Grupo de Passa e Fica representa o RN em festival de folclore da América Latina
“Temos a honra de representar Passa e Fica, o Rio Grande do Norte e o Brasil, levando a riqueza da nossa identidade cultural para um público de diferentes nacionalidades.” A frase de Silas Braúna, em entrevista à Agência Saiba Mais, carrega a responsabilidade que o Balé Popular Terras Potiguares assumirá neste mês de julho. Fundado em uma cidade de pouco mais de 13 mil habitantes no Agreste potiguar, o grupo atravessará mais de 3 mil quilômetros para levar ao Sul do país manifestações que nasceram nos terreiros, nas festas populares, nos cortejos e nas tradições que moldam a cultura nordestina.
Entre os dias 22 e 27 de julho, a companhia será a representante do Rio Grande do Norte na 53ª edição do Festival Internacional de Folclore de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, considerado um dos maiores encontros de culturas populares do Brasil e da América Latina. O evento reunirá mais de 2 mil bailarinos de 43 grupos e delegações de oito países.
Para o coordenador e diretor artístico do grupo, a participação simboliza o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de 16 anos de pesquisa, formação artística e valorização das tradições populares.
“Ser selecionado entre tantos grupos de todo o Brasil confirma que estamos trilhando um caminho de muito trabalho, dedicação e compromisso com a cultura popular. Participar de um festival internacional dessa magnitude aumenta ainda mais a nossa responsabilidade”, afirma.
No palco, o público encontrará um retrato da diversidade cultural do Nordeste e também da Região Norte. O repertório reúne o espetáculo Sertão, inspirado nas quadrilhas juninas, no baião e no forró, além de Praieiro, que mergulha em manifestações como coco de roda, ciranda e puxada de rede. O grupo também levará quadros cênicos baseados no maracatu e no bumba meu boi, além de Pororoca, criação recente desenvolvida a partir de pesquisas sobre o folclore amazônico.
As apresentações serão acompanhadas por uma banda regional de pífanos formada por músicos da Paraíba, reforçando a musicalidade característica das tradições populares nordestinas.
Mas a experiência vai além dos espetáculos. Durante o festival, os cerca de 27 integrantes da delegação potiguar participarão de oficinas, vivências formativas e atividades de intercâmbio com grupos do Peru, Argentina e outros países.
“O contato com diferentes tradições culturais e a oportunidade de conhecer de perto outras formas de expressão tornam essa experiência muito enriquecedora para todos os integrantes”, destaca Braúna.
O momento também marca uma nova fase para a associação cultural. Em 2025, o Balé Popular Terras Potiguares tornou-se a primeira instituição de Passa e Fica reconhecida pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura. No mesmo ano, foi contemplado por editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), fortalecendo suas ações de preservação e difusão das culturas populares.
Outro avanço veio com a aprovação do projeto Viva ao Rei de Congo pela Lei Rouanet. A iniciativa, atualmente em fase de captação de recursos, pretende ampliar a circulação do grupo por importantes festivais brasileiros.
“Nosso principal desafio agora é captar recursos junto à iniciativa privada para viabilizar a nossa primeira turnê internacional, prevista para o segundo semestre de 2027”, revela o diretor.
O grupo se prepara para mostrar que, de uma pequena cidade do interior potiguar, também nascem espetáculos capazes de dialogar com o mundo. Em Nova Petrópolis, cada passo de dança carregará um pouco da memória, da música e das tradições que ajudam a contar a história do Rio Grande do Norte.
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