MST mobiliza caminhada por reforma agrária no RN
Natal, RN 14 de jun 2026

MST mobiliza caminhada por reforma agrária no RN

21 de julho de 2025
4min
MST mobiliza caminhada por reforma agrária no RN

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Cerca de 800 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tomaram as rodovias federais na região metropolitana de Natal em uma grande caminhada que cobrou ações concretas pela reforma agrária no Rio Grande do Norte, na manhã desta segunda-feira (21). A mobilização teve início no km 161 da BR-406, em São Gonçalo do Amarante, e seguiu em direção ao Ginásio Poliesportivo da RN-160. A manifestação também alcançou o entorno do Hospital Maria Alice, nas imediações da BR-101.

A principal pauta da caminhada foi a reivindicação por orçamento e medidas efetivas para a desapropriação de terras, o assentamento de famílias e o acesso a crédito e políticas públicas para os assentamentos já existentes. “Hoje, no Rio Grande do Norte, temos cerca de 5 mil famílias acampadas, lutando pela terra e por dignidade”, afirmou o dirigente estadual do MST, Márcio Mello, em entrevista para o Saiba Mais.

Segundo o líder, a manifestação também destacou casos emblemáticos de famílias que produzem em terras há anos sem o reconhecimento formal de posse. “Temos 700 famílias no Vale de Ceará-Mirim, cultivando uma antiga área de usina fechada há mais de seis anos. Também há 100 famílias acampadas no Baixo Assu e outras na Chapada do Apodi, em área irrigada, esperando resposta do Estado”, disse.

O ato bloqueou parcialmente o trânsito na entrada do município para quem vinha de Ceará-Mirim, causando lentidão e longas filas de veículos. Ainda assim, o deslocamento ocorreu de forma pacífica e foi acompanhado pela Polícia Rodoviária Federal, que atuou na mediação do tráfego e na garantia do direito constitucional à livre manifestação.

O MST afirma que ainda não houve retorno, nem do governo estadual nem do governo federal, sobre as recentes demandas apresentadas. Para o movimento, a atual política de reforma agrária permanece travada. “Até agora, é só promessa. O governo precisa fazer mais. A reforma agrária é um compromisso histórico que não pode continuar sendo adiado". Ele reintera que "nossas famílias já produzem a terra, o que é preciso é que governo entregue a terra para elas."

De acordo com o dirigente, manifestações como a realizada hoje fazem parte das estratégias de pressão do movimento e acontecem com regularidade, especialmente quando há paralisações ou retrocessos nos processos de assentamento.

Para Jailma Lopes, da Coordenação Nacional do movimento, integra a Semana Camponesa, uma jornada nacional de mobilização.

"Essa ação hoje que a gente construiu, essa marcha que nós iniciamos hoje, que começou em Ceramirim, que nós marchamos hoje cerca de quase 18 quilômetros, ela faz parte da Semana Camponesa, uma semana nacional de mobilização que o Movimento Sem Terra está construindo em todo o Brasil, com o objetivo de denunciar e dialogar com a sociedade sobre a paralisação da reforma agrária, frente ao cenário que nós estamos vivendo. Sobretudo em que a nossa soberania nacional tem sido ameaçada, e nós queremos que o presidente Lula, além de fazer a defesa, no qual nós também fazemos incondicional da soberania, a gente dê um passo adiante. Porque só constrói soberania nacional com soberania alimentar, e o caminho para isso é a reforma agrária e a agricultura familiar e camponesa", justifica.

A ação de hoje, segundo ela, ganha continuidade. "Paramos hoje em São Gonçalo, com a primeira parada, e seguimos amanhã para a região metropolitana, uma Natal para seguir a nossa mobilização", finaliza.

A mobilização do MST ocorre em um contexto de crescentes dificuldades para os movimentos do campo, que enfrentam cortes no orçamento federal, entraves burocráticos para a desapropriação de terras improdutivas e a precarização de políticas voltadas à agricultura familiar e à permanência no campo. Ao mesmo tempo, reafirma a capacidade de organização popular e a centralidade da luta pela terra como pauta estruturante para a transformação social no país.

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