Projeto que endurece regras para emendas parlamentares avança no RN
Natal, RN 11 de jul 2026

Projeto que endurece regras para emendas parlamentares avança no RN

27 de maio de 2026
5min
Projeto que endurece regras para emendas parlamentares avança no RN
Foto: Eduardo Maia/ALRN

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A Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) aprovou nesta terça-feira (26) um projeto de lei complementar que endurece as regras e busca dar maior transparência e rastreabilidade na execução de emendas parlamentares.

O PLC 7/2026 foi apresentado na semana passada pela Mesa Diretora após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou que os estados, o Distrito Federal e os municípios sigam o modelo federal de transparência, depois que o chamado “orçamento secreto” foi declarado inconstitucional.

A matéria recebeu relatoria do deputado Ubaldo Fernandes (PV), que emitiu parecer favorável. Com a aprovação, o texto avança para as demais comissões da Casa e no futuro deverá ser votado no plenário.

Segundo a Mesa Diretora, a iniciativa busca adequar o processo orçamentário estadual às exigências atuais de transparência, publicidade e rastreabilidade dos recursos públicos em conformidade com a Constituição Federal, a Constituição Estadual e as decisões recentes do STF.

Entre os principais pontos, destaca-se a criação de mecanismo que permita acompanhar todas as etapas da execução orçamentária e financeira das emendas parlamentares, desde a identificação do autor da emenda e do objeto beneficiado, até o registro detalhado dos valores empenhados, liquidados e pagos. 

Uma das determinações é para que o Poder Executivo mantenha um portal eletrônico de acesso público e irrestrito, para a divulgação das informações referentes à execução orçamentária e financeira das emendas parlamentares. 

A proposta também exige ampla transparência na execução dos recursos com a disponibilização de planos de trabalho, convênios, notas fiscais, medições e relatórios fotográficos das ações executadas.

Além disso, o texto proíbe expressamente a utilização de contas intermediárias, conhecidas como contas de passagem, bem como saques em espécie, garantindo maior controle e identificação do beneficiário final dos recursos públicos.

No caso das transferências destinadas aos municípios, o parlamentar deverá informar previamente o objeto e o valor da emenda das chamadas transferências especiais. O projeto estabelece que pelo menos 70% dos recursos deverão ser aplicados em despesa de capital sob fiscalização do Tribunal de Contas.

A proposta também visa a obrigatoriedade constitucional de destinação de parte das emendas individuais para ações e serviços públicos de saúde.

Decisão do STF

De acordo com a Mesa Diretora da Assembleia, a iniciativa é resultado também de uma decisão do STF. Em outubro de 2025, o ministro Flávio Dino determinou que os estados, o Distrito Federal e os municípios adotassem o modelo de transparência federal.

A decisão foi tomada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, na qual o STF declarou a inconstitucionalidade do chamado “orçamento secreto” e determinou a adoção de medidas para garantir a transparência e a rastreabilidade dos recursos federais provenientes de emendas parlamentares.

A decisão do relator se deu em resposta à petição da Associação Contas Abertas, da Transparência Brasil e da Transparência Internacional – Brasil, admitidas no processo como interessadas. Elas sustentam que, apesar dos avanços nos mecanismos de controle das emendas federais, as emendas estaduais, distritais e municipais “padecem de profunda opacidade”.  

Como exemplo, citaram que 14 estados não informavam o beneficiário da emenda nos seus portais de transparência, enquanto outros 17 não informavam a localidade do gasto. Além disso, 12 estados não detalhavam o histórico de execução e seis não informam o objeto da emenda.

Líder do governo fez alerta

O cumprimento dos prazos legais e o rigor das novas normas de rastreabilidade para a liberação de recursos foram o foco do alerta feito pelo deputado Francisco do PT na semana passada. O líder do Governo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte manifestou preocupação com a proximidade das vedações impostas pela legislação eleitoral e a necessidade de regularização documental por parte dos municípios e instituições beneficiadas pelas emendas parlamentares.

O prazo para a apresentação dos planos de trabalho que vai servir para a liberação dos recursos é até 3 de julho, no limite previsto na legislação eleitoral. Francisco relatou que visitou o setor de pagamentos da Casa e constatou que diversos processos estão estagnados por falta de documentação essencial. 

“Não basta só o parlamentar fazer uma lista das emendas que ele quer que pague e mandar para o setor das emendas, porque agora os beneficiários, especialmente das transferências especiais, precisam se adequar a essas regras de rastreabilidade e transparência”, alertou o petista.

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