Chuvas deixam vala ao pé do Morro do Careca, em Natal
Natal, RN 7 de jul 2026

Chuvas deixam vala ao pé do Morro do Careca, em Natal

20 de junho de 2025
6min
Chuvas deixam vala ao pé do Morro do Careca, em Natal

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Com as chuvas que vêm caindo em Natal nos últimos dias, parte da areia da engorda de Ponta Negra que ficava ao pé do Morro do Careca foi levada pela força da água. No local, foi aberta uma vala com saída direta para o mar. Até as estacas que isolavam o cartão postal da cidade foram derrubadas. No Morro do Careca já era possível perceber pegadas ao longo de diferentes alturas.

Na manhã desta sexta (20), alguns poucos banhistas aproveitaram esse ponto da praia, considerado mais calmo, para curtir o final de semana com feriado.

“Aqui é melhor para as crianças tomarem banho, o mar é mais tranquilo. Além disso, aqui é melhor porque não alaga. No hotel onde estou hospedada é preciso um caiaque para sair de lá”, ironiza Cynara Martins, professora de Assu.

Cynara com a filha e o Morro do Careca ao fundo
Voçoroca com saída para o mar

Essa é a segunda vez que é registrada uma voçoroca nas proximidades do Morro do Careca. Em fevereiro deste ano, a Prefeitura do Natal chegou a emitir uma nota oficial distribuída à imprensa culpando as pessoas pela erosão no local.

A pasta reitera que foi encontrado valas feitas artesanalmente no aterro hidráulico para escoamento de água para o mar. A secretaria pede e informa que não deve ser aberto nenhum tipo de vala na faixa de areia”, publicou a Prefeitura do Natal à época.

Os alagamentos

Além da voçoroca, outro problema enfrentado pelos frequentadores da praia de Ponta Negra são os constantes alagamentos, que deixam o local com aspecto de sujo.

Essa água é um perigo porque tem ratos nessas pedras”, alerta Lúcio Silva, que trabalha em um dos pontos da praia.

O movimento está fraco e o mar mais perigoso. Está difícil se manter assim, o movimento caiu cerca de 70% desde que fizeram essa obra. O turista vem e vai para outras praias”, lamenta o comerciante.

Lúcio oferecia barracas para frequentadores de Ponta Negra

A primeira chuva a alagar a engorda de Ponta Negra ocorreu em de janeiro deste ano, pouco depois da obra ter sido concluída. Na época, o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, culpou uma conexão indevida entre dois pontos de drenagem e um extravasamento de esgoto. O problema voltou a se repetir em outras ocasiões e a direção da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) negou responsabilidade nos alagamentos.

Uma das justificativas para os alagamentos era a falta de drenagem cuja obra, contrariando as recomendações técnicas, foi concluída somente após a colocação da areia na praia, em janeiro deste ano. Em vistoria de outubro de 2024, a Defesa Civil alertou que a engorda só deveria ser iniciada após a conclusão dos dissipadores. Porém, a ordem foi invertida pela Prefeitura do Natal, que fez a engorda e só depois concluiu os dissipadores, já em fevereiro. Mesmo assim, os alagamentos continuaram a se repetir.

Num terceiro momento, após a conclusão da drenagem, em março deste ano, o discurso virou para naturalizar os alagamentos, que passaram a ser chamados de “espelhos d’água”. Em outra nota oficial, a Prefeitura do Natal afirmou:

O projeto da drenagem de Ponta Negra prevê que chuvas acima de 40mm não impedirão a formação de espelhos d’água. Como tivemos chuvas de 100mm em 6h, essa previsão está se confirmando. Porém, sem formação de voçorocas”.

Em abril, em conversa com a jornalista Thaisa Galvão, o prefeito Paulinho Freire afirmou que iria contratar um estudo “isento” sobre a engorda da praia de Ponta Negra. À época a assessoria de imprensa da Prefeitura do Natal não confirmou a informação. Nós voltamos a procurar a assessoria nesta sexta (20), mas não obtivemos retorno.

A engorda

A engorda da praia de Ponta Negra foi realizada sem acompanhamento de órgãos de fiscalização. Por meio de força judicial, a Prefeitura do Natal conseguiu o Licenciamento de Instalação e Operação (LIO), necessário para início dos trabalhos. Porém, o licenciamento era válido para uma área diferente da que foi explorada na extração da areia da jazida.

Para não ter que pedir nova licença, o então prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), emitiu um decreto de estado de emergência por erosão pelo avanço da maré em setembro de 2024. Com isso, a obra foi realizada sem licenciamento ambiental.

Já em outubro do mesmo ano, a Prefeitura do Natal conseguiu na justiça um mandado de segurança proibindo o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) de fiscalizar a obra da engorda.

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