Quando você nasceu, provavelmente os estímulos ambientais lhe deram sinais das primeiras relações com o ambiente em que estava sendo inserido pela dádiva da vida. Digo isso apenas para afirmar que qualquer ação sobre a saúde humana não está totalmente dissociada da relação com o ambiente em que o ser vive. Além disso, a condição humana não existe ignorando as existências de todos os outros animais, especialmente aqueles que ocupam o mesmo espaço social e geográfico, tão transformado pelos costumes e comportamentos da nossa espécie.
Dito isto, avanço para a etapa seguinte.
É a saúde animal gratuita uma questão de saúde humana? Afirmo que sim. A necessidade de um hospital público para animais de estimação não se trata apenas de saúde animal, mas também de saúde social e, consequentemente, de saúde humana. Quando nos opomos à saúde dos animais que, por efeito de nossos costumes, comportamentos e transformações no meio ambiente, passam a necessitar de cuidados especiais para sua sobrevivência entre nós, estamos ignorando que se trata, sim, de políticas de saúde pública humana. Afinal, são os humanos os responsáveis pela condição imposta à saúde e sobrevivência desses animais.
E não me refiro aqui apenas aos que são adotados e se tornam parte de famílias interespécies. Também penso naqueles que, além da convivência cotidiana, contribuem significativamente para a melhoria da saúde mental de muitos humanos atormentados, frequentemente, pelos efeitos de uma vida condicionada às tensões urbanas.
Ignorar que cachorros, gatos e outros animais domesticados têm relação direta com a saúde humana é não entender a saúde, simplesmente.