Neste domingo, 8 de junho, reverberam ainda as marcas de um ataque grave à liberdade de imprensa. Na semana em que se celebrou o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, a plataforma Instagram — controlada pela gigante imperialista Meta — baniu o perfil do Jornal A Verdade, um dos principais veículos da imprensa popular no país. A decisão arbitrária, sem justificativa concreta, expõe a contradição gritante entre a retórica liberal sobre liberdade de expressão e a prática cotidiana de censura às vozes que ousam enfrentar os interesses do capital. Trata-se de censura política. E da pior espécie: aquela que tenta silenciar a verdade construída nas lutas da classe trabalhadora.
A conta tinha mais de 100 mil seguidores e amplificava, diariamente, as vozes silenciadas pelas estruturas dominantes do sistema midiático: trabalhadores em greve, moradores de ocupações urbanas, juventude periférica, militantes antirracistas, mulheres em luta contra o machismo, denúncias contra o genocídio do povo palestino. Um perfil como esse não é banido por acaso. É suprimido porque incomoda. Porque rompe com o silêncio conveniente ao status quo.
As big techs — Google, Meta, X (ex-Twitter), Amazon — não são neutras. Elas servem a um projeto político: o da manutenção do capitalismo em sua fase mais brutal, o imperialismo. E o fazem sob a máscara do “livre mercado” e da “moderação de conteúdo”, quando, na verdade, controlam o que pode ou não circular na arena digital. Não é liberdade de expressão quando o algoritmo define que a denúncia de um massacre é “violação das diretrizes” e o negacionismo ganha impulsionamento. Não é liberdade de imprensa quando um jornal da classe trabalhadora é banido sem qualquer chance de defesa ou contraditório.
A internet, como tudo no capitalismo, tem donos. E esses donos têm lado. É o lado de quem lucra com a exploração, com o racismo, com a desigualdade, com a militarização da vida. O lado de quem prefere o silêncio à denúncia, a alienação à consciência, o entretenimento vazio à organização popular.
Mas é preciso afirmar com força: a verdade não será banida. O Jornal A Verdade, com seus mais de 40 mil exemplares por edição impressa, é expressão viva de um jornalismo militante, comprometido com a transformação radical da sociedade. Um jornal que vai às fábricas, aos bairros, aos transportes, que forma brigadas de distribuição, que escuta o povo e que se coloca, sem vacilar, ao lado de quem luta.
Censurar esse tipo de veículo é censurar não apenas um perfil, mas uma história coletiva de resistência. É uma tentativa — frustrada — de apagar a imprensa que não se vende, não se dobra e não se cala.
Como jornalista e militante, que acompanha com respeito e admiração esse trabalho necessário, afirmo: neste momento, não basta indignar-se — é preciso denunciar, compartilhar, organizar. Toda solidariedade ativa ao Jornal A Verdade e a todos os meios populares perseguidos. Defender a imprensa da classe trabalhadora é defender o direito do povo à consciência. E esse direito, nenhuma big tech vai nos tirar.