Trabalhadores da saúde param e fazem protesto em frente a Prefeitura de Natal
Natal, RN 30 de jun 2026

Trabalhadores da saúde param e fazem protesto em frente a Prefeitura de Natal

30 de junho de 2026
5min
Trabalhadores da saúde param e fazem protesto em frente a Prefeitura de Natal

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Trabalhadores da saúde municipal de Natal realizaram uma paralisação e um ato público na manhã desta terça-feira (30) para cobrar avanços nas negociações com a Prefeitura. A mobilização começou em frente à nova sede da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), percorreu ruas do centro da capital com passagem pela Secretaria Municipal de Administração (Semad) e foi encerrada diante do Palácio Felipe Camarão.

Segundo o Sindsaúde/RN, o protesto foi motivado pela demora na apresentação de respostas concretas às reivindicações da categoria. Embora o diálogo entre a gestão municipal e os representantes dos trabalhadores tenha sido retomado nos últimos meses, o sindicato afirma que as discussões avançam lentamente e sem encaminhamentos efetivos. A entidade também critica o fato de as negociações estarem sendo conduzidas apenas pela Secretaria de Administração, sem a participação direta da Secretaria Municipal de Saúde.

Ao longo da caminhada, os manifestantes denunciaram o que classificam como um processo de enfraquecimento da rede pública municipal de saúde. Entre os problemas apontados estão a falta de profissionais nas unidades, a sobrecarga de trabalho das equipes e as dificuldades enfrentadas pela população para acessar os serviços.

Diretora do Sindsaúde/RN, Tatiara Régis afirmou que a interrupção de atendimentos em algumas unidades não está relacionada ao movimento desta terça-feira, mas à falta de investimentos e providências por parte da administração municipal.

“Estamos com unidades que vão parar de atender, mas não é por causa da paralisação de hoje. Vão parar porque a prefeitura está paralisada. Estamos exercendo um direito constitucional, enquanto a gestão abandona o que é público”, declarou.

Após o encerramento do ato, representantes do sindicato e uma comissão formada por trabalhadores foram recebidos na Prefeitura por um secretário-adjunto. Durante a reunião, a categoria voltou a apresentar reivindicações que, segundo o Sindsaúde/RN, permanecem sem solução nas mesas de negociação.

Entre os pontos discutidos está a conclusão da minuta que trata da implantação do Plano de Gratificação por Produtividade e do Componente de Qualidade. O secretário-adjunto solicitou que a pauta fosse encaminhada oficialmente por meio de ofício, compromisso assumido pelo sindicato ainda nesta terça-feira. De acordo com a entidade, o gestor informou que buscará articular uma reunião com o secretário municipal de Administração, Breno Queiroga. Os trabalhadores também defendem uma participação mais direta do prefeito Paulinho Freire nas negociações.

Além da regulamentação do Componente de Qualidade, a pauta inclui a reposição de perdas salariais acumuladas nos últimos anos, a realização de concurso público para reforçar o quadro de servidores, a abertura do Hospital Municipal de Natal e melhorias nas condições de trabalho oferecidas aos profissionais da rede.

Enquanto pressionam o município, os trabalhadores da saúde estadual também se preparam para intensificar a mobilização em defesa da Campanha Salarial 2026. Em assembleia realizada na última quinta-feira (25), a categoria aprovou a realização de duas paralisações de 24 horas durante o mês de julho, marcadas para os dias 9 e 23.

O primeiro ato está previsto para ocorrer em frente à Governadoria, a partir das 9h. A decisão foi tomada após avaliação do andamento das negociações com o Governo do Estado e da necessidade de ampliar a pressão por respostas às demandas apresentadas pelos servidores.

Durante a assembleia, a direção do Sindsaúde/RN repassou informações sobre a reunião realizada com o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, na Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Entre os temas debatidos estiveram a convocação dos aprovados no concurso da Sesap de 2025, a ampliação da jornada de trabalho de 30 para 40 horas, a criação de auxílio-alimentação, o pagamento de adicional de insalubridade, questões relacionadas à produtividade e outras pautas consideradas prioritárias pela categoria.

Ao longo das discussões, dirigentes sindicais e servidores destacaram que o fortalecimento da mobilização é considerado fundamental para ampliar o poder de negociação junto ao governo. Também foi defendida uma maior participação dos trabalhadores nas assembleias e atividades promovidas pelo sindicato.

Outro tema recorrente durante o encontro foi a situação das unidades de saúde estaduais. Os participantes relataram dificuldades provocadas pelo déficit de profissionais e pelas condições de trabalho enfrentadas diariamente, cenário que, segundo a categoria, compromete tanto a rotina dos servidores quanto a qualidade da assistência prestada à população.

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