Daniel Valença cobra investigação de “possível execução” de jovem em Natal
O assassinato do jovem Adson Wyohânderson Rodrigues de Souza, que tinha 18 anos, durante uma operação policial no bairro de Mãe Luíza, realizada na última sexta-feira (18), teve pouca repercussão na classe política de Natal. O vereador Daniel Valença (PT), até o momento, foi o único que se manifestou sobre o caso nas redes sociais ao afirmar que “a possível execução de um civil rendido por um PM exige investigação séria e responsabilização”.
“Direito à vida, paz e segurança é para todos, seja em Mãe Luíza ou Petrópolis. Urgente o uso de câmeras pela PM, para a proteção da população e dos policiais que realmente servem à população”, cobrou o vereador.
A operação da Polícia Militar em Mãe Luíza, além de Adson Rodrigues, que não tinha antecedentes criminais, resultou também na morte de Janderson da Silva Nunes, 27 anos. Ele possuía um mandado em aberto por roubo e tráfico.
A PM afirmou que as vítimas foram levadas para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, mas eles não resistiram e morreram na unidade. Ainda segundo informou a corporação, outros quatro suspeitos teriam conseguido fugir durante a ação policial.
Os dois mortos, conforme alegou a PM, eram suspeitos de tráfico de drogas e morreram em confronto durante a operação. Essa versão, no entanto, foi contestada por um familiar de Adson Rodrigues, que disse que o jovem estava rendido e desarmado quando sofreu os tiros que o vitimaram.
“Ele não foi pego com nada. Era um menino de 18 anos que ainda estudava. Ele vinha da Praia de Miami, estava subindo e vinha até sem camisa. Ele ligou para a mãe dizendo que estava indo para casa e vendo que tinha muitos policiais no caminho. Meia hora depois recebemos a notícia. Deram cinco tiros nele. Adson nunca foi preso, não tem passagem pela polícia”, relatou o familiar.
Vídeo reforça versão da família de Adson
Um vídeo que circula nas redes sociais, com o registro da ação policial, reforça a versão do familiar de Adson Rodrigues. As imagens mostram o jovem sendo parado por um policial, mas em momento algum ele reage à abordagem. Na sequência, são ouvidos barulhos semelhantes ao som de disparos de arma de fogo.
O familiar de Adson Rodrigues, ao citar o vídeo, disse que as imagens comprovam que “foi claramente uma execução”.
“Eu espero justiça. Isso vem acontecendo frequentemente dentro das comunidades”, clamou o familiar.
PM afastou envolvidos na operação
A Polícia Militar do Rio Grande do Norte, após analisar as imagens, anunciou o afastamento preventivo dos seis policiais envolvidos na operação em Mãe Luíza. Em nota oficial, o comando da corporação afirmou ainda que “instaurou um procedimento” para apurar as circunstâncias do caso.
De acordo ainda com o comunicado, além desse inquérito abeto pela PM, o caso também será investigado paralelamente pela Polícia Civil, através da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O vídeo que provocou o afastamento dos policiais envolvidos na operação, segundo o comandante da Polícia Militar do RN, Coronel Alarico Azevedo, será periciado pelo ITEP (Instituto Técnico-Científico de Perícia).
“Toda essa parte será também desvendada, com as perícias realizadas pelo ITEP, tanto no vídeo, quanto no armamento [usado na operação]. Verificar qual foi e da onde surgiu o disparo, como foi a trajetória, se foi de perto, se foi de longe, se foi em um confronto distante. Então, essas informações são muito importantes e serão repassadas pelo ITEP”, explicou o comandante da PM.
“É um vídeo que tem uma parte que está numa sombra, no escuro e outra parte no claro. Existe uma imagem, como se fosse uma pessoa levantando os braços, sentada na parte escura, e o policial se afastando. Existe um vídeo que está sem som e outro vídeo com muito barulho”, comentou o Coronel Alarico Azevedo.
“Quando eles [os policiais militares] entram em Mãe Luíza é assim, aterrorizando todo mundo. Estamos sofrendo muito com isso”, protestou o familiar do jovem Adson Rodrigues.
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