Ponte Velha não está preparada para imprevistos, segundo passageiros
Natal, RN 2 de jun 2026

Ponte Velha não está preparada para imprevistos, segundo passageiros

16 de setembro de 2024
1min
Ponte Velha não está preparada para imprevistos, segundo passageiros
foto: Leandro Juvino

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Os passageiros que precisaram sair da Zona Norte de Natal na manhã desta segunda-feira (16) enfrentaram um intenso congestionamento na Ponte do Igapó, que passa por reforma de qualificações há mais de uma ano. Segundo relatos, um veículo parado no início da ponte foi o suficiente para sufocar o trânsito em uma obra que não está preparada para lidar com imprevistos.

A interrupção foi suficiente para impactar a vida de quem mora na Zona Norte e também cidades vizinhas como São Gonçalo e Ceará-Mirim, na Grande Natal, que utilizam a estrutura para chegar do outro lado da cidade. A falta de fiscalização também foi um agravante que piora a situação.

A reportagem esteve no local pela manhã e confirmou o fluxo intenso em um horário destinado exclusivamente para ônibus. Isso porque, no momento em que o trânsito travou, antes das 6 da manhã, carros e motos ficaram presos no local e não conseguiram sair, o que agravou o fluxo de veículos quando somados aos transportes coletivos. Das 6 horas da manhã até as 8h, o trânsito da ponte é liberado somente para o transporte coletivo.

Segundo passageiros, a Ponte Velha não está e nunca esteve preparada para lidar com imprevistos. “A faixa exclusiva para ônibus melhorou esse trânsito que já foi pior. O problema é que essa estrutura não é feita para lidar com imprevistos e qualquer um, por menor que seja, trava esse trânsito por umas duas horas.”, disse Maria Beatriz, passageira ouvida pela reportagem. 

É justamente essa imprevisibilidade que mexe com a rotina de moradores como Erika Helena, que depende exclusivamente do transporte público para atravessar a cidade. A moradora do Nova Natal, no bairro Lagoa Azul, trabalha no Natal Shopping e nesta segunda saiu de casa 2 horas mais cedo para não se atrasar. “Tô saindo de casa agora (7h30 da manhã) pra ver se chego lá de 10 horas, pelo menos”, disse. 

A reportagem procurou a Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) para saber sobre a fiscalização no local, mas, segundo a pasta, o fluxo na região não é de responsabilidade da secretaria. A reportagem também procurou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela obra na estrutura, mas até o momento não obteve resposta. O espaço segue em aberto.

Leia também: Novo trecho da reforma da Ponte Velha volta a causar congestionamentos

Relembre os problemas

As obras na Ponte do Igapó causam problemas para os moradores da Zona Norte desde setembro de 2022, quando foram iniciados os serviços pela Prefeitura de Natal. Um ano depois, o Departamento de Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) realizou uma nova interdição na estrutura, dessa vez, com o prazo de um ano e meio de duração.

A Prefeitura de Natal, inclusive, moveu uma  Ação Civil Pública (ACP) contestando a interdição de um dos lados da ponte, por causa do canteiro de obras instalado pelo Dnit. O município alegou que a obstrução de uma via não era necessária e prejudicou aqueles que precisam utilizar a ponte diariamente. Segundo o município, o canteiro deve ser retirado da ponte e pelo menos uma das faixas obstruídas deve ser liberada para aliviar o trânsito no sentido Zona Norte/Centro. 

Já o Dnit, atual responsável pela obra, defende a necessidade da medida. O órgão argumentou que o trecho já estava com os desvios definidos pela Prefeitura, em razão de obras prévias na Avenida Felizardo Moura, e que a mudança do canteiro de obras para o local sugerido pelo município, localizada dentro de uma Área de Proteção Permanente (APP), exigiria uma série de medidas preliminares que acabariam por retardar a conclusão da obra. 

Com isso, a Justiça Federal do Rio Grande do Norte negou o pedido da Prefeitura Municipal do Natal para que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) removesse o canteiro de obras de cima da Ponte Velha. Quem assinou a decisão foi Moniky Mayara Costa Fonseca, juíza da 5ª Vara Federal do RN. 

A decisão também determinou a realização de uma perícia judicial antecipada, que verificou a necessidade ou não da instalação do canteiro da obra em cima da ponte. O responsável por conduzir a avaliação técnica foi Vinícius Leite Silveira, engenheiro civil e perito da Justiça Federal. 

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