Dirigente sindical cobra Rogério e Styvenson por debate sobre escala 6x1
O Senado debateu nesta quarta-feira (1º) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de 6×1, em audiência pública no plenário da Casa. Empresários criticaram a PEC alegando prejuízos à economia, enquanto governo e trabalhadores defenderam mais tempo e qualidade de vida. Uma das dirigentes sindicais a discursar foi a potiguar Sônia Zerino, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST). Em sua fala, ela reivindicou a redução da jornada e disse que os senadores Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PODE) nunca chamaram os trabalhadores do RN a debaterem o tema.
A potiguar se notabilizou ao se tornar a primeira mulher a assumir o comando máximo de uma entidade nacional entre as seis centrais sindicais registradas no Brasil. Zerino começou sua trajetória na direção do Sindicato dos Oficiais Alfaiates, Costureiras e Trabalhadores nas Indústrias de Confecção de Roupas do Rio Grande do Norte (Sindconfecções/RN) e desde dezembro de 2025 assumiu o comando da NCST.
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“Não estamos discutindo apenas números ou horas trabalhadas, estamos falando de vidas, estamos falando do direito de milhões de trabalhadores e trabalhadoras de conviver com suas famílias, cuidar da saúde, estudar, descansar e viver com dignidade, principalmente em se tratando de nós mulheres, que temos a dupla, a tripla jornada de trabalho”, disse a dirigente sindical.
“Trabalhamos hoje 7×0: trabalhamos a semana inteira e, no final de semana, fazemos as tarefas domésticas. Estudos apontam que nós mulheres trabalhamos 16 horas semanais além do trabalho que se faz nos espaços onde trabalhamos, e os homens trabalham muito menos do que a gente nas tarefas domésticas. Então, é essencial o fim da escala 6×1”, continuou.
Antes dela, já havia discursado o senador potiguar Rogério Marinho (PL), que criticou a redução da jornada.
“A redução da jornada por decreto, por si só, é uma aberração. Acontece no mundo inteiro através de melhoria da produtividade, melhoria da capacitação e qualificação da mão de obra, inovação tecnológica”, disse o parlamentar.
Em sua fala, Sônia Zerino criticou as posições do senador e disse que já havia tentado se reunir com o parlamentar — sem sucesso.
“De manhã, o senador do meu estado, Rogério Marinho, colocou que é um grande debate, que tem que ouvir todas as partes, mas ele nunca chamou os trabalhadores daquele estado, nunca reuniu nenhum sindicato de trabalhador para fazer este debate, este diálogo que ele tão bem colocou aqui na fala dele”, apontou.
“Ele colocou muito bem na fala dele, mas, na realidade, no nosso estado, ele nunca chamou o movimento sindical para fazer debate nenhum. Inclusive, nós fizemos agora o congresso da Nova Central Sindical no Estado do Rio Grande do Norte e nós pedimos, lá no gabinete do estado, uma audiência com ele — de todo o movimento sindical —, e simplesmente nos foi respondido que ele não tinha agenda, porque ele estava coordenando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele não nos recebeu”, explicou a dirigente.
Zerino também disse que a reunião foi tentada com Styvenson Valentim, também sem êxito.
“Também pedimos uma audiência com o nosso senador também lá, que é contra o fim da escala 6×1, o senador Styvenson. Ele também não nos recebeu. Lá no meu estado só quem apoia o fim da escala 6×1 é a senadora Zenaide Maia”, disse a presidente da NCST.
Do Rio Grande do Norte, Rogério Marinho (PL) apresentou no Senado uma PEC alternativa ao fim da escala 6×1, que permite a opção entre o regime tradicional previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo flexível baseado em horas trabalhadas. A proposta tem sido alvo das centrais sindicais, que disseram que o texto promove a precarização do emprego. A matéria também recebeu assinatura do senador Styvenson Valentim (Podemos).
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Já a senadora Zenaide Maia (PSD) tem discursos públicos favoráveis ao fim da escala 6×1. Na tribuna do plenário, em 9 de junho, a parlamentar defendeu a aprovação urgente da proposta que acaba com a jornada de trabalho de seis dias semanais, medida que para ela beneficiaria especialmente as mães solo do país.
Ainda de acordo com a senadora, os empresários contrários ao projeto acabarão também beneficiados com lucros, visto que essas potenciais consumidoras terão melhores condições de organizar as demandas de sua vida pessoal, inclusive conseguindo um tempo mínimo para comprar produtos necessários.
“Eu queria fazer um apelo aqui, porque eu sei que os empresários são contra: vocês não vão, senhores, ter menos lucros, porque essa mãe e esse pai vão ter um dia pelo menos para comprar! Se essa trabalhadora só tem um dia por semana de descanso, com certeza vai ser para organizar o mínimo da casa dela com os filhos. Sem falar na saúde mental, que é algo que a sociedade precisa urgentemente tomar conta. Então, vai ser um homem ou uma mulher mais descansado, mais fácil de lidar e também cuidando da sua família”, frisou a parlamentar.