Ponta Negra tem água empoçada e comerciantes à espera da visita do prefeito
Os quiosques fechados durante o horário comercial e a água empoçada em pleno dia de sol criam uma impressão negativa em quem passa pelos quiosques nº8, 9 e 10 da praia de Ponta Negra. A água com espuma e coloração esverdeada tem afastado os poucos turistas que ainda vão à praia.
“Perdi muito cliente por causa dessa água. O turista pensa que é esgoto, a gente explica que é água de chuva, mas ele não acredita, aí termina procurando outras praias. O turismo caiu muito aqui, antigamente era melhor quando a maré batia nas pedras, tanto dinheiro gasto e o turismo tchau. Eu tô tendo que ter dois trabalhos, de dia aqui e de noite em restaurante ou lanchonete para manter as contas dentro de casa. Só a praia não tá dando, antes, uma quinzena eu tirava o dinheiro do mês! Hoje tenho que trabalhar o dobro, o triplo...”, reclama Eduardo José da Silva, garçom.


Com pouca gente na areia da praia, não foi difícil entender porque Emerson Araújo, que veio com a família de Florianópolis passar alguns dias em Natal, tá saindo da cidade decepcionado.
“Ontem fui tomar banho e levei um caldo, isso nunca tinha me acontecido. Saí assustado, segurando as calças. Achávamos que seria algo semelhante a João Pessoa, mas a orla de lá dá de dez… a infraestrutura, os quiosques…”, avalia o turista, que segue para a capital paraibana em dois dias.

As mudanças na praia de Ponta Negra provocadas pela engorda são percebidas tanto por nativos, quanto por visitantes.
“Muita gente vem, olha para isso aqui e não quer ficar porque acha que é água de esgoto. Tem dia que a gente não vende nem uma água, está péssimo. Sábado vendemos uma água! Queremos saber de onde é essa água! Cadê o prefeito que não vem olhar isso aqui?”, questiona Lígia Maria de Lima, que começou a trabalhar em Ponta Negra com a mãe, desde a época das barracas de lona.
“Antes da engorda o movimento estava bom. Tá certo que precisava fazer, mas que fizessem algo melhor. Fizeram desse jeito e deixaram abandonado, cadê o prefeito que não vem olhar?”, volta a interpelar a comerciante, que além do quiosque, a partir de maio, também terá que pagar uma taxa pelo espaço utilizado na areia.

“Inventaram isso depois da engorda, de onde vamos tirar dinheiro pra pagar isso? Não tem como! É complicado, como querem cobrar de uma situação dessas, onde estamos prejudicados?”, pergunta Lígia.
A situação difícil enfrentada hoje, na verdade, é um acumulado de problemas que começaram ainda durante a obra, quando passaram 15 dias impedidos de trabalhar, mas sem receber nenhuma ajuda de custo.
“Passaram aqui, pegaram nossos nomes, os documentos, passou a engorda, fizeram cinco dias de festa de inauguração e ninguém falou de ajuda de nada…e as contas acumulando. As contas estão chegando e os governantes querem receber, mas nós estamos aqui ferrados”, denuncia Vanda Alves, ASG que cuida dos banheiros e é paga pelos comerciantes.

Além da água empoçada em alguns pontos da praia, o que também chama a atenção dos frequentadores de Ponta Negra de maneira negativa são as caixas dos dissipadores da drenagem em péssimo estado, que parecem obras inacabadas. Cercadas por tapumes de alumínio, alguns caídos e com água empoçada, contrastam com a paisagem da praia.
Neilson Nascimento, que herdou o ponto em Ponta Negra do avô e da mãe, conta que as famílias que costumavam vir com crianças, já não frequentam mais a praia.
“O movimento caiu muito por causa do banho. O mar ficou mais brabo e as pessoas que vinham com criança já não ficam mais. Uma senhora ontem quebrou a perna porque a onda bateu e ela caiu de mau jeito. O movimento caiu mais de 50%. Antes eles [os funcionários] conseguiam fazer um dia bom, mas o movimento caiu até nos finais de semana”, lamenta.
Outro ponto é a temperatura da areia, que os comerciantes dizem ter ficado mais alta desde a engorda.
“Essa areia é mais grossa e parece que ela pega mais a quentura. Tem dia que os garçons ficam correndo porque, mesmo com chinelo ou sapatilha, a areia é quente”, revela.
Por meio de nota, nesta segunda (31), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) explicou que a água acumulada na faixa de areia é normal e resultado das marés altas do final de semana. Por enquanto, não há nenhuma visita do prefeito Paulinho Freire agenda pra a praia de Ponta Negra, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura do Natal.


