Ateliê aberto fomenta produção artística contemporânea de Natal
Natal, RN 6 de jul 2026

Ateliê aberto fomenta produção artística contemporânea de Natal

3 de maio de 2025
5min
Ateliê aberto fomenta produção artística contemporânea de Natal

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O Estipe, espaço dedicado ao acolhimento e desenvolvimento de ações em arte contemporânea em Natal/RN, está com inscrições abertas para mais uma edição do Ateliê Aberto — uma atividade continuada que promove um dia inteiro de convivência, produção artística e trocas entre artistas da capital potiguar e arredores. O encontro será realizado no dia 10 de maio de 2025, das 9h às 17h, no Duas Estúdio, sede do Estipe.

Voltado à experimentação, ao diálogo entre linguagens e ao fortalecimento das práticas artísticas locais, o Ateliê Aberto selecionará cinco artistas via formulário. As inscrições vão de 24 de abril a 06 de maio, e o resultado será divulgado nas redes sociais do Estipe no dia 07 de maio. As pessoas selecionadas também receberão notificação por e-mail.

Cada participante deverá levar seus próprios materiais de trabalho, com liberdade para decidir se deseja compartilhá-los. O espaço conta com uma área aberta, uma área coberta, pia, bancada, internet wi-fi, além de mesas e cadeiras que podem ser utilizadas livremente durante a atividade. Terão prioridade na seleção pessoas que não participaram da edição anterior.

Com uma proposta de articulação entre artistas e agentes da arte contemporânea, o Estipe é um ambiente de discussão, experimentação e exposição, que se instaura como ponto de apoio a práticas sensíveis e diversas no campo das artes visuais. A ação do Ateliê Aberto integra esse esforço de fortalecimento da cena artística local por meio da convivência e da construção coletiva.

De onde vem o Estipe?

Em entrevista à Agência Saiba Mais, a artista visual e membra fundadora, Maria Sucar, compartilhou que a criação do espaço foi resultado de um longo processo de inquietações e desejos em comum entre sete artistas amigos. “O surgimento do Estipe foi a culminação de anos de vontades, necessidades e questões latentes que em algum momento explodiram e aí o universo meio que interviu e nos ofereceu um espaço em troca da nossa dedicação. Parte de nós passou por uma série de frustrações muito grandes com a dificuldade de botar pra frente os próprios trabalhos e começamos desesperadamente a pesquisar alternativas”, conta.

A proposta inicial era abrir um ateliê coletivo. Mas logo surgiu a ideia de transformar o espaço em um ponto de encontro mais amplo, expandindo as possibilidades de atuação. Hoje, o Estipe realiza ações como leitura de portfólios, ciclos de performance e os próprios Ateliês Abertos. Todos os programas são organizados a partir de chamadas públicas com formulários acessíveis, buscando traçar um panorama dos artistas atuantes em Natal e facilitar conexões entre eles.

Por que “Estipe”?

O nome curioso tem origem em uma sugestão de Marcone, uma das integrantes da equipe, apaixonada por biologia. “Estipe é um caule, ou algo próximo”, explica Maria. “Lembro de na pesquisa termos nos deparado com a definição de que essa estrutura atuava ‘na sustentação e na condução de nutriente’, e achamos tão poético. Tem também a questão de que nos fungos, ele serve para proliferação dos organismos.” A simbologia caiu como uma luva: o espaço passou a ser pensado também como ponto de sustentação e multiplicação da arte contemporânea na cidade.

Uma resposta ao contexto natalense

A realidade do circuito artístico em Natal foi motor importante para o nascimento do Estipe. Maria comenta que “o contexto de Natal foi o principal motor para a nossa iniciativa. Primeiramente numa espécie de revolta com a falta de espaços de formação, socialização e acolhimento das ideias de arte e, posteriormente, através do carinho e admiração que temos pelas pessoas que têm se disposto a seguir na área apesar de tudo.”

Espaço, coletivo ou coisa?

“A gente gosta de colocar o Estipe como um ‘espaço’, mas acho que ele está mais próximo de uma ‘coisa’.” Isso porque a atuação do grupo atravessa múltiplas frentes: ateliê, curadoria, produção, formação e articulação institucional. “Já fomos chamados de coletivo e consigo entender de onde vem essa leitura.”

Trocas significativas

O público que o Estipe deseja alcançar inclui artistas, agentes culturais e interessados em arte — sobretudo de Natal, mas não exclusivamente.

Sobre o Ateliê Aberto, ela ressalta: “É uma troca muito humana com a arte que está acontecendo no nosso território, que não está sendo mediada pelas paredes brancas de uma galeria, por um mediador ou curador. É também uma ótima desculpa para fazer amigos em nome da arte.”

O Estipe foi inaugurado em 2024 e já realizou atividades como leitura de portfólios e outros fomentos da área da arte | Foto: Reprodução

Mesmo com limitações de tempo e recursos — já que a equipe não conta com nenhum apoio institucional fixo — o Estipe pretende seguir com suas atividades principais: leitura de portfólios, ateliês abertos e o ciclo de Performances. “Tem muitas coisas que gostaríamos de estar fazendo no Estipe, mas nosso tempo ou dinheiro não deixam ainda. No mínimo, seguiremos com o que temos conseguido construir até agora, sempre atentos às possibilidades de expansão”, conclui uma das fundadora do projeto.

Em caso de dúvidas, é possível entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou via direct no Instagram AQUI.

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