Sargento Gonçalves quer extinguir crimes para proteger bolsonaristas
Natal, RN 23 de jun 2026

Sargento Gonçalves quer extinguir crimes para proteger bolsonaristas

13 de maio de 2025
4min
Sargento Gonçalves quer extinguir crimes para proteger bolsonaristas
Foto: reprodução

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O deputado federal pelo Rio Grande do Norte, Sargento Gonçalves, propôs nesta segunda-feira (12) extinguir dois crimes do Código Penal: o de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e de tentativa de depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído. 

O objetivo, segundo ele, é garantir a “fiel observância aos princípios constitucionais da liberdade de expressão, do direito de reunião e da segurança jurídica”. Em sua justificativa, o parlamentar apoiador de Jair Bolsonaro (PL) diz que o Direito Penal deve obedecer ao princípio da legalidade estrita, conforme a Constituição Federal, exigindo que crimes e penas sejam definidos de forma clara e objetiva, “sem margem para interpretações arbitrárias que possam limitar direitos fundamentais.”

“Além disso, os artigos 359-L e 359-M impõem restrições desproporcionais à liberdade de expressão e à livre manifestação do pensamento, direitos assegurados pelos artigos 5º, IV, IX e XVI da Constituição Federal. Esses dispositivos podem ser empregados para criminalizar opiniões políticas, protestos e manifestações legítimas, contrariando a outrora jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF), que firmou entendimento de que uma ‘ampla circulação de ideias é essencial para a manutenção do regime democrático’”, argumenta o parlamentar.

A proposta surge em meio às ações contra bolsonaristas implicados na trama golpista de 2022, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele se tornou réu no STF em março, junto a mais sete ex-integrantes do seu governo, por tentativa de golpe de Estado. Segundo a denúncia, esses oito acusados integram o Núcleo 1, ou “Núcleo Crucial”, de uma organização criminosa que buscava impedir o regular funcionamento dos Poderes da República e depor o governo legitimamente eleito.

De acordo com Gonçalves, no projeto, a revogação dos dois artigos do Código Penal não compromete a proteção da ordem democrática, “mas evita que o Direito Penal seja instrumentalizado para perseguições políticas, garantindo maior alinhamento do ordenamento jurídico brasileiro com os princípios constitucionais, tratados internacionais de direitos humanos e as melhores práticas das democracias consolidadas.”

O parlamentar foi eleito na esteira do bolsonarismo em 2022, em uma dobradinha com Wendel Lagartixa — que concorreu a deputado estadual e foi o mais votado, mas não assumiu por estar inelegível. Já em seus primeiros dias de mandato, em 2023, o deputado defendeu os terroristas que invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal no 8 de janeiro. Em vídeo gravado e divulgado nas redes sociais, à época, o parlamentar pediu “cautela e sabedoria” às forças de segurança na hora de abordar os criminosos que participaram dos atos golpistas.

Ainda em 2023, coassinou um projeto para tentar reverter a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que deixou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível até 2030. Mais recentemente, paralelamente à tentativa de emplacar a anistia para os golpistas condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, os bolsonaristas adotaram uma nova estratégia para tentar reverter a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). É o projeto de lei complementar 141/2023 de autoria do deputado federal Bibo Nunes (PL-RS), que altera a Lei da Ficha Limpa, reduzindo de oito para dois anos o tempo de inelegibilidade de um político. A proposta também foi assinada por Gonçalves.

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