Mossoró e RN se destacam em eleger mulheres prefeitas e governadoras
Natal, RN 12 de jun 2026

Mossoró e RN se destacam em eleger mulheres prefeitas e governadoras

29 de setembro de 2024
5min
Mossoró e RN se destacam em eleger mulheres prefeitas e governadoras
Foto: Prefeitura de Mossoró

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Com quase 265 mil habitantes, segundo o último Censo do IBGE, Mossoró é a cidade brasileira com população acima de 100 mil que mais elegeu mulheres prefeitas desde 2000, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo. 

Foram cinco mandatos femininos, feito que também reflete no protagonismo do Rio Grande do Norte em eleger mulheres governadoras ou prefeitas em outras cidades. De acordo com o jornal, o RN, ao lado de Roraima, foi o estado com maior proporção de municípios que já elegeram chefes de Executivo mulheres, ambos com 60% de cidades com prefeitas. 

Um dos destaques é a cidade potiguar de Tenente Ananias, com 10.292 habitantes, que desde 2000 elegeu sempre prefeitas mulheres — o município está acompanhado por Flexeiras (AL), com 9.618 moradores.

Nos últimos 24 anos, Mossoró elegeu como prefeitas Rosalba Ciarlini (2000 e 2016), Fafá Rosado (2004 e 2008) e Cláudia Regina (2012). Mas, mesmo nas décadas anteriores, a segunda maior cidade potiguar já havia eleito Rosalba em 1988 e 1996. Sandra Rosado também ocupou o posto por um breve período entre outubro e dezembro de 1996. Ela era vice de Dix-Huit Rosado, que morreu em 22 de outubro daquele ano.

O jornal paulista considerou candidatas eleitas tanto em pleitos ordinários quanto suplementares — aqueles que são realizados em decorrência de indeferimento de registro, cassação do diploma ou perda do mandato do candidato eleito. 

“Mossoró sempre foi uma cidade libertária, tendo vários fatos históricos que comprovam a força da mulher por mais espaços na sociedade”, diz à Agência SAIBA MAIS a ex-prefeita Fafá Rosado. Foi no município do Oeste onde aconteceu o primeiro voto femininino — de Celina Guimarães, em 1927. Já o RN carrega o legado de ter eleito a primeira prefeita no Brasil, Alzira Soriano, em 1928, em Lajes.

“Quanto a minha participação na política, acredito que tenha se dado, principalmente, pela proposta inovadora que apresentei, como candidata, à população mossoroense optando por fazer obras estruturantes, além de executar ações para melhorar a vida das pessoas, a partir de um melhor serviço na área da saúde e da educação”, diz Fafá.

Depois de sair da Prefeitura, ela ainda se candidatou a deputada federal em 2014 e recebeu 33.130 votos, mas não foi eleita. Perguntada se pensa em voltar a disputar eleições ou ser prefeita pela terceira vez, ela reflete e diz que cada coisa tem seu tempo.

“Cumpri, com muito orgulho, os dois mandatos concedidos pelo povo de Mossoró, mas é importante que outras pessoas deem sua contribuição à cidade. Agora, como mossoroense que vibra com o crescimento de Mossoró, cumpro o meu papel de cidadã de torcer pelo sucesso de todas as administrações, independente de terem à sua frente homens ou mulheres”, afirma.

Para a governadora Fátima Bezerra, este protagonismo feminino é uma vitória não apenas para as cidades potiguares, mas para toda a sociedade, que ganha com a diversidade de vozes e perspectivas na política. 

“A presença de mulheres na liderança é fundamental para promover políticas mais inclusivas e justas, fortalecendo a democracia e construindo um futuro mais igualitário para todos”, disse.

Cientista social e professor titular do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, Alex Galeno atribui o aumento do protagonismo feminino na política às políticas de distribuição de renda e de emancipação das mulheres, como o Bolsa Família.

“O Bolsa Família é um elemento importante de mais mulheres na Câmara e nas prefeituras. Acho que é um indutor de desenvolvimento econômico, mas também de reconhecimento e emancipação política das mulheres no país”, aponta.

Para o pesquisador, nos últimos anos não só o acesso à renda tem mudado, mas também tem avançado as bandeiras políticas de protagonismo de direitos. 

“Como, por exemplo, a Lei Maria da Penha, que dá um direito de visibilidade, de espaço na esfera pública das mulheres, portanto de autonomia”, afirma ele, que também cita outros propulsores da participação feminina, como políticas de emprego e do acesso às universidades.

“As cotas sociais e raciais são outros elementos que fazem com que aquelas mulheres que estavam na invisibilidade vão para a esfera pública e ganhem um protagonismo de organização social. E, ao mesmo tempo, a autonomia de renda e de emprego. Então a gente não pode analisar o aspecto eleitoral descolado disso”, destaca.

Como governadoras mulheres, o Rio Grande do Norte teve Wilma de Faria eleita em 2002 e 2006, Rosalba em 2010 e Fátima Bezerra em 2018 e 2022 — cumprindo o mandato no momento.

O levantamento da Folha de São Paulo também trouxe a proporção de regiões que já elegeram chefes de Executivo mulheres. Nordeste e Norte têm 47%. Na outra ponta, o Sul possui a menor proporção, com 25%.

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