Justiça Eleitoral suspende temporariamente ação que pede cassação de Paulinho Freire
Natal, RN 26 de jul 2026

Justiça Eleitoral suspende temporariamente ação que pede cassação de Paulinho Freire

10 de outubro de 2025
5min
Justiça Eleitoral suspende temporariamente ação que pede cassação de Paulinho Freire
Imagem: reprodução

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A Justiça Eleitoral suspendeu temporariamente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) na qual o Ministério Público Eleitoral (MPE) pede a cassação e inelegibilidade por oito anos do prefeito de Natal Paulinho Freire (União), da vice Joanna Guerra (Republicanos), e dos vereadores Daniel Rendall (Republicanos) e Irapoã Nobrega (Republicanos), além da inelegibilidade por igual período do ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos) devido aos crimes de abuso do poder político e econômico. Além do grupo, o diretor técnico da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município do Natal (Arsban), Victor Matheus Diógenes Ramos de Oliveira Freitas, que é parente de Álvaro Dias, também é alvo da ação judicial.

 O processo que investiga abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024 foi suspenso porque Daniel Rendall, Irapoã Nobrega e Victor Diogénes pediram ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a nulidade das ações de busca e apreensão e a ilicitude do material coletado. Com isso, o juiz de 1ª instância, Raimundo Carlyle, entendeu que não suspender o processo poderia ser prejudicial à disputa judicial. Assim, até que o TRE se manifeste sobre a coleta das provas e evidências através das buscas e apreensões nas secretarias da Prefeitura do Natal e no partido Republicanos, o processo permanece suspenso.

O juiz suspendeu a tramitação do processos até que o tribunal julgue os recursos interpostos em relação a duas ações cautelares que discutem a produção de provas. Como o Tribunal ainda vai decidir se a prova é lícita ou ilícita, não adianta julgar a ação principal agora, antes que o Tribunal decida isso. Se o Tribunal julgar os recursos cautelares e mantiver a prova, ele julgará com base nas provas produzidas, mas se considerar que provas são ilícitas, terá que julgar a ação sem considerar as provas“, Wladimir Capistrano, advogado e ex-juiz eleitoral.

Pelo material coletado, o MPE aponta indícios de que servidores comissionados e terceirizados foram cooptados para apoiar os candidatos a vereador Daniell Rendall e Irapoã Nóbrega, além do candidato a prefeito Paulinho Freire e a candidata a vice-prefeita Joanna Guerra. As provas também indicam que o ex-prefeito Álvaro Dias “organizou essa prática através do loteamento das secretarias e dos órgãos municipais para garantir apoio político, utilizando a máquina pública para beneficiar as campanhas dos candidatos aliados”. Na ação, o Ministério Público afirma que “existem ainda evidências de que a gestão municipal ofereceu serviços públicos em troca de apoio eleitoral, explorando lideranças locais para cooptar eleitores”.

Confira o documento da Ação na íntegra:

Abuso de poder político e econômico

O Ministério Público Eleitoral acusou o ex-prefeito Álvaro Dias de orquestrar “como um todo o esquema eleitoral, valendo-se da máquina pública administrativa municipal” para favorecer a candidatura do prefeito Paulinho Freire e da vice-prefeita Joanna Guerra, além dos vereadores Daniell Rendall e Irapoã Nóbrega.

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi ajuizada por abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024. O MPE também denunciou no processo o diretor técnico da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município de Natal (ARSBAN), Victor Matheus Diógenes Ramos de Oliveira Freitas, cunhado de Álvaro Dias.

A ação cita que a “tônica presente na quase totalidade dos depoimentos narrados”, colhidos durante a investigação, era que o ex-prefeito “pediria os cargos comissionados e os empregos de terceirizados caso não houvesse apoio aos seus candidatos”.

Para corroborar a informação, a ação relembra a denúncia contra Victor Diógenes, cunhado de Álvaro Dias, que foi gravado em reunião com os servidores comissionados e empregados terceirizados da Arsban coagindo os subordinados a manifestarem publicamente o apoio a Paulinho Freire e Joanna Guerra.

Depois da divulgação da gravação pela imprensa, Victor Diógenes foi exonerado “a pedido” do órgão, no dia 15 de outubro de 2024, mas foi renomeado para o cargo após o segundo turno das eleições no dia 1º de novembro de 2024.

“Mas não é só, como se observou, praticamente, todas as suas secretarias municipais, órgãos e entidades de sua gestão realizaram reuniões com seus subordinados diretos (cargos em comissão e empregados públicos) de cunho político” em favor de vereadores e dos candidatos majoritários apoiados pelo ex-prefeito Álvaro Dias.

“Em verdade, moveu-se a máquina pública administrativa municipal para contactar as lideranças comunitárias visando apoiarem o então candidato ao cargo de Prefeito, Sr. Paulinho Freire, e sua vice, a Sra. Joanna Guerra, em troca de serviços públicos a serem prestados em suas respectivas comunidades, bem assim de empregos (terceirizados) na estrutura da administração pública municipal”, apontou o Ministério Público.

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