestal nos nove estados que compõem a Amazônia Legal.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comemorou o anúncio, afirmando que se tratam que o resultado era “altamente significativo”. Ela destacou que no acumulado dos últimos dois anos, a redução do desmatamento na Amazônia foi de 45%.
Para o estudante da UFRN e ativista ambiental Wilen Ivinen, membro da Rede da Amazônia de Pé, a queda do desmatamento na Amazônia é uma notícia significativa em razão da influência que a floresta exerce na dinâmica do clima do país e do mundo.

“As florestas tropicais, como a nossa floresta amazônica, exercem influência não só na captação de gases de efeito estufa na atmosfera, mas também na regulação do clima na medida em que criam um cenário de umidificação que forma os chamados ‘rios voadores’, que impactam na formação das chuvas, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste”, explicou.
Ele acrescentou que a queda do desmatamento contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas. “A floresta de pé é um instrumento para frear o avanço das mudanças climática. Além disso, a queda no desmatamento do Cerrado também contribui muito, porque lá temos os maiores aquíferos do país”, pontuou.
Wilen observou, ainda, que os biomas brasileiros estão “todos interconectados”. Por isso, a floresta amazônica também impacta na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro que compreende cerca de 11% do território nacional e 70% da região Nordeste, abrangendo os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, sul e leste do Piauí e norte de Minas Gerais.
“A Caatinga é um bioma próximo à floresta amazônica. A própria manutenção das chuvas em algumas regiões da Caatinga é em decorrência da floresta. Não é exagero dizer que sem a Amazônia não teria Caatinga, porque os biomas são todos interconectados, eles são dependentes uns dos outros, são dependentes da criação de aquíferos e da manutenção das suas chuvas”, destacou.
A última vez que se registrou uma redução expressiva do desmatamento da Amazônia em apenas um ano havia sido de 2008 para 2009, quando a queda foi de 42%. De acordo com o pesquisador do Inpe, Cláudio Almeida, que apresentou os dados, isso significa que 790 mil hectares deixaram de ser desmatados no período.