Trabalhadores protestam pelo fim da escala 6x1 em supermercado de Natal
Trabalhadores, centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos participaram nesta terça-feira (30) do dia nacional de mobilização pelo fim da escala 6×1, em Natal. O ato político-cultural se concentrou no Carrefour, na Zona Sul, e caminhou até o supermercado Nordestão, na Avenida Roberto Freire. Uma das reivindicações foi para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), coloque o texto para ser votado na Casa, depois do projeto ter sido aprovado pela Câmara.
A convocação foi feita pela Frente Brasil Popular, CUT-RN, CTB, Intersindical, CSP-Conlutas, Pública, VAT-RN, PSTU, PCdoB, PSOL e PT.
Uma das principais categorias com trabalhadores na escala 6×1, o Sindicato dos Empregados em Supermercados e Similares do Rio Grande do Norte (Sindsuper-RN) participou da atividade e levou uma faixa que exigia a redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
Em publicação nas redes sociais, o sindicato disse que o setor de supermercados e hipermercados é historicamente um dos que mais dependem e exploram a jornada 6×1. A entidade disse que o Grupo Carrefour Brasil, local onde começou o ato, é um gigante que opera com mais de 130 mil trabalhadores em todo o país.
“Toda essa riqueza e operação são movidas pelo suor de milhares de pais e mães de família que hoje enfrentam uma rotina absurdamente exaustiva sob o regime da escala 6×1”, disse o Sindsuper.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN) também esteve no ato político-cultural, ainda que os professores não trabalhem na escala 6×1. Bruno Vital, coordenador-geral do Sinte, disse que a participação ocorreu em solidariedade às demais categorias, para garantir qualidade de vida para todos.
“O fim da escala 6×1 já foi aprovado na Câmara dos Deputados e agora há mais de um mês o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem ficado segurando o projeto para votação, impedindo que essa pauta possa avançar e que possa ir para a sanção presidencial”, criticou.
O presidente da CUT-RN, Irailson Nunes, também ratificou a exigência aos senadores.
“Nós queremos que Davi Alcolumbre saia de cima da PEC e coloque em votação, para que assim os senadores que dizem ter compromisso com as famílias brasileiras possam expressar isso através da votação. Do contrário, é só discurso demagogo, e nós não estamos mais suportando enquanto classe trabalhadora esse tipo de discurso. Quer defender a sociedade brasileira? Demonstre através do seu exercício da sua função de parlamentar, votando favorável ao conjunto da classe trabalhadora”, pediu.
Só no Rio Grande do Norte, 14,1 mil pessoas trabalham em regime de escala 6 x 1. No Brasil, segundo dados do IBGE, são 14 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.
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Bancada do RN
Do Rio Grande do Norte, Rogério Marinho (PL) apresentou no Senado uma PEC alternativa ao fim da escala 6×1, que permite a opção entre o regime tradicional previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo flexível baseado em horas trabalhadas. A proposta tem sido alvo das centrais sindicais, que disseram que o texto promove a precarização do emprego. A matéria também recebeu assinatura do senador Styvenson Valentim (Podemos).
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Já a senadora Zenaide Maia (PSD) tem discursos públicos favoráveis ao fim da escala 6×1. Na tribuna do plenário, em 9 de junho, a parlamentar defendeu a aprovação urgente da proposta que acaba com a jornada de trabalho de seis dias semanais, medida que para ela beneficiaria especialmente as mães solo do país.
Ainda de acordo com a senadora, os empresários contrários ao projeto acabarão também beneficiados com lucros, visto que essas potenciais consumidoras terão melhores condições de organizar as demandas de sua vida pessoal, inclusive conseguindo um tempo mínimo para comprar produtos necessários.
“Eu queria fazer um apelo aqui, porque eu sei que os empresários são contra: vocês não vão, senhores, ter menos lucros, porque essa mãe e esse pai vão ter um dia pelo menos para comprar! Se essa trabalhadora só tem um dia por semana de descanso, com certeza vai ser para organizar o mínimo da casa dela com os filhos. Sem falar na saúde mental, que é algo que a sociedade precisa urgentemente tomar conta. Então, vai ser um homem ou uma mulher mais descansado, mais fácil de lidar e também cuidando da sua família”, frisou a parlamentar.