Carla Dickson compartilha fake news de líder do PL sobre o ministro Flávio Dino do STF
A deputada federal Carla Dickson (União Brasil) compartilhou em suas redes sociais uma fake news publicada originalmente pelo líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (RJ), distorcendo uma fala do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, feita em setembro de 2023, quando ele ainda era ministro da Justiça e da Segurança Pública.
O bolsonarista compartilhou um recorte de um discurso de Flávio Dino, feito durante um evento de formatura de novos policiais federais, acompanhado de um título afirmando que o então ministro da Justiça e da Segurança Pública teria dito que a “Polícia Federal vai trabalhar para servir o Lula”.
A publicação usa uma manchete alarmista, com um carimbo de “grave”, para chamar a atenção das pessoas, tática comum na disseminação de desinformação e fake news nas redes sociais, para dar a entender que o discurso é atual, quando na verdade é antigo.
O objetivo da postagem é induzir as pessoas a entenderem que Flávio Dino admitiu que a Polícia Federal agiria politicamente para atender os interesses do presidente Lula. A estratégia faz parte da construção da narrativa de “perseguição” contra o ex-presidente Jari Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão no inquérito da tentativa de golpe de Estado em 2023.
Flávio Dino discursou, na ocasião, afirmando que foram abolidas “tentações satânicas de espetacularização” na Polícia Federal. Na gravação, o então ministro da Justiça e da Segurança Pública, dirigindo-se ao presidente Lula (PT), diz ainda que a instituição “está a serviço de uma única causa, que é a sua causa, a causa do Brasil”.
“Nós abolimos tentações satânicas de espetacularizações, de abusos, de forças-tarefas ilegais. Tudo isso ficou no passado. Hoje nós temos uma polícia dedicada a servir a população”, disse, à época, Flávio Dino.
Na legenda da publicação, Sóstenes Cavalcanti reforça a fake news ao escrever que “Dino passou o recado: A Polícia Federal vai começar a servir Lula, a esquerda e os seus interesses”.
Carla Dickson já foi desmentida pelo presidente do União Brasil
Essa, no entanto, não é a primeira vez que a evangélica Carla Dickson é flagrada mentindo. A deputada federal foi desmentida, recentemente, pelo presidente estadual do União Brasil, o ex-senador José Agripino, que negou que a parlamentar tivesse pedido uma “carta de anuência” para sair do partido e se filiar ao PL.
Ao discursar no evento de posse do empresário Jorge do Rosário na Presidência do PL de Mossoró, no mês passado, Carla Dickson afirmou que o União Brasil havia negado o seu pedido para trocar de partido sem risco de perder o mandato.
Ela afirmou que, em razão disso, esperaria a janela partidária, entre o início de março e o de abril de 2026, para assinar a ficha de filiação ao PL.
“Eu só posso efetivamente fazer a minha festa de filiação na janela [partidária]. Infelizmente, a minha carta de anuência foi negada pelo meu atual partido [União Brasil]. Eu não posso estar de fato e de direito no PL, mas eu já caminho no plenário da Câmara [dos Deputados] com a oposição e com o PL”, anunciou a deputada, que na mesma ocasião declarou que era uma “soldada” do senador Rogério Marinho.
O ex-senador José Agripino foi categórico ao dizer que Carla Dickson não havia encaminhado nenhum pedido formal de desfiliação ao União Brasil: “Não houve nenhum pedido de carta de anuência da deputada Carla Dickson. Eu falo a verdade: não houve nenhum pedido de desfiliação, nenhum pedido de carta de anuência. Nada, não teve nada”.
Após ser desmentida, Carla Dickson reconheceu, em nota enviada à imprensa, que de fato não havia solicitado formalmente sua desfiliação do União Brasil.
“De fato, não foi entregue nenhum documento ao senador José Agripino”, diz trecho da nota enviada pela assessoria da parlamentar, que afirma ainda ter “enorme admiração e carinho” pelo dirigente estadual do União Brasil.
“No entanto, assim como o partido optou por ser o melhor a Federação com o PP, a deputada entende que, no plano estadual, essa composição a prejudica. Desse modo, no período apropriado a deputada irá deixar a legenda”, completa a nota.
O comunicado faz referência à Federação União Progressista, formada pelos partidos União Brasil e PP. No final de julho, Carla Dickson participou de uma reunião em Natal com os parlamentares que integram o grupo para alinhar as estratégias visando às eleições de 2026.
A recém-criada Federação União Progressista, no entanto, pode ser desfeita antes das eleições de 20206. É o que defende o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que é pré-candidato a presidente pelo União Brasil.
“Temos que parar com essa história de federação. Cria muita cizânia localmente”, declarou o governador goiano, justificando o fim da aliança eleitoral com o PP.
Saiba Mais: Agripino desmente Carla Dickson, que admite não ter pedido desfiliação do UB