Natália vê ataque à soberania e aciona PGR contra Flávio Bolsonaro
A deputada federal Natália Bonavides (PT) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que investigue o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por sua atuação junto ao governo dos Estados Unidos contra o Brasil. A deputada classifica as ações do parlamentar, pré-candidato a presidente pelo PL, como “ataque à soberania” nacional.
A Notícia de Fato foi protocolada na última sexta-feira (3). A representação sustenta que documentos assinados pelo próprio senador mostram uma articulação para incentivar sanções contra autoridades brasileiras e instituições da República.
Entre os fatos apontados, estão a defesa da manutenção de sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), reuniões com autoridades do governo norte-americano para tratar dessas medidas e a oferta de uma eventual equipe de transição de governo aos Estados Unidos antes mesmo da realização das eleições presidenciais.
“Estamos falando de um senador da República que foi pedir aos Estados Unidos sanções contra autoridades brasileiras. Tudo indica que ele quer usar um governo estrangeiro para pressionar justamente quem investiga e julga pessoas da própria família. Isso não é uma divergência política, é um ataque à soberania do Brasil. Cabe agora à PGR investigar”, destacou Natália Bonavides.
A deputada federal também pede que sejam apurados o envio de um relatório de inteligência classificado como reservado aos EUA e a oferta de uma “equipe de transição” a um governo estrangeiro antes mesmo das eleições.
Na petição, a deputada argumenta que, em vez de recorrer às instituições brasileiras para questionar decisões ou buscar responsabilizações, Flávio Bolsonaro teria buscado apoio de um governo estrangeiro para pressionar autoridades do próprio Brasil.
Segundo a representação, esse tipo de atuação coloca em risco a soberania nacional, ao transferir para outro país uma pressão que deveria ser enfrentada dentro das regras e das instituições da democracia brasileira.
O senador deve participar nesta terça-feira (7) de uma audiência pública nos Estados Unidos sobre a investigação comercial aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) contra o Brasil. Na última semana, o político do PL enviou uma manifestação ao USTR em que pede o adiamento, por 180 dias, da aplicação de novas tarifas contra exportações brasileiras por parte do governo estadunidense — na prática, o pedido é para que a taxação fique para depois das eleições presidenciais no Brasil.
Em um documento de 86 páginas, o filho de Jair Bolsonaro diz que o tarifaço tem fortalecido politicamente o governo Lula em um ano eleitoral.
“Pesquisas de opinião pública brasileiras mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu precisamente durante os períodos em que a pressão tarifária dos EUA foi mais evidente”, afirma um trecho do documento.
Dark Horse
Além do caso envolvendo os EUA, Flávio também é alvo de investigação envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, uma espécie de cinebiografia do seu pai, Jair Bolsonaro. Uma notícia-crime foi apresentada ao STF pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ); em junho, o ministro Alexandre de Moraes devolveu a denúncia à presidência do Supremo para que fosse escolhido o relator.
Em 13 de maio, o site Intercept Brasil divulgou o áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência aparece solicitando R$ 134 milhões ao dono do banco Master para financiar o filme Dark Horse, uma espécie de cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A gravação integra o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025.
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Já em 19 de maio, Flávio admitiu que foi à casa de Daniel Vorcaro no fim de 2025, depois da primeira prisão do dono do Banco Master. Na época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica como parte das medidas restritivas. O pré-candidato só reconheceu a ida à casa de Vorcaro após a informação ter sido revelada pelo portal Metrópoles.
Até então, o senador Flávio Bolsonaro sustentava não ter nenhuma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em um primeiro momento, no dia 13, ele negou que o filme tivesse recebido dinheiro do banqueiro.
Repórter: Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?
Flávio Bolsonaro: É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado.