Ponta Negra tem água empoçada e comerciantes à espera da visita do prefeito
Natal, RN 11 de jun 2026

Ponta Negra tem água empoçada e comerciantes à espera da visita do prefeito

1 de abril de 2025
7min
Ponta Negra tem água empoçada e comerciantes à espera da visita do prefeito
Praia de Ponta Negra I Fotos: Mirella Lopes

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Os quiosques fechados durante o horário comercial e a água empoçada em pleno dia de sol criam uma impressão negativa em quem passa pelos quiosques nº8, 9 e 10 da praia de Ponta Negra. A água com espuma e coloração esverdeada tem afastado os poucos turistas que ainda vão à praia.

Perdi muito cliente por causa dessa água. O turista pensa que é esgoto, a gente explica que é água de chuva, mas ele não acredita, aí termina procurando outras praias. O turismo caiu muito aqui, antigamente era melhor quando a maré batia nas pedras, tanto dinheiro gasto e o turismo tchau. Eu tô tendo que ter dois trabalhos, de dia aqui e de noite em restaurante ou lanchonete para manter as contas dentro de casa. Só a praia não tá dando, antes, uma quinzena eu tirava o dinheiro do mês! Hoje tenho que trabalhar o dobro, o triplo...”, reclama Eduardo José da Silva, garçom.

Eduardo atravessa água, que ele garante ser limpa, de pés descalços
Eduardo José da Silva

Com pouca gente na areia da praia, não foi difícil entender porque Emerson Araújo, que veio com a família de Florianópolis passar alguns dias em Natal, tá saindo da cidade decepcionado.

“Ontem fui tomar banho e levei um caldo, isso nunca tinha me acontecido. Saí assustado, segurando as calças. Achávamos que seria algo semelhante a João Pessoa, mas a orla de lá dá de dez… a infraestrutura, os quiosques…”, avalia o turista, que segue para a capital paraibana em dois dias.

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As mudanças na praia de Ponta Negra provocadas pela engorda são percebidas tanto por nativos, quanto por visitantes.

Muita gente vem, olha para isso aqui e não quer ficar porque acha que é água de esgoto. Tem dia que a gente não vende nem uma água, está péssimo. Sábado vendemos uma água! Queremos saber de onde é essa água! Cadê o prefeito que não vem olhar isso aqui?”, questiona Lígia Maria de Lima, que começou a trabalhar em Ponta Negra com a mãe, desde a época das barracas de lona.

Antes da engorda o movimento estava bom. Tá certo que precisava fazer, mas que fizessem algo melhor. Fizeram desse jeito e deixaram abandonado, cadê o prefeito que não vem olhar?”, volta a interpelar a comerciante, que além do quiosque, a partir de maio, também terá que pagar uma taxa pelo espaço utilizado na areia.

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Inventaram isso depois da engorda, de onde vamos tirar dinheiro pra pagar isso? Não tem como! É complicado, como querem cobrar de uma situação dessas, onde estamos prejudicados?”, pergunta Lígia.

A situação difícil enfrentada hoje, na verdade, é um acumulado de problemas que começaram ainda durante a obra, quando passaram 15 dias impedidos de trabalhar, mas sem receber nenhuma ajuda de custo.

Passaram aqui, pegaram nossos nomes, os documentos, passou a engorda, fizeram cinco dias de festa de inauguração e ninguém falou de ajuda de nada…e as contas acumulando. As contas estão chegando e os governantes querem receber, mas nós estamos aqui ferrados”, denuncia Vanda Alves, ASG que cuida dos banheiros e é paga pelos comerciantes.

Lígia e Vanda

Além da água empoçada em alguns pontos da praia, o que também chama a atenção dos frequentadores de Ponta Negra de maneira negativa são as caixas dos dissipadores da drenagem em péssimo estado, que parecem obras inacabadas. Cercadas por tapumes de alumínio, alguns caídos e com água empoçada, contrastam com a paisagem da praia.

Neilson Nascimento, que herdou o ponto em Ponta Negra do avô e da mãe, conta que as famílias que costumavam vir com crianças, já não frequentam mais a praia.

O movimento caiu muito por causa do banho. O mar ficou mais brabo e as pessoas que vinham com criança já não ficam mais. Uma senhora ontem quebrou a perna porque a onda bateu e ela caiu de mau jeito. O movimento caiu mais de 50%. Antes eles [os funcionários] conseguiam fazer um dia bom, mas o movimento caiu até nos finais de semana”, lamenta.

Outro ponto é a temperatura da areia, que os comerciantes dizem ter ficado mais alta desde a engorda.

Essa areia é mais grossa e parece que ela pega mais a quentura. Tem dia que os garçons ficam correndo porque, mesmo com chinelo ou sapatilha, a areia é quente”, revela.

Por meio de nota, nesta segunda (31), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) explicou que a água acumulada na faixa de areia é normal e resultado das marés altas do final de semana. Por enquanto, não há nenhuma visita do prefeito Paulinho Freire agenda pra a praia de Ponta Negra, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura do Natal.

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