Comunidade da UFRN pede fim das relações da universidade com Israel
Natal, RN 1 de jul 2026

Comunidade da UFRN pede fim das relações da universidade com Israel

20 de setembro de 2025
5min
Comunidade da UFRN pede fim das relações da universidade com Israel
Foto: Valcidney Soares

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Descendentes de palestinos, servidores e estudantes da UFRN realizaram um ato nesta sexta-feira (19) exigindo o fim das parcerias acadêmicas entre a universidade e o Estado de Israel. Com faixas e bandeiras da Palestina, eles tiveram uma reunião com a Pró-Reitora de Gestão de Pessoas, Mirian Dantas, para apresentar as demandas.

A reunião contou com a participação de mais de 25 pessoas. João Francisco, membro do Comitê pró-Palestina da UFRN, citou casos de acampamentos em apoio a Palestina em universidades brasileiras, e disse que, “a essa altura do campeonato, ter qualquer tipo de relação com o Estado de Israel é ser cúmplice do genocídio.”

“A gente não quer vir para a aula e saber que a nossa universidade está tendo relação tanto econômica, diplomática e intelectual com qualquer tipo de instituição do Estado de Israel”, apontou.

Muhamad Tawfik, palestino brasileiro nascido em Nazaré e membro do Centro Islâmico de Natal, afirmou que a comunidade acadêmica imagina o sofrimento vivenciado pela população na Faixa de Gaza.

“Professores e alunos sentem o sofrimento, ou pelo menos imaginam o sofrimento do nosso povo. Porque sentir na pele, só quem está lá. A gente não tem como sentir o que eles sentem. A gente imagina”, disse.

Segundo Tawfik, a reunião contava com pessoas de diferentes ideologias políticas, unidas pelo sentimento humanitário ao povo palestino. Ele ainda explicou a diferença entre semitismo e sionismo. 

“Nós não somos contra judeus e judaísmo como religião. Nós somos contra o sionismo, porque o que move Israel hoje em dia é o sionismo, uma ideologia nova”, afirmou. 

“O judaísmo tem 5.800 anos, o sionismo que tem 130 anos só. Uma ideologia que não é diferente do fascismo e nazismo. Essa que nos preocupa. Que a universidade preste atenção. Vocês estão pagando dinheiro para sionistas”, disse.

João Paulo de Lima, também integrante do Comitê pró-Palestina, defendeu a ruptura total da UFRN e do governo Lula com o Estado de Israel. 

A UFRN, ao ter relações com empresas e universidades israelenses, está sendo conivente com o genocídio televisionado diário que vem acontecendo por parte da máquina de guerra israelense, que é financiada pelo imperialismo norte-americano. É um absurdo que uma universidade pública de qualidade esteja usando seu conhecimento a serviço da maior barbárie do século XXI, que inclusive a própria ONU classifica como um genocídio”, afirmou o estudante. 

Foto: Valcidney Soares

“A gente acha que é o nosso dever, inclusive humanitário, estar defendendo a população palestina, porque a gente está cansado de ver crianças morrendo de fome, de desnutrição, de armas, de diversas doenças, de falta de acesso a suporte humanitário. É um apartheid em pleno século XXI”, condenou.

Relações

Entre as parcerias citadas, publicizadas pelo site Esquerda Diário aqui e aqui, estão principalmente aquelas relacionadas a um acordo de cooperação internacional entre a UFRN e a Ben-Gurion University, de Israel. O acordo segue ativo, segundo o site da Secretaria de Relações Internacionais e Interinstitucionais da UFRN. Mas, segundo Mirian Dantas, a UFRN não tem hoje qualquer acordo de cooperação institucional com Israel.

O documento, presente no site da SRI, fala de estabelecer uma cooperação mútua e ampla visando visitas e intercâmbio entre estudantes e servidores; constituição de grupos de trabalho, elaboração e desenvolvimento conjunto de projetos e programas de cooperação a curto, médio e longo prazos; organização conjunta de eventos acadêmicos, científicos e culturais, dentre outros.

Foi citada também uma pesquisa sobre o cultivo do cártamo no semiárido nordestino, em projeto coordenado pela UFRN em parceria com o IFRN e com a Ben-Gurion University, financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Outros casos apresentados foram as reuniões já feitas na Ben-Gurion University of the Negev, localizada na cidade de Berseba, no sul de Israel, entre o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais) da UFRN juntamente com representantes do Núcleo de Inovação Tecnológica (Navi) do IFRN participaram, a partir do acordo de cooperação internacional estabelecido em 2016.

Em 2018, a universidade chegou a receber a visita do então embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley. O encontro anunciado à época teve o objetivo de estreitar parcerias científicas.

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