O encontro entre memória, fotografia e identidade quilombola ganha forma em mais de 200 imagens produzidas há quase seis décadas. O rigor estético e documental que atravessa a exposição Herdeiros de Zumbi: Um Álbum de Família de Sibaúma nasceu de uma combinação entre a curiosidade de pesquisador e o olhar atento de quem faz da imagem uma ferramenta de registro da realidade. Para o fotógrafo Jorge Bodanzky, a motivação sempre esteve ligada à necessidade de preservar experiências e histórias. “Tenho uma influência humboldtiana, essa curiosidade do viajante, a preocupação pelo registro. Gosto de documentar as experiências vividas e os fatos observados, transformando as imagens em uma espécie de caderno de notas”, afirma.
Esse acervo histórico poderá ser visto pelo público a partir do dia 25 de julho, quando a exposição será inaugurada às 16h no Centro Cultural Herdeiros de Zumbi, em Sibaúma, distrito de Tibau do Sul. A mostra reúne fotografias realizadas por Bodanzky em 1968 e consideradas entre os primeiros registros fotográficos de uma comunidade quilombola no Brasil.

A iniciativa conta com a participação dos Departamentos de Antropologia (DAN) e de Comunicação Social (Decom) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que atuam nas etapas de pesquisa e montagem da exposição. O projeto também envolve o Instituto Moreira Salles (IMS), responsável pela preservação do acervo e pela cessão das imagens à Associação Quilombola de Sibaúma.
Mais do que um conjunto de fotografias, a exposição apresenta fragmentos da trajetória de famílias que ajudaram a construir a história da comunidade. As imagens revelam modos de vida, relações familiares, tradições e a resistência de um território que, ao longo dos anos, enfrentou pressões decorrentes da expansão imobiliária e turística, especialmente na região de Pipa.
O acervo possui relevância histórica e cultural não apenas por registrar um momento específico da comunidade, mas por contribuir para a preservação de uma memória coletiva que atravessa gerações. Após a exposição, as fotografias passarão a integrar o futuro Centro de Memória de Sibaúma, fortalecendo o processo de valorização do patrimônio cultural quilombola.
A programação de inauguração também inclui a apresentação de produtos desenvolvidos em projetos de extensão realizados na comunidade. Participam da iniciativa bolsistas e estudantes dos cursos de Ciências Sociais, Turismo e de outras áreas do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA/UFRN), em uma ação que aproxima universidade e comunidade por meio da pesquisa, da cultura e da preservação da memória.
Ao abrir ao público um acervo produzido há quase 60 anos, a exposição convida visitantes a percorrer histórias que permanecem vivas no presente, reafirmando a importância de Sibaúma na construção da memória quilombola do Rio Grande do Norte.
Serviço
25 de julho de 2026 (sábado), às 16h
Centro Cultural Herdeiros de Zumbi, comunidade de Sibaúma, distrito de Tibau do Sul (RN)
Entrada gratuita
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